quinta-feira, 28 de julho de 2016

RESENHA: STARTERS

SINOPSE: Seu mundo mudou para sempre. Callie perdeu os pais quando as guerras de Esporos varreu todas as pessoas entre 20 e 60 anos. Ela e seu irmão mais novo, Tyler, estão se virando, vivendo como desabrigados com seu amigo Michael e lutando contra rebeldes que os matariam por uma bolacha. A única esperança de Callie é Prime Destinations, um lugar perturbado em Berverly Hills que abriga uma misteriosa figura conhecida como o Velho. Ele aluga adolescentes para alugar seus corpos aos Terminais — idosos que desejam ser jovens novamente. Callie, desesperada pelo dinheiro que os ajudará a sobreviver concorda em ser uma doadora. Mas o neuro chip que colocam em Callie está com defeito e ela acorda na vida de sua locadora, morando em uma mansão, dirigindo seus carros e saindo com o neto de um senador. Parece quase um conto de fadas, até Callie descobrir que sua locatária pretende fazer mais do que se divertir — e que os planos de Prime Destinations são tão diabólicos que Callie nunca podia ter imaginado.


Como todo distópico, Starters inicia-se apresentando um ambiente degradado e hostil. Guerras assolaram nosso planeta, culminando em uma desastrosa guerra biológica. Todas as crianças – chamadas na série de Starters – e idosos – chamados de Enders – receberam as vacinas a tempo, mas todos os adultos acabaram morrendo quando bombas de esporos foram jogadas contra seus lares. O caos completo só não reinou graças aos avanços tecnológicos que permitiram os Enders uma sobrevida com saúde. Os idosos tiveram que voltar ou permanecer no mercado de trabalho, gerenciando e cuidando da organização da sociedade. As crianças e adolescentes que tinham avós, não tiveram muitos problemas. Apesar de perder os pais, puderam contar com o cuidado e proteção de seus avós. Mas as crianças que não tinham idosos na família, não havia ninguém para assegurar seu bem estar. Diversas crianças sem um parente que se responsabilizasse por eles foram postas para trabalhar – praticamente trabalho escravo – e outras tantas tornaram-se crianças de ruas, sobrevivendo como mendigos. E esse é o caso dos irmãos Callie e Tyler, que vivem em prédios abandonados e que precisam lutar diariamente para sobreviver. O pior é que Tyler está doente e Callie não tem condições de proporcionar um tratamento adequado ao irmão caçula. No seu desespero ela se agarra a uma chance que se bem sucedida proporcionará segurança aos dois, se não, pode significar a perda total do controle de sua vida. Callie é uma adolescente que fará qualquer coisa para salvar o irmão. Nesse momento ela precisará decidir se vai entrar para o programa da Prime Destinations. A Prime é uma empresa que faz “locação de corpos”. Parece bizarro, mas me pareceu uma possibilidade excêntrica, mas plausível. O Ender que quisesse ter uma experiência em um corpo jovem de adolescente se dirigia a Prime, que conectava a mente do Ender a um adolescente. E é isso que Callie está cogitando se submeter. Se ela aceitar o “emprego”, em contrapartida a uma grande quantia de dinheiro que poderá salvar seu irmão, ela deverá “emprestar” o seu corpo a três Enders que quiserem alugá-lo. Enquanto o Ender usar seu corpo, a mente de Callie ficará suspensa, será como se ela estivesse dormindo enquanto o Ender usa seu corpo como achar melhor. Evolução tecnológica, guerras sem fim e um governo autocrático com véu de democracia, esse é o universo de Starters.

O livro me chamou atenção pela capa perfeita e pela frase “Fãs de Jogos Vorazes vão adorar”. Comecei a ler, gostei da história, fui me envolvendo e no final o saldo é positivo, mesmo não sendo um dos mais originais do gênero. Tem aqueles ingredientes que as sagas tens distópicas aborda: uma heroína que faz sacrifícios por quem ama, triângulos amorosos, personagem amigo da heroína que morre, etc. Mas mesmo assim, eu gostei do livro. E no final a autora me surpreendeu. O segredo por trás do fato estranho de Callie ter acordado em seu corpo, sendo que deveria estar "dormindo" enquanto uma Ender, chamada Helena, alugava seu corpo, começa a se moldar. Como se não bastasse, uma estranha Voz surge em sua cabeça, fazendo a garota começar perceber que nada do que a Prime Destinations faz é tão inofensivo quanto aparenta ser. 


O Velho é um dos grandes mistérios do livro. Quem ele é e o que quer? Por que está por trás de uma organização como a Prime Destinations, usando corpos de jovens inocentes para ganhar dinheiro ou talvez mais que isso? Gostei do personagem como vilão.  Callie foi uma boa personagem e cumpre seu papel. Apesar de ter me decepcionado um pouco quando a garota acorda em seu corpo novamente, depois de Helena ter assinado seu aluguel e acordar em uma mansão, cheia de dinheiro, recursos e por alguns momentos se esquecer de seus objetivos. Afinal nem parecia que ela havia vivido tanto tempo nas ruas, dormindo em um chão duro e vivendo de sobras. Não que a garota não pensasse no irmão Tyler, ou em seu amigo Michael e em como eles estavam sobrevivendo sem ela. Mas ela tinha lapsos. Entende-se ela se sentir deslumbrada em alguns momentos com toda a opulência ao seu redor, mas em alguns momentos ela falhou como heroína. Um destes momentos é quando duvida da Voz em sua mente, que se revela ser Helena. Ela duvida das teorias da Ender sobre a Prime Destinations, apesar de tudo estar bem embaixo do seu nariz e tudo acaba virando uma grande tragédia. Mas ela é forte e determinada e quando se dá conta do que realmente está acontecendo ao seu redor, sua coragem toma grandes proporções. Tyler e Michael são sua família no pós-guerra, eles não aparecem muito no decorrer da trama. Mas tem alguma importância para a história. Tyler é frágil e sofre de uma doença pulmonar grave, mas sua doçura e modo de encarar a vida são encantadores, assim como sua coragem para um garoto que tem apenas 7 anos de idade. Michael por sua vez é o caso de amor mal resolvido de Callie, que não chove e não molha e fica por isso mesmo. Também há Blake, um jovem rico de 16 anos, filho de um senador importantíssimo que está concorrendo à eleição. Ele garantirá romance para Callie, um alívio em meio a tanta dor, e muitas surpresas. Helena, a inquilina do corpo de Callie é uma personagem de suma importância para a trama. É ela que move Callie a questionar o que nem imaginava. É ela que a faz enxergar o que há por trás de diversos acontecimentos e que a faz ver que precisa lutar muito mais do que tem lutado, não somente pela sua vida, mas pela vida de tantos outros.


Na distopia criada por Lissa Price uma coisa que me intrigou foi a tal da Guerra dos Esporos. Não pela guerra em si ou pelo fato de ela ter acontecido ou não, mas pelo fato da autora não dar muita explicação sobre ela, mais sobre o efeito do que sobre sua causa. O livro chegou a me lembrar também "A Hospedeira", em certos momentos há uma dinâmica bem parecida com a que havia entre Mel e Peg, o que foi interessante. O final é de arrepiar e nos deixa ávidos para ler a continuação.

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