terça-feira, 26 de julho de 2016

RESENHA: EU SOU O NÚMERO QUATRO

SINOPSE: Nove de nós vieram para cá. Somos parecidos com vocês. Falamos como vocês. Vivemos entre vocês. Mas não somos vocês. Temos poderes com os quais vocês só podem sonhar. Somos mais fortes e mais rápidos que qualquer coisa que já viram. Somos os super-heróis que vocês idolatram nos filmes — mas somos reais. O planeta Lorien foi destruído. Os habitantes foram dizimados, exceto nove crianças e seus Guardiões, que se exilaram na Terra. Mas a raça que devastou aquele planeta os seguiu. Os Nove estão sendo caçados. A guerra deles chegou à Terra, e aqui será decidida.


O livro narra a história de um alien chamado Quatro que é um dos nove aliens que vieram para Terra depois de seu planeta Lorien ser destruído pelos temidos Mogadorianos. Os nove aliens são chamados de Gardes e eles desenvolvem Legados, ou seja, poderes. Cada um deles foi mandado a Terra com um Cêpan, que é um Guardião. Ao deixarem seu planeta, um feitiço foi lançado para protegê-los dos Mogadorianos e eles só podem ser mortos na ordem crescente de seus números e eles foram espalhados pela Terra. Cada vez que um Garde morre, os outros recebem uma cicatriz no tornozelo, a cicatriz é o mesmo símbolo de seus cordões. Logo, o livro se chama Eu sou o número Quatro porque os outros três foram mortos e ele é próximo da lista. Toda vez que um dos Garde morre, ou quando acontece de Quatro se expor demais, ele e seu Cêpan mudam de cidade e consecutivamente de identidade, apenas seu Guardião (ou Cêpan, como preferir.) mantém o nome, Henri. Dessa vez Quatro e Henri vão para Paradise - Ohio, uma cidadezinha com um pouco mais de 5.000 habitantes e dessa vez o seu nome é John Smith. Eles levam em suas mudanças uma arca, que Quadro até então não sabe o que há dentro. Na escola, John conhece Sara uma ex-líder de torcida, que segundo ele é a garota mais linda que já viu em toda sua vida. Ele também conhece Mark e Sam. Mark é o típico valentão e ex-namorado de Sarah, que obviamente não gosta nadinha do novato. Completamente diferente de Mark, Sam, é um garoto nerd e obcecado por alienígenas, que com o tempo vira o melhor amigo de nosso protagonista.



Apesar dessa história escolar parecer clichê, o livro é muito bom! É um tecnicamente bem feito. Repleto de reviravoltas, surpresas, ação, aventura, humor, romance. São 7 livros e estou sempre me surpreendendo com a história e cada vez fica mais interessante. A narrativa é feita em primeira pessoa, ou seja, Quatro narra a história que está acontecendo. Nos demais livros cada um dos Gardes tem seu momento de narrador e até a fonte usada eles trocam para ficar claro que é outro personagem narrando e com o tempo passamos a reconhecer as fontes e já sabemos quem vai narrar aquele capítulo. Quando estava lendo o livro soube que teria o filme e fiquei muito entusiasmado, mas o filme deixou a desejar em algumas coisas. Para quem não leu o livro e viu o filme, gostou do filme, mas para quem leu o livro e viu o filme, ficamos um pouco desapontados e esperávamos um pouco mais. Mas vamos entender isso melhor.


Já adianto que uma das maiores diferenças entre o livro e o filme é que o filme abandona um dos gêneros ao qual o livro pertence. Se o filme é um filme de ação/aventura com toques de ficção científica e romance adolescente, o livro tem além desses pontos, o gênero fantasia embutido. Se no filme a explicação para os poderes da Garde é simplesmente ser extraterrestre, no livro a explicação é: eles são extraterrestres e de Lorien, porque lá existe magia. Não mágica ou ilusionismo, mas magia. Que é a fonte dos poderes Legados. E toda essa parte de magia/fantasia foi retirada do filme. No filme, não tem explicação ou ela é implícita, a de que as crianças seriam meros números, sem nomes. No livro, a explicação é que, ao saírem de Lorien, para proteger as crianças, um Ancião lançou um feitiço nelas: a de que elas só poderiam ser mortas ou machucadas numa ordem pré-estabelecida, a não ser que elas ficassem juntas num mesmo ambiente. Ou seja, não só explica o número, mas também porque o número quatro é a quarta criança a ser perseguida.


No livro o drama adolescente é intercalado com a questão do surgimento dos poderes Legados, o treinamento para aperfeiçoá-los e a história de Lorien, aspectos que foram cortados no filme. Com um ritmo rápido, o filme Eu Sou o Número Quatro acaba não explorando a amizade de Sam e John a contento, por exemplo, nem a relação paternal entre John e Henri. Pelo contrário, o retrataram de uma forma nada legal, nem simpática como no livro, deixaram ele chato e autoritário demais. No livro Eu Sou o Número Quatro a ameaça mogadoriana é boa parte do tempo apenas uma ideia. A ameaça se torna mais concreta apenas no final, principalmente pelo inimigo ser mais poderoso do que até então se imaginava. No filme é quase o oposto: a ameaça mogadoriana se mostra sempre presente, em diversas cenas que mostram os mogadorianos no encalço do número 4. Só que no final, os mogadorianos são vencidos até facilmente pelos lorienos.


Eu Sou o Número Quatro, o filme, é uma diversão bacana. Sim, tem várias pontas soltas e coisas mal explicadas, mas que são explicadas no livro: a arca loriena que Henri carrega, a passagem da feira municipal com o trem fantasma também é bem inferior no filme, as coisas não aconteceram nos mesmos lugares que no livro, exemplo quando o Quatro encontra Sarah e B Kosar (cachorro do John), o cabelo da Sarah, que sempre estava preso no livro e no filme ele aparece solto. E tem uma coisa que não acontece no livro: a Pedra (quem viu o filme sabe do que eu estou falando), as bestas não entram na escola e não é Mark que está na escola com eles e sim, Sam. O ponto é que apesar disso, o filme tem bastante ação e bons efeitos especiais. Outra coisa é que o Sam não é nada parecido com o do livro e também não usa óculos. A Número Seis é também é diferente fisicamente falando, ela não é loira, fica loira no segundo livro rs. Mas apesar disso, amo todos os atores que fizeram o filme e acredito que foi uma escolha de elenco acertada.


Havia uma grande expectativa quanto ao lançamento de Eu Sou o Número 4 junto à indústria e a imprensa cinematográfica em Hollywood. Afinal, era a adaptação de um best seller de imenso sucesso com o público jovem, o livro ficou sete semanas em primeiro lugar e outras dezoito entre os mais lidos no Ranking do The New York Times. Steven Spielberg adquiriu os direitos de adaptação cinematográfica quando a história ainda era um manuscrito e convidou Michael Bay para dirigir a produção orçada em US$ 60 milhões. Bay aceitou, mas teve de passar a direção para J. D. Caruso quando se iniciaram as filmagens de Transformers – O lado oculto da lua, ficando apenas com o posto de produtor. A Dreamworks tocou o projeto. O filme foi vendido como o “Crepúsculo para meninos”, mas teve uma arrecadação pífia nas bilheterias. O que deu errado no filme? Acredito que além do marketing do filme, foi a adaptação do livro para o roteiro. Spielberg entregou esse trabalho para a dupla Alfred Gouch e Miles Millar, roteiristas da série Smallville, a qual conta a história da infância e adolescência do Super Homem. Aparentemente, a adaptação para roteiristas especialistas no tratamento de temática adolescente e para o público jovem. Mas, eles se enrolaram com um livro longo, de 353 páginas, dezenas de acontecimentos e situações em cadeia, os quais caberiam em dois filmes – e não em um com a duração de uma hora e 45 minutos. O resultado para quem leu o livro foi uma correria maluca para condensar os acontecimentos numa narrativa que atropela o entendimento da história.

Uma curiosidade é que Pittacus Lore, o autor, não existe. E não foi escrito por uma, mas por duas pessoas. E de forma no mínimo curiosa. James Frey, autor de Um Milhão de Pedacinhos (Editora Objetiva) escreveu artigo para o The New York Times declarando que pagaria uma boa grana para quem se dispusesse a escrever e dividir com ele a autoria de seu novo livro, Eu Sou o Número 4, o qual pretendia transformar numa série de seis volumes intitulada Os Legados de Lorien. O escolhido por Frey foi Jobie Hughes, um jovem recém-formado em literatura.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente com o Facebook: