terça-feira, 23 de outubro de 2018

RESENHA DO LEITOR: O ESPIÃO FANTASMA

Este não é um livro para qualquer um! E não leia-se aqui "qualquer um" em sentido pejorativo. Este é um livro para os aficionados por estratégias de guerra, espionagem, agentes duplos, conspirações. Um livro para os que buscam entender um pouco mais das tantas guerras pelas quais a humanidade já passou, seus segredos, seus bastidores. Aqui, temos uma obra escrita por Dennis Sefton Delmer, um jornalista nascido na Alemanha, mas filho de ingleses, fluente nas duas línguas, íntimo dos dois países e por isso mesmo com uma ampla visão dos dois lados de uma guerra fria, suja e desleal. Por ser fluente na língua alemã, Delmer foi contratado pelo gabinete britânico para o serviço de contra-informação, o que lhe proporcionou acesso a informações privilegiadas.


Em "O Espião Fantasma", temos o relato da origem do serviço de contra-espionagem que usou de forma pioneira falsas informações através de agentes duplos, para despistar os exércitos inimigos ou levá-los a cair em armadilhas. A história do exército fictício que enganou os nazistas é detalhada de forma minuciosa, com datas, locais e documentos verídicos. Um relato que demonstra a que extremos a humanidade pode chegar em tempos de guerra, onde nenhuma lei ou autoridade parece ser suprema o suficiente. Onde valores, ética e moral são postos de lado e a única regra é sobreviver. Onde "os fins parecem justificar os meios".


Em Londres, em 1944, três homens (um holandês, um polonês e um espanhol) tiveram um papel fundamental no desenrolar da Segunda Guerra Mundial. Uma história conhecida, mas contada pela primeira vez em detalhes nunca antes revelados. Os Aliados usaram o serviço de "desinformação", através dos três agentes duplos (considerados por Hitler impecáveis agentes de informação), para convencer os nazistas de três fatos essenciais (que obviamente eram mentiras), mas que serviram para criar uma rede de eventos que confundiu os nazistas e influenciou de forma definitiva o desenrolar da guerra. 


O filme "O Espião que Sabia Demais", de 2011, reflete em muito o que lemos no livro. É um suspense clássico sobre a Guerra Fria que acompanha um espião inglês quando este volta ao MI-6, sob a suspeita de ser um agente duplo da União Soviética. Como disse no início da resenha, não é um livro para qualquer um, é para os que se aventuram nas páginas em busca da verdade sobre guerras, espionagem, conspiração e principalmente, sobre os valores e meios utilizados para sustentar as sociedades em que vivemos.


VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: SIMONE TORRES
40. Pedagoga e Teóloga. Leitora compulsiva, cinéfila e amante dos animais. Fazer arte é o que mais amo depois de ler.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

RESENHA DO LEITOR: O CAPETA-CAOLHO CONTRA A BESTA-FERA

SINOPSE: Sertão. Anos 30. É o auge do cangaço… Um lobisomem ataca, todo mês, a cidadela de Terezinha de Moxotó, no interior de Pernambuco. Sem ter a quem recorrer, o prefeito e Coronel Jesuíno de Cândida contrata o bando do cangaceiro Jeremias Fortunato Silveira, conhecido como Capeta-Caolho, figura aterrorizante, tão maléfica quanto o monstro que os ataca, na esperança de que o bandido terrível dê cabo da besta-fera. Mas quando os cangaceiros chegam na cidade, o povo entende que combater o mal com o mal nunca é a melhor escolha.


“[...] Só conhece o ódio e a violência. ’ ​‘E não somos todos assim, coronel? ’”.

Um livro sensacional para quem quer sair da ressaca literária ou simplesmente se aventurar pelo chão seco do sertão. A trama se dá nas terras duras e judiadas do sertão de Pernambuco, precisamente na cidade de ninguém, Terezinha de Moxotó, onde há tempos o povo anda apavorado pelas mortes macabras de entes queridos por conta da tal besta-fera, da qual quem viu se arrepia e quem não viu, repassa a lenda. Depois da última morte na cidadezinha, o povo entra em desespero e quer que o novo delegado faça algo por eles. Ali, dentro de uma pequena igreja que conforta o coração daqueles que vivem na dificuldade da terra infértil, uma ideia surge inesperada de um sujeito inesperado. Chamar o bando do Capeta-Caolho para cuidar da besta. Afinal, os cangaceiros são os pistoleiros mais bem respeitados e “porretas” daquele lugar, porque eles não dariam conta, quando ninguém mais quer se arriscar?


A ideia é dada como loucura de quem não tem um pingo de juízo, mas é aceito pelo Coronel Jesuíno e assim é feito. Os cangaceiros são chamados e o povo que temia sair à noite para evitar um ataque surpresa da besta endemoninhada, agora evita até o dia por conta dos cangaceiros. Essa é uma história incrível, que flui feito água de cachoeira e acaba mais rápido que água de rio no sertão. O autor usa de gírias da região de forma maestral, além de usar uma lenda muito conhecida e recontada por avôs de tempos em tempos, idealizando uma história para se rir e se temer na mesma proporção.


“Porém, naquele sertão que num era de Deus nem do diabo, paz era um item raro, uma fruta que não nascia no chão rachado.”

E não adianta querer tentar adivinhar o desfecho desde as primeiras páginas, porque tem muita coisa para se saber e se atentar. Além disso, o final é surpreendente, trazendo uma pequena reviravolta que faz toda a diferença na hora de dizer adeus. Muito bem construído, o livro de Everaldo Rodrigues encanta e encantará muita gente, e com toda certeza arrepiará muitos cabelos.


VITAMINAS:


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RESENHA ESCRITA POR: KAROLINA V. S. MELO (Karol Melo)

22 anos, mora atualmente no interior do Paraná. Depois que descobriu o mundo da ficção se tornou uma leitora compulsiva. Ama músicas que a inspirem, e séries de suspense policial, mas não nega um romance clichê. É escritora no blog Verdades e Poesias e sonha em publicar um livro para chamar de seu.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

RESENHA DO LEITOR: OS LUSÍADAS

SINOPSE: Comandada por Vasco da Gama, a frota portuguesa parte, no ano de 1497, em busca do caminho marítimo para a Índia. Júpiter determina que todos os deuses do Olimpo ajudem os portugueses a alcançar a terra desejada. Baco, porém, receoso de que esse triunfo obscureça seus feitos no Oriente, opõe-se. No decorrer da viagem, os deuses intervêm constantemente, aliando-se ora a favor, ora contra os navegantes.


Impressões Pessoais: Olá, leitores! Hoje, compartilharei com vocês um pouco das minhas impressões sobre a obra portuguesa Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões. Antes de mais nada, vale ressaltar que essa é uma obra literária pertencente ao gênero épico, ou seja, um longo poema narrativo, também chamado de epopeia ou épica, que contava acontecimentos grandiosos protagonizados por heróis. Assim temos relatos que narram as grandes realizações e feitos de um povo, representado por personagens. E uma das principais características desse gênero é o intercâmbio entre o plano do herói e o plano dos deuses mitológicos. Essa mistura pode ser vista, por exemplo, no fato de o destino do herói provocar discussões entre os deuses (como acontece no canto primeiro de Os Lusíadas – onde os deuses se encontram no Olimpo, a fim de discutirem sobre o futuro dos navegadores lusitanos). 


E nesta obra de Camões, esses papéis cabem principalmente aos deuses romanos Baco (deus do vinho e da libertinagem) e Vênus (deusa do amor). Baco será o vilão e tentará impor diversos empecilhos aos navegantes portugueses rumo às Índias, ao passo que Vênus se esforçará em ajudá-los. Assim, Baco e Vênus terão opiniões antagônicas sobre os lusos – ele por temor do descrédito e ela pelas honras que pretendia alcançar. Mas, essa afinidade da deusa justifica-se principalmente pela origem latina da gente lusitana.


Uma das minhas principais dificuldades ao ler essa obra, não foi necessariamente a linguagem poética e arcaica de Camões, ou por se tratar de um poema do Renascimento (Classicismo), mas fora devido a minha ignorância cultural mitológica. Eu nunca fui muito apaixonado pela mitologia greco-latina, assim eu aprendi muito dela por meio de Os Lusíadas, tanto que os episódios em que se narravam a viagem (propriamente dita) de Vasco da Gama em busca do caminho para as Índias pelo Ocidente não me interessavam tanto quanto os versos que narravam os mitos greco-latinos ou os elementos da tradição cristã.


Como já mencionado, em Os Lusíadas, Camões, por meio da narração de viagem de Vasco da Gama às Índias, exalta a grandeza histórica dos lusos. Ou seja, por ser uma epopeia Vasco da Gama é um herói coletivo, que representa todos os portugueses. Assim Camões aprofundou o tema da “humanidade” (homem) e o redescobrimento da antiguidade clássica (com os deuses do Olimpo). Essa obra-prima da poesia, vale muito a pena ser conhecida pelos leitores já que seus versos mostram a beleza artística da escrita de Camões, por nos oferecer relatos históricos e um conhecimento cultural muito profundo. 


Selecionei algumas curiosidades sobre esta obra épica a fim de motivá-los a lê-la:

  • Essa é uma epopeia de 1102 estrofes, divididas em 10 cantos;
  • Ela possui 8.816 versos decassílabos;
  • Essa fora uma obra dedicada ao rei D. Sebastião (canto I)
  • Esse é clássico onde também são narradas histórias dos reis de Portugal, como a de Inês de Castro, que se apaixonou pelo príncipe D. Pedro, mas foi assassinada por ordem do rei D. Afonso IV (canto III);
  • Em Os Lusíadas, as ninfas do Rio Mondego choraram tanto em sinal de luto que suas lágrimas foram transformadas em uma fonte pura;
  • O seu autor foi acusado de delitos administrativos, e em viagem de volta para à Índia o seu navio naufraga e, a custo, Camões salva sua vida e o manuscrito de Os Lusíadas, mas perde uma de suas amantes. (Canto X, estrofe 128) 

VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: Felipe Maranhão
22 anos. Graduando do 6° período de Letras, da Universidade Federal do Tocantins. Pesquisador em Iniciação Científica pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, com ênfase em bilinguismo Krahô. E amante da literatura universal.

ENTREVISTA COM ALANA MART, AUTORA DE SURREAL - NA SOMBRA DE UMA DIMENSÃO

SINOPSE: O que fazer quando alguém muito querido morre? Anne decide viver como se seu melhor amigo, Jony, ainda estivesse presente. Mas seus planos tomam outro rumo quando ela conhece o enigmático Mart. Após o encontro com essa figura emblemática, Anne descobre que seu amigo escondia muitos segredos que a envolvem e, ao tentar desvendar esses mistérios, ela se depara com acontecimentos que a farão duvidar da morte e da vida. Um universo místico lhe é apresentado, no qual terá que tentar relembrar o seu passado, descobrir quem são seus verdadeiros aliados e qual é sua verdadeira missão em um mundo que um dia já foi seu lar.


Como surgiu a ideia de escrever "Surreal"?
Comecei a escrever Surreal em uma fase tensa da minha vida, foi uma maneira de me distrair. A ideia inicial já martelava na minha mente há algum tempo, eu só não tinha muita noção de onde a história iria chegar.


Quanto tempo demorou para a história ficar pronta?
Eu diria de demorou cerca de três anos, mas com muitos intervalos até sua conclusão. É até possível notar como a escrita vai diferenciando ao longo do livro.


O que o leitor pode esperar de "Surreal"? 
Surreal trata um pouco do autoconhecimento, do "se descobrir". O livro traz romance, suspense e magia.

Qual autor ou autora é seu preferido? Eles de alguma maneira te inspiraram a escrever?

Carlos Ruiz Zafón é meu queridinho, porém o conheci, relativamente, há pouco tempo. Atualmente tenho me voltado para o suspense policial, no qual admiro bastante Harlan Coben.


Se "Surreal" pudesse ter uma trilha sonora qual música você escolheria?
Sem dúvida Surreal da banda Scalene estaria na playlist.


Qual personagem de "Surreal" você mais se identifica? E por quê?
A Lucie, que no primeiro livro aparece como coadjuvante, mas que um dia voltará como uma jovem incrível.

Deixe uma mensagem para nossos leitores:
Leiam, leiam, leiam! Ler é a melhor maneira de desenvolver o nosso senso crítico, tão necessário nos dias atuais. E não descartem a literatura nacional, há autores incríveis entre nós, é só dar uma chance!

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CONHEÇA CHUVA DE ESTRELAS, O NOVO LIVRO DE MICHELLE PEREIRA



SINOPSE: Depois da morte do pai e do primogênito de seu clã, o mais jovem dos guerreiros Áren é chamado a uma tarefa honorável: ser o Portador da Joia de Vernam, uma relíquia mágica onde demônios antigos estão aprisionados. No entanto, para que isso aconteça, o rapaz precisará completar seu juramento em um local sagrado no cume de uma montanha e sob a mortal chuva de estrelas. Chuva de estrelas faz parte das Crônicas de Vanroe e Bessengard, dois reinos ligados pela magia, onde nem tudo parece ser o que é.


Outubro é o mês de aniversário da autora Michelle Pereira e ela tem um presente para vocês: o lançamento de Chuva de Estrelas! E o melhor, ele é grátis! O conto é ambientado em um universo medieval em que dois reinos, Vanroe e Bessengard, são interligados por meio da magia e diversos fatos interessantes estão acontecendo durante a chuva de estrelas. O primeiro deles é a morte do Portador da Joia de Vernam, fato principal desta história. Em breve, a autora trará mais das Crônicas de Vanroe e Bessengard.




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Entre os dias 19 e 22 de outubro, o conto estará gratuito na Amazon! Corra e garanta o seu:

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CONHEÇA A AUTORA


Michelle Pereira é mineira, nerd e designer gráfico. Viciada em livros de fantasia e ficção científica, adora inventar histórias em seu tempo livre. 



Ela é autora da série Guardião do Medo e de O demônio no campanário, além de ter participado da antologia Criaturas do Submundo com o conto Sob o deserto e o sangue


Saiba mais sobre os livros na fanpage da autora.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

PRIMEIRAS IMPRESSÕES: JUNO E JUPITER

SINOPSE: Em um mundo em que água e comida são escassas e a população definha por conta de uma praga misteriosa, nenhum lugar é seguro para quem não se adapta. Limites territoriais há muito perderam a sua importância e ninguém pode dizer que é cidadão de algum lugar. Mas em meio ao cenário de miséria e mortes, há um circo itinerante que viaja por onde ainda houver estradas. O engolidor de fogo deste circo, um homem de poucas palavras chamado Bobby Jupiter, mantém uma vida razoavelmente normal, fazendo o que é possível para sobreviver. Depois que conhece a misteriosa e sensual Juno Vestra, uma tragédia faz com que as vidas dos dois fiquem ligadas para sempre, mesmo que eles não se suportem. Juno e Jupiter conseguirão se aguentar por tempo o bastante para que possam sobreviver ou serão a ruína final um do outro?


Respeitável público! Hoje, tenho a honra de apresentar a obra Juno e Jupiter, da autora Clare Nunes! Já na sinopse, o livro conseguiu obter meu interesse: O cenário apocalíptico, a vida circense (muito bem abordada em outras obras como “Geek Love”), a dependência indesejada entre dois personagens... A fórmula para uma boa história já está pronta! Recebi apenas um capítulo, mas nas poucas páginas percebi uma escrita fluída e um enredo envolvente.


Neste primeiro capítulo a autora fez uma breve apresentação do protagonista Jupiter, contando um pouco sobre sua rotina circense no palco e nos bastidores, revelando uma identidade que me pareceu anti-heróica e característica de personagens com histórias comoventes/devastadoras. Bobby Jupiter se mostrou para mim, um personagem enigmático e bem construído, despertando minha vontade de o conhecer melhor, saber do seu passado e descobrir se meus palpites estão certos. Espero que a autora tenha escrito a história por traz do cuspidor de fogo no decorrer deste livro, que com certeza, irei ler até o fim.


Além disso, a PenDragon parece ter caprichado na edição, com uma capa linda e páginas trabalhadas, completando os motivos para ter esta obra na estante. Estou com expectativas altas com o resto da história e espero poder terminar a leitura em breve.


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RESENHA ESCRITA POR: TAY RAMONE
18 anos, catarinense, estudante de medicina veterinária, apaixonada pela leitura. Tem um amor imenso por Stephen King, Ramones e animais.

ENTREVISTA COM MARCOS DEBRITO, AUTOR A CASA DOS PESADELOS E O ESCRAVO DE CAPELA

Fala galera! Hoje nossa entrevista é mais que especial! Batemos um papo com o escritor, diretor e roteirista de cinema Marcos DeBrito. Marcos iniciou sua carreira como cineasta no Festival de Gramado em 2001 e em 2015 lançou seu primeiro longa-metragem, “Condado Macabro”, dirigido em parceria com André de Campos Mello. Já na literatura, seu livro de estreia foi publicado em 2012 e foi um dos indicados da editora a concorrer ao Prêmio. Confira nossa conversa com esse grande autor nacional!


Qual foi o momento mais marcante na sua carreira de escritor?
Acredito que existiram dois momentos que me marcaram bastante. Apesar de eu sempre escrever histórias, elas eram direcionadas apenas ao cinema. As dificuldades de conseguir patrocínio me fizeram adaptar meus roteiros para romance porque eu não queria vê-los morrer na gaveta. O primeiro grande momento foi em 2010, quando recebi a mensagem da Rocco aceitando o “À Sombra da Lua”. Eu havia mandado o original pra várias editoras, de todos os tamanhos, e a Rocco aceitou sem eu ser agenciado ou conhecer alguém do ramo. Aquela sensação sei que nunca mais irei sentir. Foi a confirmação de que eu era capaz de migrar para outra forma de contar histórias e atingir um novo público, ainda mais em uma casa que tinha autores que admiro, como Guillermo del Toro e Anne Rice.
O outro grande momento foi em 2016, quando conheci o Pedro Almeida, editor da Faro. Eu estava em um momento de descrença, pois “O Escravo de Capela” estava preso na Rocco por cláusula de prioridade e eles não sabiam se iriam apostar na obra, por ser muito violenta e ir no sentido contrário da tendência de direcionarem livros de terror ao público mais jovem. Após quase um ano de silêncio, negaram e me liberaram pra procurar outra casa.
Eu digo que o mais importante foi conhecer o Pedro, e não entrar na Faro, porque encontrei um editor que trata seus autores como únicos. Há uma troca saudável de ideias, com muito respeito, e a Faro investe no autor nacional como nenhuma outra editora. Sinto-me à vontade pra propor ideias e tenho grandes amigos escritores na casa. Para minha carreira como autor, e pra minha autoestima, estar na Faro foi a melhor coisa que me aconteceu.

Como surgiu a ideia de escrever "A Casa dos Pesadelos" e "O Escravo de Capela"?
Normalmente as ideias costumam surgir nos locais mais improváveis. Muitas delas aparecem enquanto estou fazendo algo mecânico, só que pensando em outra coisa. Às vezes acontece quanto estou dirigindo ou apenas observando o movimento. Para “O Escravo de Capela” deve ter acontecido assim. Só me lembro de querer contar uma história sobre vingança. A ideia de abordar os piores anos do nosso país, e depois repaginar a mitologia do Saci como algo mais cruel e verossímil, foi aparecendo aos poucos.

Já a concepção para “A Casa dos Pesadelos” foi mais estudada. Eu estava num mercado audiovisual na Argentina, vendendo o longa “Condado Macabro” junto com o meu produtor, quando ele me perguntou se eu não tinha uma ideia que fosse curta e barata pra filmar. Na época, existia um esboço de um tema que gostaria de abordar, mas por ser muito delicado, nunca tinha desenvolvido. Improvisei na hora um argumento e apresentei a ele, que adorou a ideia. Isso me fez escrever o roteiro do “Casa”. Quando terminei, vi que também seria uma boa história para um livro. Falei pra Faro que tinha essa ideia, mas que não sabia se o público abraçaria, e o Pedro me deu algumas diretrizes de mercado para adequá-la. Com isso, escrevi a versão para as prateleiras sem abusar do meu estilo ultrarromântico e tentei deixá-lo mais direcionado ao público jovem, com menos descrições. Deu certo, pois é o meu livro que mais vende, está sendo elogiado pelos leitores, além de ser finalista do Prêmio ABERST como melhor romance de terror do ano.

Qual dos seus livros mais demorou para ser escrito e por quê?
O “À Sombra da Lua” e “O Escravo de Capela” foram os mais demorados e difíceis por causa da pesquisa de época. Eu queria deixá-los críveis, então há muita História por trás. No “Sombra”, abordo a imigração italiana no interior e vários mitos mundiais sobre a licantropia. No “Escravo”, fui atrás dos costumes de uma fazenda de cana no Brasil colonial e de todas as características que originaram a principal figura do nosso folclore, afim de criar uma nova lenda. Os outros, por serem ambientados nos dias atuais, foram mais rápidos. Mas a continuação do “Sombra” já está sendo o mais demorado porque além de eu estar fazendo uma pesquisa detalhadas sobre costumes na Bulgária, ele terá três linhas de tempo que se cruzam.

O que o leitor pode esperar de "A Casa dos Pesadelos" e "O Escravo de Capela"?
Livros bem diferentes um do outro. Enquanto em “O Escravo de Capela” abuso de um linguajar mais rebuscado, vários personagens e muitas reviravoltas, “A Casa dos Pesadelos” é um texto mais direto, que foca nos medos de um único personagem e traz apenas uma revelação final. Se você é um leitor acostumado a ler terror, sugiro pegar o “Escravo”, que contém cenas mais fortes e um fator sobrenatural mais presente.
Já o “Casa” eu sugiro para quem tem medo desse estilo, mas quer se aventurar. É um bom livro para se iniciar na literatura de Horror, pois não tem aquela violência gráfica e mantém um clima de medo quando o monstro aparece na casa ao cair da noite.

Qual autor ou autora é seu preferido? Eles de alguma maneira te inspiraram a escrever?
Meu autor preferido de todos os tempos é o Álvares de Azevedo. Leio pouca literatura internacional, principalmente contemporânea, e sempre foquei mais no que é feito aqui. “Macário” é meu livro de cabeceira. Também idolatro Edgar Allan Poe. Ambos me inspiram a escrever, pois a sonoridades de suas narrativas são o que mais gosto na literatura.

Se os seus livros pudessem ter uma trilha sonora qual música você escolheria para cada um deles?
Não saberia dizer, pois não costumo criar playlists para meus livros. Quando escrevo, preciso de silêncio absoluto e acho que minhas histórias também passam um pouco desse ar meio soturno. No entanto, pensando agora, o “À Sombra da Lua” combina muito com o estilo gótico da banda Lacrimosa. E o novo que estou para entregar, tem muito das letras da banda Ghost.




Como é sua rotina de escrita? Você escreve diariamente? Tem algumas técnicas que utiliza para facilitar o processo de criação?
Faz um tempo que me forcei a escrever diariamente durante o horário comercial. Quando vivemos da escrita, não dá pra esperar a inspiração, é preciso forçá-la. Só não escrevo quando estou em set ou preparando documentação para algum projeto de cinema. Escrever um livro é um processo longo, ao menos pra mim, e se não mantiver um ritmo a coisa não anda. Vejo autores que escrevem não sei quantas mil palavras por dia, mas eu não tenha essa meta ou capacidade. Já passei semanas em um único parágrafo até que o aceitasse como bom. Não acho que exista uma técnica para o processo criativo. O que existe é paciência e foco. Se fosse para dar alguma dica do que funciona pra mim, seria nunca trocar um texto por outro sem antes finalizá-lo. Ficar pulando de história em história conforme o humor da escrita só te fará ter vários projetos inacabados. Mesmo que esteja enjoado do livro que está escrevendo no momento, continue-o até dar o ponto final. Outra coisa: tenha o desfecho da sua história antes de iniciá-la.

Quais gêneros você tem vontade de se aventurar um dia e escrever?

Acredito que essa distinção entre gêneros serve mais para posicionamento em catálogo e facilitar a escolha do leitor por qual emoção gostaria de sentir ao escolher um livro. Como escritor, não vejo muita diferença. Não considero meus livros tanto assim como de Terror. Encaro-os como dramas, experiências e medos que gostaria de transferir. Além de abordar muito a questão do sobrenatural, tenho um lado sádico que aprecia a violência física. Explorei bastante isso no “Condado Macabro” e em alguns dos meus curtas. Atualmente tenho questões religiosas pra resolver, portanto é o diálogo que devem aguardar no próximo trabalho.

Qual personagem dos seus livros você mais se identifica? E por quê?
Acabo me identificando com todos, em diferentes momentos da minha vida, pois as personalidades dos personagens são facetas da do autor. Até mesmo os mais sádicos são nada mais que espelhos do nosso lado ruim. Escrevi o Álvaro, do “À Sombra da Lua”, crendo que era sobre mim, mas descobri com o tempo que tenho mais de Valêncio e de Vicente. O próximo livro, que trata do Apocalipse, é meu primeiro texto em primeira pessoa, então hoje estou inclinado a acreditar que me assemelho mais ao protagonista desse texto, o Fausto.

Deixe uma mensagem para nossos leitores:
Gostaria de pedir a todos que deem chance à literatura de Terror nacional. Temos muitos autores talentosos por aqui que acabam esbarrando no preconceito de alguns leitores. Quando o público não consome um produto, as editoras não sentem confiança de aumentar suas apostas em novos nomes. Isso gera um ciclo de exclusão do gênero que atrasa o desenvolvimento desse mercado. Sinto que houve uma melhora expressiva nos últimos anos, tanto no cinema quanto na literatura, mas podemos ir muito além. Tenho sorte de ter encontrado editoras interessadas nas minhas ideias e acredito que há bastante espaço para o gênero crescer. Isso só irá acontecer da maneira que precisa quando nós valorizarmos o conteúdo que é feito por aqui.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

PRIMEIRAS IMPRESSÕES: HERÓIS DOS INFINITOS - O INÍCIO DA GRANDE BATALHA


SINOPSE: A maior batalha entre heróis e vilões está prestes a começar. Com a chegada de um jovem Guerreiro Harcons e a união dos grandes Heróis do infinito; Gavião Real, Mortalhes, Lendários e EBS MEGA 13, nasce a missão que pode impedir o plano diabólico de Luzes e seus monstros Guerreiros contra o Planeta Terra. Para os cinco heróis a aventura poderá se estender por todo o universo.



Olá Vitamina Livros, como vocês estão? Espero que bem. Ando sumida, mas estou bem. Hoje apresento a vocês as Primeiras Impressões do livro “Heróis dos Infinitos - O Início da Grande Batalha”. Tive a oportunidade de ler alguns capítulos e posso falar que gostei muito do que li. Ah, quero muito fazer a leitura completa da obra escrita por Hebson B.S.


Como a capa do livro nos mostra, uma grande batalha está para começar. Pelo visto será uma batalha beeeeeeeem importante e emocionante. O livro apresenta ao leitor um grupo de heróis – Os Heróis do Infinito, sendo o grupo composto por Gavião Real, Mortalhes, Lendários e EBS MEGA 13. Com a chegada do jovem guerreiro Harcons, o grupo de heróis sai em uma missão especial, que deverá impedir o malvado Luzes de acabar com todo o universo.


Bom, gostei bastante do que me foi apresentado, a maneira do autor escrever e levar a história é muito boa e prazerosa. Espero em breve ter a oportunidade de concluir a leitura. Beijos, até mais.


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RESENHA ESCRITA POR: RENARA CABRAL PEREIRA PAVEZ
25 anos, capixaba e casada. Formada em pedagogia. Amo ler e dar aula. A leitura me faz viajar!

RESENHA DO LEITOR: A PRINCESINHA

SINOPSE: A princesinha conta a história de Sara Crewe, uma menina rica que perde tudo quando lhe acontece uma terrível tragédia. Obrigada a trabalhar como empregada, a passar frio e fome, ela continua a preservar sua nobreza, e assim consegue manter seu orgulho e sua generosidade.


"Quando as coisas me parecem horríveis, mesmo horríveis, penso com todas as minhas forças que sou uma princesa. Digo para mim mesma 'Sou uma princesa, uma fada princesa, e, como sou uma fada, nada me pode magoar ou tornar desconfortável'. Nem imaginas o quanto isso me ajuda a esquecer." (A Princesinha)

Magnífico! Que livro lindo! Há tempos queria ler esse clássico e agora calhou dele cair no meu colo. E que grato presente. Valeu cada página, cada parágrafo. A Princesinha é daqueles livros que deixa leve o espírito e faz evoluir qualquer um que se proponha a lê-lo. Não quer dizer que ele não tenha passagens tristes e dramáticas, muito menos que não exponha de forma explícita o lado negativo e maldoso do ser humano. Mas o que há de diferente e marcante é que aqui encontramos uma forma peculiar de encarar e reagir às maldades e tragédias que se apresentam ao longo da trama. É a nobreza de espírito que torna Sara Crewe, nossa protagonista, uma garota peculiar e querida por todos (ou quase todos). No entanto, a vida trará surpresas (algumas boas, outras nem tanto) que colocarão a prova sua bondade, nobreza e altruísmo.


O livro é narrado ora em primeira, ora em terceira pessoa e se passa na Era Vitoriana. A trama narra a vida de Sara dos 7 aos 14 anos. Sara Crewe foi criada na Índia, por seu pai inglês, o jovem e rico Capitão Crewe. Órfã de mãe (que era francesa), a menina de 7 anos (e personalidade de 12, no mínimo), que cresceu rodeada de riqueza e conforto, precisa ser forte e resignada ao ser enviada à uma escola para meninas, em Londres, para concluir sua educação, já que a Índia "não é um lugar propício para crianças". Lá, Sara é entregue aos cuidados de Miss Minchin, a respeitável (porém ambiciosa e fria) responsável pela escola. Cheio de recomendações e cuidados, o pai de Sara deixa claro que nenhuma economia deverá ser feita com a educação e desejos da filha e assim acontece. Miss Minchin, por considerar Sara seu cartão de visitas para a escola, a enche de mimos e luxos e a mesma é tratada como princesa por todos os funcionários e alunas. 


Sara, aos poucos vai construindo uma sólida amizade com algumas das alunas, que em pouco tempo percebem sua grandeza de espírito e boa educação. Sara, sempre amou os livros e tinha o dom de criar e contar histórias, o que chamava a atenção, despertando admiração, amizades e também inveja. Ocorre que um infortúnio se abate sobre a vida de Sara e partir dali ela será desafiada diariamente. Não são as circunstâncias que determinam quem somos, mas a forma como reagimos à elas, e Sara, como ela mesma costumava se declarar, era uma princesa. No dia de seu aniversário, Sara recebe a trágica notícia da morte de seu pai, e a partir daí, sua vida nunca mais será a mesma. Mais do que isso não posso revelar, no entanto, posso dizer que Sara será para sempre uma de minhas heroínas preferidas.


Com inúmeros personagens marcantes, a obra torna-se ainda mais inesquecível, já que alguns deles são tão peculiares que nunca mais sairão da nossa memória, como o ratinho Melquisedeque e Anne, a menina que recebe um capítulo especialmente dedicado à ela, dada sua importância. Uma leitura fácil e fluida, repleta de lições, aventuras e emoção. Recomendo este clássico para crianças de 10 a 100 anos!


"Quando não nos deixamos levar pela raiva, as pessoas percebem que somos mais fortes do que elas, pois conseguimos controlar os nossos sentimentos e elas não, e dizem coisas disparatadas que mais tarde desejavam não ter dito. Não existe nada mais forte do que a cólera, a não ser o que nos faz contê-la. Isso sim é mais forte. É muito boa estratégia não responder aos nossos inimigos." (A Princesinha)

VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: SIMONE TORRES
40. Pedagoga e Teóloga. Leitora compulsiva, cinéfila e amante dos animais. Fazer arte é o que mais amo depois de ler.