terça-feira, 9 de agosto de 2016

ENTREVISTA COM MARCELLA MATTAR, AUTORA DE A AUSÊNCIA QUE PREENCHE TUDO

SINOPSE: Vitória é uma típica jovem da geração Y. Prestes a se formar na faculdade, sente-se incapaz de enxergar qualquer rumo para sua vida. Gosta de ouvir Pink Floyd, Radiohead e ler livros, mas não consegue se empolgar muito com nada. Em uma sociedade obcecada com o conceito de “aproveitar a juventude”, essa indiferença parece uma anarquia. Em meio à música, álcool e sexo casual, ela tenta lidar com um vazio inescapável. Cansada do contato superficial com rapazes da sua idade, Vitória se envolve com o seu professor de Escrita Criativa. Ele é a única pessoa com quem ela consegue estabelecer uma relação minimamente verdadeira – ele compreende o seu drama, e isso a alivia no início. “O seu drama não era o drama do peso, mas o da leveza”, ele sublinhou no livro que lhe emprestara. No entanto, a relação com o professor acaba por trazer apenas mais incertezas. Ainda apegada à adolescência, a vida pede que ela cresça. Presa na própria solidão, Vitória se vê encurralada: sabe que deve terminar a faculdade e que deveria estar buscando uma relação que não fosse só sexo. Contudo, encarar a vida adulta parece uma tarefa impossível no momento. Ilustrando os vazios e os silêncios da vida moderna, o livro traz temas como a passagem para a vida adulta, a busca de identidade e a dificuldade em escolher. Há aqui uma personagem paralisada, não apenas por conta de seu ceticismo, mas pela busca de uma verdadeira conexão com o mundo. Ao longo de uma narrativa que traz maior foco à introspecção do que à atividade externa, são desvendados seus desejos a cada capítulo, para mostrar que, por maior que seja a incompreensão e o despreparo da juventude, ainda pode haver o desejo pela vida.


Como surgiu a ideia de escrever "A ausência que preenche tudo”? Eu queria escrever um livro que representasse a minha geração, os problemas de relacionamento típicos dessa geração, as angústias contemporâneas... Tendo isso por base, criei uma história inspirada no livro da Sylvia Plath “A Redoma de Vidro” e “A insustentável leveza do ser” do Milan Kundera. A intertextualidade com esses dois livros está bem clara no romance, para quem conhece. O livro do Milan Kundera é, inclusive, lido pela personagem logo nos primeiros capítulos...

Quanto tempo demorou para a história ficar pronta? Escrevi tudo em cinco meses. Me forçava a escrever sete páginas por dia, numa época em que eu trabalhava o dia todo e tinha aulas à noite. Não sei como consegui.

O que o leitor pode esperar de "A ausência que preenche tudo”? Uma história livre de clichês sobre o amor romântico. A narrativa não toma um rumo previsível, nem coloca a mulher no papel de coadjuvante (a maioria dos best-sellers coloca as mulheres num papel em que querem ser amadas e reconhecidas por um homem; não é o caso da minha personagem).

Qual autor ou autora é seu preferido? Eles de alguma maneira te inspiraram a escrever? Sylvia Plath, Haruki Murakami, Lygia Fagundes Telles, Knausgard. Apesar de todo mundo ser obcecado com os clássicos, gosto de ler contemporâneos. O meu livro foi uma reposta contemporânea ao livro “A redoma de vidro”, da Sylvia Plath, que narra a história de uma jovem que “tinha tudo na vida”, mas se afunda em depressão nos anos 60. Então esse é o livro que mais dialoga com o meu. Mas há também referências ao livro do Kundera e a alguns livros do Sartre. Esses foram os livros que exerceram uma influência direta, mas é claro que todos os livros já lidos acabam guardados no imaginário do autor e influenciam na obra de uma forma mais indireta.

Se "A ausência que preenche tudo" pudesse ter uma trilha sonora qual música você escolheria? Na verdade, várias músicas são citadas no livro (as músicas que a personagem ouve). São Comfortably Numb, do Pink Floyd; True Love Waits e How to DisappearCompletely, do Radiohead; Because, dos Beatles; For Emma, do Bon Iver. Então dá pra dizer que essas músicas são, de fato, Trilha Sonora da história.
Você segue carreira apenas como escritor ou tem outra profissão? Trabalho como revisora textual, tradutora e professora de português e literatura. Eu fazia faculdade de Psicologia, mas mudei para Letras porque descobri que era minha verdadeira área de interesse. Então minha escolha de carreira está intimamente ligada com a paixão pela escrita.

Deixe uma mensagem para nossos leitores: Eu queria abraçar cada pessoa que também é fissurada por livros e dizer que estamos juntos nessa empreitada. Às vezes ser um escritor/leitor compulsivo é um caminho muito solitário num país em que a leitura não recebe nenhuma atenção. Saber que tem pessoas que são iguais a mim nesse sentido me conforta, e muito! Então eu digo para todo mundo que ama livros: obrigada por existirem. Sério.

Marcella Mattar tem 24 anos e é de Porto Alegre - RS.

PARA LER "A AUSÊNCIA QUE PREENCHE TUDO", CLIQUE AQUI!

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