quarta-feira, 10 de agosto de 2016

DIVERGENTE: DIFERENÇAS ENTRE O LIVRO E O FILME

SINOPSE: Numa Chicago futurista, a sociedade se divide em cinco facções – Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição – e não pertencer a nenhuma facção é como ser invisível. Beatrice cresceu na Abnegação, mas o teste de aptidão por que passam todos os jovens aos 16 anos, numa grande cerimônia de iniciação que determina a que grupo querem se unir para passar o resto de suas vidas, revela que ela é, na verdade, uma divergente, não respondendo às simulações conforme o previsto. A jovem deve então decidir entre ficar com sua família ou ser quem ela realmente é. E acaba fazendo uma escolha que surpreende a todos, inclusive a ela mesma, e que terá desdobramentos sobre sua vida, seu coração e até mesmo sobre a sociedade supostamente ideal em que vive.



Divergente é mais um lançamento distópico (e adianto que sou suspeito pois adoro os livros com essa temática). Nesse mundo distópico, depois de muitas guerras, os antepassados dos personagens chegaram à conclusão de que a culpa do mundo em guerra era da personalidade das pessoas e sua inclinação para fazer o mal e não de suas crenças, raças ou política. Eles então se dividiram em facções que procuram erradicar as qualidades das quais cada uma acredita ser responsável pela desordem mundial. Ao todo são cinco facções: a Amizade, cujos membros culpam a agressividade; a Erudição, dos quais os membros culpam a ignorância; a Franqueza que culpa a duplicidade; a Abnegação que encontra seu culpado no egoísmo; e por fim a Audácia, cujos membros culpam a covardia. A personagem principal dessa história é Beatrice uma garota da Abnegação que tem uma vida simplória: desde pequena ela é treinada e educada para ser altruísta. Porém, ela acha muito difícil agir dessa maneira. Ao completar 16 anos, ela e todos os jovens passam por um teste aptidão que revela de qual facção a pessoa deve pertencer e é aqui que tudo começa a mudar na vida da protagonista. O teste dela é inconclusivo, ela é uma Divergente. E por algum motivo que ninguém explica para ela, os Divergentes são considerados perigosos. Ela decide então abandonar a família e seguir para a facção da Audácia onde ela escolhe um novo nome – Tris – e onde deverá enfrentar um treinamento duro e, muitas vezes, cruel para garantir o seu lugar lá dentro, ou então se tornará uma sem-facção.


Beatrice ou Tris é uma boa protagonista. Apesar de ser uma garota não é uma personagem melosa ou chata como costumam ser algumas personagens principais. Ela tem seus princípios e crenças, honra-os e luta por eles. Gostei da história, especialmente a partir do momento que a protagonista descobre que há algo maior por trás dos recentes desentendimentos entre as facções. Essa é a parte mais interessante do livro. Justamente por isso fiquei desapontado por toda a comoção e ação de verdade só acontecer nas últimas 100 páginas. Coisas complexas foram resolvidas com certa facilidade e explicações acabaram sendo dadas superficialmente, mas acredito que isso seja reflexo da série ser uma trilogia e não livro único. O livro foca a maior parte do tempo na facção da Audácia, onde Tris está, mas também temos vislumbres da sua antiga facção, a Abnegação, e também da Erudição. Alguns membros da Franqueza estão com Tris na Audácia e temos contato com eles também, a única facção que fica meio esquecida é a Amizade.  Apesar de ser um pouco mais do mesmo, se você gosta de distopias, não pode deixar de conhecer a história de Tris. A premissa da história é boa. Não me empolguei muito no começo, mas do meio para o fim o livro fica bem mais interessante. Fiquei um tempo tentando decidir se eu gostei ou não do livro. E decidi assistir ao filme para completar a experiência e tirar conclusões.  E apesar das diferenças gostei muito do filme e me animou para continuar lendo os livros.


Sobre as diferenças: No livro, é a Tori quem conta a Tris que ela é divergente e o que isso significa, logo após o teste de aptidão, e não a mãe. Uma cena importante que fez falta foi a do Peter esfaqueando o Edward. Primeiro porque, sem este evento, ele é apenas um personagem que pega no pé da Tris e não o mau caráter covarde que de fato é – e isso pode não ser suficiente para justificar alguns acontecimentos lá na frente. Além disso, sem ser esfaqueado, o Edward não fica cego de um olho e não vai embora da Audácia. O romance da Christina com o Will também não ganha nenhum destaque no filme. Os dois apenas dão a entender, em um diálogo curtíssimo, que algo poderia rolar. Eu acho que era um detalhe importante para Insurgente porque é o melhor meio de trabalhar a culpa que a Tris sente por tê-lo matado, uma das principais questões do segundo livro e explicar o receio dela de usar armas. Depois de apanhar durante uma das lutas, Tris vai parar no hospital e, quando acorda, Will e Christina contam que ela está “fora” da Audácia. Em seguida, ela foge do local e sai correndo atrás do trem. Essa cena não existe no livro. 


O banheiro comunitário dentro do quarto foi até interessante, não é comentado no livro. A força de vontade da Tris em melhorar por querer ser a primeira desapareceu, dando lugar a ela querendo ficar acima da linha do placar. Na cena do caça-bandeira, eles trocaram as bolas de paintball pelos neuro-estimulantes. Essa cena no livro lembra Tris porque escolheu a Audácia, e mostra diversão. Tiraram a diversão e transformaram em mais um treino. No livro, Cristina reclama que ela já tinha identificado a bandeira e devia deixar outra pessoa pegar ela. Isso deixa Tris com um pouco de confusão entre raiva por deixar ela pegar e o altruísmo implícito de anos na Abnegação. Logo após, Uriah a convida para a Iniciação dos nascidos na audácia na Tirolesa. No livro é em outro momento. Não tem o “Dia da Visita”. Mudaram essa cena para um carregamento da Amizade em que a mãe de Tris vai escondida para falar com a filha. Além de indagar se a filha é Divergente e pedir que tome cuidado com a segunda fase do treinamento, no livro, ela dá pistas de que pertenceu à Audácia e pede que Tris fale com Caleb pedindo que ele investigue o “soro de simulação”. O que acabou pondo a conversa dela com o irmão em uma situação completamente diferente: ao invés de fugir para lá para passar o recado da mãe e ver o irmão, mas sim que estava começando a duvidar se deveria continuar na Audácia. No livro, quando Tris volta, é abordada por Eric, e se safa da bronca graças a Quatro, que dá a desculpa de que tinha fugido no impulso depois de tentar beijá-lo e ser rejeitada. No lugar dessa cena, se segue o ataque que ela sofreu de Peter, Drew, e Al, que foi bem menos forte do que no livro. Além disso, depois, não é acordada por Cristina para saber que Al morreu, são atraídos por uma comoção juntos, Tris, Cristina e Will. Também não tem a Cerimônia de Luto da audácia, brindando à coragem de Al. No livro, Tris acha isso ridículo, porque ele se matou e isso não é coragem.


Não tem a cena do tanque de água que Eric fez para que ela morresse. Iriam executá-la na rua. E Jeanine leva Tobias, Tris não presencia quando ela aplica o soro novo nele, nem sabe o que ele faz até o momento. Na fuga com sua mãe, Tris acaba matando Will antes da morte de sua mãe. No livro o comportamento dela faz mais sentido, dado ao nervoso de estar ameaçada, Will não responder à sua voz e o trauma recente de ver a mãe morrer. A cena de Tris e Quatro na sala de controle, já no final do filme, era uma das que eu mais esperava. No livro, apenas os dois estão na sala de controle, enquanto que, no filme, eles estão cercados de várias pessoas da Erudição, inclusive Jeanine Matthews. Aí ficam duas dúvidas: por que estas pessoas, que estavam armadas, ficaram assistindo à luta dos dois em vez de simplesmente matar Tris (que era o que eles iam fazer algumas cenas atrás)? Foi até interessante explorar a Jeanine mais no filme (o que até faz sentido ela estar presente na cena final), mas ficou um pouco estranho ela na cena para quem leu o livro. Vi pessoas reclamando sobre o HD que eles levam, mas levando em consideração que em Insurgente Tris destrói o HD, então a existência dele se tornava irrelevante.

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