sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

RESENHA DO LEITOR: CINCO MINUTOS E A VIUVINHA

SINOPSE: Cinco Minutos e A Viuvinha são clássicos do romance urbano de José de Alencar, essenciais para se compreender o Romantismo no Brasil e o cotidiano no Segundo Império. Ambientados no Rio de Janeiro do século XIX, as histórias são particulares e, ao mesmo tempo, unem-se no final, celebrando a vitória do amor. Descubra nessas duas histórias de amor como um curto período de tempo é capaz de mudar o futuro e quem foi a famosa viúva que dá nome ao romance.



Impressões: Ele era filho do senador José Martiniano de Alencar, ex-padre e vulto de projeção na política liberal. Cearense e cursou Direito em São Paulo, de 1845 até 1850. Após se formar, começou a trabalhar como advogado no Rio de Janeiro, mas sua grande paixão era a literatura. Escreveu poemas e romances, como O Guarani, Iracema, Lucíola, Senhora, O Sertanejo e tantas outras obras da literatura clássica brasileira. Leitores, eu estou falando de José Martiniano de Alencar, mas conhecido como José de Alencar. Hoje, trago um pouquinho das minhas impressões de "Cinco Minutos e "A Viuvinha". Essas são duas novelas distintas de José de Alencar. Que com uma escrita simples e envolvente nos conduz em duas histórias fascinantes. Ambas pertencem ao período romântico brasileiro (onde os aspectos estéticos e os históricos ligaram-se de modo especialmente estreito e original: entre nós, o Romantismo deu expressão à consolidação da Independência, à afirmação de uma nova nação e à busca das raízes históricas míticas de nossa cultura).


Deixando esse detalhe de lado em Cinco Minutos, temos a história de amor entre um personagem fictício, que não tem o seu nome identificado, narrando a sua história de amor por meio de uma carta a sua prima D... Onde ele começa dizendo "sabe que sou o homem menos pontual que há neste mundo; entre os meus imensos defeitos e as minhas poucas qualidades, não conto a pontualidade, essa virtude dos reis e esse mau costume dos ingleses." E por um atrasado de cinco minutos ele perde o seu ônibus tendo que esperar durante uma hora a próxima condução. Ao pegar o próximo ônibus, ao seu lado está uma mulher, com a cabeça coberta por um véu, que o corteja levemente, mas de modo recato. Por quem ele se apaixona mesmo não sabendo se é moça, velha, solteira ou casada. Ao deixar o ônibus ele a perde de vista e não a encontra por dias, mesmo indo ao Andaraí no ônibus das sete horas, indagando todos os passageiros se conheciam a tal moça misteriosa, mas em vão. Como ele diz em sua carta "estava a braços com a paixão, minha prima, e com uma paixão de primeira força e de alta pressão, capaz de fazer vinte milhas por horas. Atrás dessa sombra impalpável, que eu procurava havia quinze longos dias, isto é, um século para um pensamento de um amante." Será que esse personagem tão apaixonado encontrou o amor da vida? Se sim, que empecilhos separavam esses dois amantes? Seria uma narrativa de amor impossível?


Na novela A Viuvinha, a história de amor entre Jorge e Carolina. Um casal jovem, apaixonado que encanta os leitores. Jorge era rico, mas seu pai falece deixando-lhe uma grande fortuna, que poderá ser assumida ao chegar a maioridade, e como tutor o Sr. Almeida. Jorge age de forma imatura, esbanjando e ostentando sua fortuna, contraindo dívidas e esquecendo-se de pagar uma dívida de seu pai. Seu falecido pai poderia perder a honra e seria marcado pejorativamente na sociedade carioca. Na véspera de seu casório, Jorge descobre que está falido e com o sério risco de sujar o nome de seu. Desesperado e sem nenhuma esperança ele decide se casar, mas escondendo da sua futura esposa a sua real condição financeira. E arquitetando junto com o Sr. Almeida um plano para se livrar da angústia de ter enganado sua noiva e ter sujado o nome do seu pai. Um plano que mudará a vida dos personagens, mas principalmente a de Carolina. Deixo vocês descobrirem que plano foi esse e o final dessa narrativa. As duas histórias são distintas, mas respeitam a ordem cronológica dos fatos e é o tempo que define as consequências desses romances. Indico porque são histórias curtas, podendo ser possível lê-las em um dia, com personagens muito bem construídos e profundos e por José de Alencar, nesse romance, ter uma escrita mais leve mesmo mostrando que o amor pode vencer quaisquer obstáculos até mesmo o mais longo tempo. 


VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: Felipe Maranhão
22 anos. Graduando do 6° período de Letras, da Universidade Federal do Tocantins. Pesquisador em Iniciação Científica pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, com ênfase em bilinguismo Krahô. E amante da literatura universal.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

PRIMEIRAS IMPRESSÕES: DE REPENTE... CASADOS

SINOPSE: Na caminhada da vida sempre há muitos desafios, surpresas, tristezas e alegrias. Às vezes, nos deparamos com situações que nos afligem, nos fazem sentir e até mesmo chorar, e é isso o que acontece na vida de Ema Thompson; os altos e baixos. Benjamin Hart é um deus grego, digno de todos os olhares femininos, devido seu porte físico e olhar de gavião fatal. A atração entre ambos é inevitável e por obra do destino, estão casados. O que esperar de um casamento onde apenas ele sabe que existe, e que ela passa a saber de sua existência de repente? Como isso aconteceu? Ela não imagina, mas está pronta para descobrir, mesmo que se apaixone pela pessoa mais inapropriada. Quando Camões disse em seu poema: "amor é fogo que arde sem se ver", não poderia imaginar que, dependendo do fogo, ele poderia sim, além de se ver, queimar, intensificar a chama e explodir em ondas de desejo e sedução.


Olá meus amores! Hoje farei as Primeiras Impressões do livro: De repente... Casados. Ema é uma bela jovem de 21 aninhos, estudante de Psicologia. Atualmente Ema mora sozinha e é a única responsável por manter seus custos, como aluguel e a mensalidade da faculdade. E no momento trabalha como garçonete em uma boate bem animada! Não é o melhor emprego do mundo, ela não gosta e não se sente muito entusiasmada com a atividade, no entanto, garante um bom salário para as suas despesas. Desse modo, ela se esforça para manter no trabalho. Seu pai a expulsou de casa quando ela tinha apenas 17 anos e isso foi feito pois seu pai queria a proteger das maldades de sua tia, irmã gêmea de sua mãe. Teve até uma época em que a tia morou com os dois fingindo ser a irmã. 


No caminho de Ema aparece Ben, Benjamin Hart. Bem diferente da garota o rapaz já possui uma vida muito confortável, herdeiro da empresa da família, as indústrias Hart. Trabalha na empresa com os pais, onde procuram ter o mesmo nível de exigência do que com demais funcionários. Ben, com 29 anos, tem sofrido com a pressão deles para que possa casar e formar uma família. O que seus pais não sabem é que Ben fora traído pela sua ex-noiva o que fez querer aproveitar ao máximo seus relacionamentos com as mulheres, mas de uma forma bem racional e sem nenhum romantismo.


Com essa “desilusão” amorosa Ben quer se envolver com várias mulheres ao mesmo tempo sem se apegar, apenas para se satisfizer sexualmente, sem se apaixonar por ninguém (eu — Greisi — odeio esse tipo de desculpa), mas parece que ao cruzar o caminho de Ema a tendência desse desapego desaparecer. Ema atendeu Ben no bar em que trabalha e a atração dos dois já ficou evidente, embora naquele dia Ben tivesse tido um encontro sexual, mesmo com tantas garotas a sua volta, o rapaz foi para casa pensando na bela garota do bar.


Como trata-se de um livro hot, a linguagem é bastante direta (adulta), então se você não está acostumado ou não gosta desse tipo de história, melhor não ser sua opção de leitura (se podemos evitar problematizações, né!). Me pareceu seguir a linha dos 50 Tons de Cinza, que na verdade, só conheço o filme. Inicialmente uma atração sexual que se transforma em amor? Pode ser! Ótima leitura, até a próxima!


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RESENHA ESCRITA POR: GREISI SILVA

28 anos, administradora e artesã nas horas vagas, apaixonada por leitura e artes, não vivo sem música, poesia e cinema. Descobri que viajar é preciso e comer pipoca é fundamental para se ter boas ideias.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

RESENHA DO LEITOR: CRÔNICA DA CASA ASSASSINADA

SINOPSE: Em 1959, um romance abalava o meio literário brasileiro, inovando tanto na sua estrutura narrativa quanto no aprofundamento ideológico e estilístico. Seu autor, Lúcio Cardoso, um mineiro radicado no Rio de Janeiro, ganhou fama de maldito. O livro, Crônica da casa assassinada, tornou-se um clássico da literatura nacional e agora, 40 anos após o seu lançamento, recebe uma edição comemorativa, resgatando o texto original e com apresentação do crítico literário André Seffrin. Este livro é a história de uma família em franca derrocada social e moral. Uma história que somente é conhecida pelo relato de seus próprios personagens, por meio de cartas, diários, memórias, confissões, depoimentos, e cujos temas centrais são o adultério e o incesto, a loucura e a decadência. Numa linguagem altamente metafórica, monta-se um esquema estruturalmente complexo, no qual verdade e mentira chegam aos limites do paroxismo. Em 1971, Crônica da casa assassinada foi adaptado para o cinema por Paulo César Saraceni, que também filmou Porto das Caixas (1961), baseado em outra história de Lúcio e no romance inacabado O viajante (1998).


"Que é o para sempre senão o existir contínuo e líquido de tudo aquilo que é liberto da contingência, que se transforma, evolui e deságua sem cessar em praias de sensações também mutáveis." 

Ainda em choque com esse livro! Emocionante e surpreendente, repleto de drama, tragédias e revelações inimagináveis. Lançada pela Editora Nova Fronteira, a obra foi escolhida para iniciar a publicação de todos os livros de Lúcio Cardoso, escritor mineiro. O romance foi publicado originalmente em 1973 e acompanha a derrocada da família Meneses, a qual faz parte da aristocracia mineira, cuja reputação, antes inabalável, agora padece de tristes e dramáticos episódios, cada vez mais frequentes, além da falência financeira. Na chácara dos Meneses, onde tudo acontece, cada paisagem, jardim, paredes, tem a alma de seus habitantes e em seus habitantes vive cada pedaço de terra e cimento daquele lugar. Um drama psicológico, onde cada personagem guarda em si segredos e emoções perigosas, que ferem a moral e os costumes da época, assim como deixam perplexo o leitor com a possibilidade de um romance incestuoso. É através de cartas, confissões e diários das personagens que conhecemos a história dos Meneses e de Nina (a protagonista).



Os irmãos Meneses (Demétrio, Timóteo e Valdo), Nina, André, Betty, Ana, Alberto, assim como o farmacêutico, o médico e o Pároco da cidade, formam o elenco de uma trama repleta de questões morais, preconceitos sociais, relacionamentos problemáticos e inusitados, inveja e paixões secretas. Cada capítulo traz a narrativa de uma personagem, seu ponto de vista, aspirações e sentimentos acerca de acontecimentos e pessoas da família. Nina, que vive no Rio de Janeiro, casa-se com Valdo e com ele vai morar na chácara dos Meneses, no sul de Minas. De espírito livre e costumes peculiares, Nina não acostuma-se a quietude e monotonia do lugar. Além disso, não é aceita por Demétrio, irmão mais velho e guardião da reputação e moral dos Meneses. Com Timóteo, ao contrário, Nina trava uma bela amizade, haja vista que este, também de espírito livre e declaradamente homossexual, encontra nela uma aliada, capaz de compreendê-lo e ajudá-lo a levar uma vida menos angustiante, já que vive preso em seu quarto.


Nina, talvez por tédio, talvez por amor, inicia um romance com o jardineiro Alberto, e a partir daí, uma sequência de acontecimentos provoca na família separações, tentativas de suicídio e outras tragédias. Mas calma, antes de rotularmos Nina como "traidora" e "vilã", é necessário que se leve em consideração as ações de Ana, esposa de Demétrio, figura intrigante, movida pela inveja e despeito por Nina, capaz das atitudes mais vis. Ana, assim como Nina, apaixona-se por Alberto, mas não sendo correspondida mergulha num estado depressivo, capaz de transformá-la profundamente, a ponto de torná-la irreconhecível. Após descobrir-se grávida, Nina decide partir para o Rio de Janeiro, deixando para trás marido e amante, o que provoca terríveis consequências. Ana, apesar de satisfeita com a partida de Nina, decide ir atrás desta, afim de trazer consigo a criança que Nina espera, herdeira dos Meneses, para que seja criada pela família. Após meses, retorna com o filho de Nina, ao qual dão o nome de André. Anos depois, Nina decide retornar à chácara e encontra pela primeira vez seu filho André, agora rapaz formado. No mais, tudo parece igual, a casa, os jardins e principalmente os habitantes do lugar. A partir desse encontro há uma transformação nas relações e a família nunca mais será a mesma.


O livro inicia-se pelo capítulo final do diário de André. Somente a partir dos capítulos seguintes é que se começa realmente a entender a trama e todos os seus enlaces, dramas e tragédias. Esta é uma obra forte, impactante, um soco no estômago dos leitores mais sensíveis. A escrita é um detalhe à parte, repleta de poesia, sentimento e calor. Até o último capítulo e principalmente nele, temos revelações chocantes, capazes de mudar nossa opinião sobre certas personagens e mudar também o rumo da história da família. Um ambiente sufocante, angustiante e perturbador. A chácara dos Meneses é quase uma entidade viva, impregnada dos sentimentos e energias irradiados por seus moradores. Por favor, leiam!


VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: SIMONE TORRES
40. Pedagoga e Teóloga. Leitora compulsiva, cinéfila e amante dos animais. Fazer arte é o que mais amo depois de ler.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

RESENHA DO LEITOR: O MERCADOR DE SONHOS

SINOPSE: Ollie é um porco maltratado por todos, mas ao sonhar com o Mercador de Sonhos, ele descobre dentro de si o poder de mudar o seu mundo.



Ele é apenas um porquinho com sonhos para a vida, mas com muitos pensamentos ruins sobre tudo, inclusive ódio por aqueles que o humilham e o menosprezam na escola. Esse conto vai nos trazer uma experiência de como nossos pensamentos diários moldam nosso futuro e como esse futuro pode não ser do jeito que esperávamos. O autor nos leva junto com o protagonista a uma viagem, que podemos dizer, astral, até o Mercador de Sonhos – este possui uma aparência um tanto quanto inóspita, se parecendo com uma enorme vespa – aonde vamos nos encontrar em uma pequena lojinha de doces, sendo um doce, um sonho e como preço, uma lembrança que será totalmente esquecida (Off: Nesta parte lembrei do último filme do Shrek, em que para realizar um pedido, ele assina um contrato em que o preço do pedido seria um momento de sua vida, considerado para ele inútil, que seria esquecido para sempre, coisa o autor reforça bastante neste conto).


O protagonista vai passar por quatro sonhos, quatro vidas futuras que ele provavelmente deseja para si, mas com um olhar simples e questionador de uma criança, vai perguntar a si mesmo e ao Mercador de Sonhos, o porquê desejaria ter cada uma daquelas vidas e o porquê de merecê-las, até a última etapa, a qual até para nós leitores será difícil de processar. É um conto curto, mas que vale a pena a imersão nesse mundo de pensamentos e a reflexão sobre como pensamos sobre o mundo, os outros e sobre nós mesmos, e como isso, de uma forma bem clara e breve, afeta nossas ações do presente e afetará nosso futuro.


“[...] verdades, mentiras e ilusões são a mesma coisa. Aqui tudo são estórias, e todas as estórias são reais.”

VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: KAROLINA V. S. MELO (Karol Melo)
22 anos, mora atualmente no interior do Paraná. Depois que descobriu o mundo da ficção se tornou uma leitora compulsiva. Ama músicas que a inspirem, e séries de suspense policial, mas não nega um romance clichê. É escritora no blog Verdades e Poesias e sonha em publicar um livro para chamar de seu.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

RESENHA DO LEITOR: NA MINHA PELE

SINOPSE: Movido pelo desejo de viver num mundo em que a pluralidade cultural, racial, étnica e social seja vista como um valor positivo, e não uma ameaça, Lázaro Ramos divide com o leitor suas reflexões sobre temas como ações afirmativas, gênero, família, empoderamento, afetividade e discriminação. Ainda que não seja uma biografia, em Na minha pele Lázaro compartilha episódios íntimos de sua vida e também suas dúvidas, descobertas e conquistas. Ao rejeitar qualquer tipo de segregação ou radicalismos, Lázaro nos fala da importância do diálogo. Não se pode abraçar a diferença pela diferença, mas lutar pela sua aceitação num mundo ainda tão cheio de preconceitos. Um livro sincero e revelador, que propõe uma mudança de conduta e nos convoca a ser mais vigilantes e atentos ao outro.


Olá! Hoje a resenha vai ser de uma maravilha chamada: Na Minha Pele de Lázaro Ramos. Vamos lá! Faz tempo que adquiri o livro, mas não estava conseguindo ler. Enfim esse dia chegou e o devorei. Agora estou triste porque acabou. Por favor, aguardo uma sequência desses pensamentos e inquietações. Isso também me aflige (nos aflige!). Leitura dinâmica, fácil entendimento e com grandes referências. Lázaro te convida como ele mesmo diz pra essa viagem e você realmente se sente companheiro nessa “aventura” e como eu disse acima às inquietações que a vida nos trás.


Se você for negro, já te aviso que terá momentos de muita emoção, lembranças dolorosas, algumas poderão até ser engraçadas – afinal muitas coisas já foram “superadas” no nosso processo de afirmação (comunidade negra) neste mundo. E mesmo em meio a essa dor, em muitas partes você estará lendo com aquele sorriso de concordância. Este livro é uma verdadeira roda gigante que seu coração será posto aqui, viu! E, se você for uma pessoa não negra, espero que receba uma boa chacoalhada da vida e que pense sobre certas atitudes feitas “sem querer”, ou de forma “inconsciente”. Ah, mas eu trato todo mundo igual, às vezes podem não ser do modo que você imagina! Faça a leitura com carinho e atenção e reflita sobre quando fulano se “vitimiza” ou ciclano reclama de tudo e por aí vai!


Lázaro conta sobre sua carreira e suas experiências, não é uma biografia, embora tenha muitas passagens sobre sua infância e seus primeiros passos no palco, chegando nos dias atuais, já com sua carreira consolidada, e todo esse ciclo é muito interessante. Todas as narrativas e citações são muito pertinentes a leitura que é proposta. Seu relacionamento com os filhos (junto com sua esposa, Taís Araujo, o seu casamento não é citado muitas vezes porque não é o foco, mas claro que há uma citação ou outra porque trata-se dos relatos de sua vida onde seu casamento e filhos fazem parte), em como tentar prepará-los para conseguir conviver com tantos absurdos no nosso cotidiano. O livro contém quase 150 páginas e a linguagem é de fácil entendimento, além de ser muito engraçado. Vale a pena acompanhar as reflexões de uma pessoa que além de ser um ótimo ator parece ser um ser humano incrível (sim, sou fã!!!!). Para conhecer o lado apresentador do Lázaro, ele apresenta o programa Espelho no Canal Brasil às segundas-feiras. Beijos até a próxima!



VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: GREISI SILVA
28 anos, administradora e artesã nas horas vagas, apaixonada por leitura e artes, não vivo sem música, poesia e cinema. Descobri que viajar é preciso e comer pipoca é fundamental para se ter boas ideias.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

ENTREVISTA COM PEDRO PILATI, AUTOR DE AS TRÊS MELANCIAS


SINOPSE: Até onde você iria para alcançar o Extraordinário? Três melancias mágicas surgem como o sinal de um milagre para os irmãos Raul, Romildo e Ronaldo. Crentes nas palavras do pai, os rapazes partem em uma jornada sem destino certo com o objetivo de mudar a dura realidade em que vivem. Porém, a missão de quebrar o feitiço que tomara conta do vilarejo exige muito mais que boa vontade. Em sua busca, os jovens terão de enfrentar perigos imprevistos e vencer as próprias fraquezas, além de encontrar as respostas para o mistério em que estão envolvidos. As Três Melancias é uma fábula sobre fé, esperança e coragem - com um toque irresistível de magia.





Como surgiu a ideia de escrever "As Três Melancias"?
O livro surgiu de uma memória afetiva que remete a experiências bastante marcantes da minha infância. Cresci ouvindo as histórias contadas e recontadas por minhas tias-avós, que são citadas na dedicatória do livro, e o conto que permaneceu sempre vivo em minhas lembranças foi o das melancias mágicas. Depois de publicar meu primeiro romance (“Sua Alteza”, em 2014), senti como uma missão pessoal resgatar essa fábula tão especial e recriá-la à minha maneira, bastante diferente das outras versões que descobri por meio de pesquisas. Em última análise, trata-se de uma história sobre esperança, sendo esse o aspecto que busquei aprofundar nessa adaptação.

Quanto tempo demorou para a história ficar pronta?

Sem contar a fase de concepção e as edições que o texto sofreu até chegar à versão final, posso dizer que o livro levou de uma a duas semanas - cheias de inspiração - para ser escrito. Depois disso, o texto foi submetido a um processo de análise crítica e percorreu um caminho tortuoso até ser publicado em 2017 pela Constelação Editorial, cujo trabalho excedeu todas as minhas expectativas.

O que o leitor pode esperar de "As Três Melancias"?  
A julgar pela capa e pela sinopse, “As Três Melancias” pode parecer uma fábula tradicional, mas a verdade é que o livro oferece um pouquinho de tudo ao leitor: drama, aventura, fantasia e até mesmo pitadas de romance. Não se trata de uma obra voltada exclusivamente para as crianças e pré-adolescentes; creio que leitores de todas as idades podem aproveitar o livro em diferentes níveis, sob diversos pontos de vista. Meu objetivo ao escrever foi tocar em diferentes pontos da sensibilidade do leitor, desde as cenas de ação até os momentos mais profundos da narrativa.

Qual autor ou autora é seu preferido? Eles de alguma maneira te inspiraram a escrever?
Confesso que eu temia essa pergunta, porque os autores que gosto são tantos que certamente esqueceria alguns nomes. Daqueles que eu já tive oportunidade de ler, gosto bastante de Stephen King, Sara Shepard, Meg Cabot, Oscar Wilde, Lygia Fagundes Telles, Clarice Lispector… apenas para citar alguns. São bem diferentes entre si, numa variedade de gêneros que vai da literatura infanto-juvenil ao terror, e tenho certeza de que cada um deles contribui de modo particular em minhas produções. Também me considero um escritor eclético, pois gosto de experimentar novos gêneros e linguagens, o que se deve, certamente, a todas as experiências que já tive como leitor.

Se "As Três Melancias" pudesse ter uma trilha sonora qual música você escolheria?
Pela atmosfera de mistério que a história tem, talvez alguma coisa entre Enya e Lana Del Rey seria uma boa escolha. Mas nunca cheguei a pensar nisso, para ser sincero.

Qual personagem de "As Três Melancias" você mais se identifica? E por quê?
Não sei dizer se me identifico com um personagem mais do que outro - acredito que existam partes de mim diluídas em cada um deles -, mas, se eu tivesse que responder aquele que mais me inspira, definitivamente seria o Raul. Além de ser o protagonista da história, talvez seja ele o personagem que mais se aproxime de uma pessoa de carne e osso: ele não dispõe da força física de um super-herói ou de uma coragem inabalável, no entanto, é o apego de Raul a uma esperança quase invisível que faz nascer, nele, a vontade de mudança. Dessa forma, nosso herói se vê conduzido por uma jornada cheia de incertezas, sem imaginar os perigos que o aguardam no decorrer do caminho - basicamente o que acontece com muitos de nós, se não todos, na aventura da vida.

Deixe uma mensagem para nossos leitores:
Em primeiro lugar, quero agradecer imensamente por esta oportunidade de falar sobre meu trabalho. Fiquei muito feliz com o convite e desejo todo o sucesso do mundo ao Vitamina Livros! Em segundo lugar, deixo meu agradecimento aos leitores pelo prestígio. Convido todos a conhecer essa pequena aventura que se encontra nas páginas de “As Três Melancias”; espero que a leitura dessa história possa cumprir bem sua missão, que é plantar, no coração dos leitores, a semente da esperança e da fé no futuro.

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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

RESENHA DO LEITOR: CREPÚSCULO DOS ÍDOLOS

SINOPSE: Crepúsculo dos ídolos foi a penúltima obra de Nietzsche, escrita e impressa em 1888, pouco antes de o filósofo perder a razão. O próprio Nietzsche a caracterizou - numa das cartas acrescentadas em apêndice a esta edição - como um aperitivo, destinado a 'abrir o apetite' dos leitores para a sua filosofia. Trata-se de uma síntese e introdução a toda a sua obra, e ao mesmo tempo uma 'declaração de guerra'. É com espírito guerreiro que ele se lança contra os 'ídolos', as ilusões antigas e novas do Ocidente; a moral cristã, os grandes equívocos da filosofia, as ideias e tendências modernas e seus representantes. De tão variados e abrangentes, esses ataques compõem um mosaico dos temas e atitudes do autor - o perspectivismo, o 'aristocratismo', o realismo ante a sexualidade, o materialismo, a abordagem psicológica de artistas e pensadores, o antigermanismo, a misoginia. O título é uma paródia do título de uma ópera de Wagner, 'Crepúsculo dos deuses'. No subtítulo, a palavra 'martelo' deve ser entendida como marreta, para destroçar os ídolos, e também como diapasão, para, ao tocar as estátuas dos ídolos, comprovar que são ocos.


Termino a leitura deste livro com uma sensação de estranhamento. Claro, não é para menos! Nietzsche consegue “desconstruir” a imagem ideal que até hoje eu tinha de grandes nomes da história. Não que eu seja influenciável, longe disso, mas não há como deixar de ver certos aspectos, depois que os mesmos são mencionados. Em Crepúsculo dos Ídolos, como o próprio escritor deixa claro, é necessário “destruir para construir”. Uma de suas últimas obras escritas antes de perder a sanidade mental (1888) e o último livro a ver publicado em vida. Ao longo da obra, Nietzsche dedica-se a aniquilar e revelar tudo que julga falso e mítico em relação aos grandes nomes da história, filosofia, o próprio sistema educacional da época, além, é claro, da metafísica e religiões.


Suas ideias radicais deram origem a muitos dos pilares do pensamento moderno. Esse é Nietzsche: Radical, polêmico, inovador e profundamente consciente da necessidade de se buscar as verdades escondidas de nossa sociedade. Confesso que a leitura deste livro não foi fácil. Em alguns pontos tive que parar, refletir, reler, até conseguir “apreender” a ideia transmitida. Mas valeu a pena! Termino RECOMENDANDO a obra, que certamente enriquecerá qualquer um que se proponha a viajar pacientemente em suas páginas.


“Os homens mais espirituais, supondo que sejam os mais corajosos, também vivem, de longe, as tragédias mais dolorosas: mas justamente por isso eles honram a vida, por lhes oferecer a sua maior oposição.” (Nietzsche)


VITAMINAS:



RESENHA ESCRITA POR: SIMONE TORRES
40. Pedagoga e Teóloga. Leitora compulsiva, cinéfila e amante dos animais. Fazer arte é o que mais amo depois de ler.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

RESENHA DO LEITOR: IRACEMA

SINOPSE: Este romance conta a história de amor entre uma índia tabajara, a virgem dos lábios de mel, e o primeiro colonizador português do Ceará. Além de mostrar a realidade brasileira daquele momento por meio da linguagem, o autor se aproveitou de fatos históricos, como a disputa entre os índios tabajaras e pitiguaras pela região onde se passa o romance e utilizou personagens reais, como Martim Soares e o índio Poti, acrescentando lirismo próprios da poesia romântica para caracterizar um dos romances mais apreciados da nossa literatura.


Impressões Pessoais: Olá, caros leitores do Vitaminas de Livros! Hoje, compartilharei com vocês minhas impressões de leitura sobre o tão temido clássico Iracema, de José de Alencar. Antes de mais nada, vale destacarmos que José de Alencar é o mais importante escritor romântico brasileiro, não só por ter produzido em várias tendências do Romantismo, como também pela relevância de sua obra na configuração da nossa literatura. Como eu costumo dizer, ele tratou dos diversos Brasis que existem dentro do Brasil, fez isso por meio de seus romances históricos, indianistas, urbanos e regionalistas. Como sabemos o Romantismo predominou no Brasil durante o Segundo Reinado, com isso os escritores necessitavam buscar um espaço e um tempo histórico em que se pudessem ver as origens do povo brasileiro. Era também o momento em que o país, tornado independente havia pouco tempo, precisava definir uma identidade, a face que o mostraria ao mundo. Sendo o primeiro habitante do Brasil, o indígena passou a representar a utopia de um ser integrado à natureza local, homem puro, não corrompido pela sociedade. Tornou-se, então, o símbolo da identidade nacional.


Em Iracema, é interessante como o autor introduz, no universo da ficção, um repertório linguístico e cultural dos povos nativos totalmente novo para a época. Na obra o português mistura-se ao tupi, na tentativa de criar uma nova forma de expressão como um dos pilares da brasilidade. Ao fundir as duas linguagens, Alencar mescla duas visões de mundo, a do branco e a do indígena. Assim muitos dos romances de Alencar ajudaram a ampliar o repertório linguístico nacional ao introduzir novas palavras e expressões desconhecidas provenientes de regiões distantes daquelas habitadas por aldeias. Ou seja, ele tenta representar a língua e o caráter indígenas para o leitor entender a lenda do Ceará como se a história tivesse saído da boca de um índio brasileiro. Como mostrado na sinopse, Iracema, é a trágica história da índia apaixonada pelo guerreiro branco. Sua personagem principal é apresentada por um narrador que a retrata como o mais belo elemento da natureza brasileira. Impossível, portanto, de não ser admirada. Já que teremos um romance entre Iracema e o guerreiro branco Martim Soares, amigo dos pitiguaras, habitantes do litoral, e inimigos dos tabajaras, povo à qual a jovem indígena pertence. 


E José de Alencar construiu em Iracema uma parábola perfeita do processo de conquista do Brasil e de toda a América Latina pelos colonizadores europeus. A começar pelos nomes dos protagonistas: Iracema, que nada mais é do que um anagrama da palavra América, e Martim, que remete ao deus romano Marte, o deus da guerra e da destruição. Sempre incentivo à leitura dessa obra que é um clássico da literatura brasileira, desde 1865, porque na busca por uma representação da nossa identidade nacional, Alencar criou, por meio de Iracema, uma representante do indígena corajoso, guerreiro, lutador e herói brasileiro. A melhor descrição das origens brasileiras. Portanto, espero tê-los motivado a conhecer esta obra tão rica da nossa literatura brasileira, que precisa tanto ser mais valorizada por nós leitores já que ela possui uma enorme carga de riquezas históricas e culturais. 


VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: Felipe Maranhão
22 anos. Graduando do 6° período de Letras, da Universidade Federal do Tocantins. Pesquisador em Iniciação Científica pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, com ênfase em bilinguismo Krahô. E amante da literatura universal.