terça-feira, 16 de agosto de 2016

MATÉRIA ESPECIAL: LIVRO PARA SEMPRE ALICE

SINOPSE: Aos 50 anos, Alice começa a esquecer. No início, coisas sem importância, como o lugar em que deixou o celular, até que, um dia, ela se perde a caminho de casa. Um diagnóstico inesperado altera para sempre sua vida e sua maneira de se relacionar com a própria família e o mundo. E, quando não há mais certezas possíveis, só o amor sabe o que é verdade.


A resenha de hoje é também um post de Utilidade Pública, porque vamos falar de uma doença que atinge milhares de pessoas. Para Sempre Alice foi publicado originalmente no ano de 2007, intitulado Still Alice e sempre esteve na lista dos melhores livros. Trata-se do primeiro título da escritora Lisa Genova, que além de ser uma escrita das boas, também é PHD em Neurociência pela Universidade de Harvard. Conheci o livro em 2015 enquanto fazia meu TCC na faculdade de Publicidade e Propaganda. Tínhamos que fazer toda uma campanha publicitária da ONG ABRAz (Associação Brasileira de Alzheimer) e comprei o livro para entender mais sobre o tema e me inspirar mais na hora de fazer a criação das peças publicitárias.


Alice Howland é uma professora de psicologia e linguística de Harvard muito bem-sucedida, casada com John e com três filhos já adultos. Ao desenrolar da história vemos como Alice botava o trabalho acima de tudo e de todos. Além disso, ela manipulava a todos, não por ser má, mas por acreditar que o melhor caminho a escolher era aquele que ela queria. E é por isso que Alice e Lídia, sua filha que sonhava em ser atriz, brigam o tempo todo. Alice não aceita de forma alguma que Lídia não vá para a faculdade e esse conflito entre as duas atinge toda a família. Logo no início nos deparamos com pequenas falhas de memórias da protagonista que podem facilmente serem justificadas pela correria e estresse do dia a dia. Mas rapidamente esses esquecimentos se intensificam e se tornam mais frequentes, confrontando Alice a procurar um médico. Alice começa a se esquecer de algumas pequenas coisas, como o celular, o lugar onde guardou as chaves e essas coisas normais. E as coisas vão aumentando até que um dia ela se perde nas ruas do bairro onde ela vive há mais de 10 anos. Depois de alguns exames, ela recebe o diagnóstico do Alzheimer precoce. 


Uma mulher, ainda jovem, professora com tanta influência, ávida por conhecimento,  recebe um diagnóstico de uma doença degenerativa. É aí que Alice vê que devia ter dado muito mais atenção aos filhos, ao marido e as coisas simples da vida, ao invés de só trabalhar, trabalhar e trabalhar. Mas agora não tinha como voltar atrás. Assim vamos acompanhando a evolução da doença e a regressão da vida de Alice. A orientação espaço-visual se acaba, a linguagem torna-se vazia e desprovida de significado, vestir-se se torna cada vez mais complicado, e a dependência total de outra pessoa é fator fundamental. Dos primeiros sintomas ao óbito, a sobrevida média é de 6 a 9 anos. Se por um lado, se foi triste observar por fora os acontecimentos que tomaram uma vida inteira da Alice, por outro foi bonito acompanhar o zelo e carinho da família, principalmente a compreensão da filha mais nova, com quem já teve tanta discordância com a mãe e ainda mais quando a mesma já deixou de reconhecê-la. Isso é amor. Também foi especial ver a determinação e coragem da personagem de tornar aquilo algo bom. De querer transformar aquilo em algo que possa ser utilizado no futuro. De ter esperança.


Através de uma narrativa em terceira pessoa impactante e intensa, observamos a evolução da doença bem como a reação da família diante disso. Não é o pensamento da própria Alice, mas é como se fosse, uma vez que a narrativa segue seus passos e se repete como se também tivesse o Alzheimer. A autora teve todo um cuidado e sensibilidade com isso e foi impressionante. Pelo seu amplo conhecimento no assunto, Lisa nos mostra um lado muito científico da doença - mostrando quais são os tratamentos existentes, como este mal vai afetando o cérebro e o porquê disso, além de disponibilizar o nome de diversos medicamentos utilizados. Tudo isso de uma forma extremamente clara e de fácil compreensão, o que deixa o leitor mais a vontade com o tema e, consequentemente, mais tocado pela história da personagem. O livro tem momentos muito fortes, que te dão vontade de chorar e abraçar Alice até que ela se lembre sabe, chegando a ser  angustiante! Não tem como não imaginar o que sentiríamos se estivéssemos em seu lugar.  Eu recomendo o livro, mesmo sendo muito triste, é uma lição de vida.


O filme baseado no livro também me emocionou. Julianne Moore ganhou o Oscar por sua atuação no longa e merecido! Cheio de momentos emocionantes e situações verdadeiras, o filme serve como exemplo para qualquer um. Com ou sem doença, todos devemos seguir nos passos de Alice e aproveitar ao máximo cada momento. Amanhã tudo pode ter sumido.
Quando não há mais certezas possíveis, só o amor sabe o que é verdade.

"Meus ontens estão desaparecendo e meus amanhãs são incertos. Então, para que eu vivo? Vivo para cada dia. Vivo o presente. Num amanhã próximo esquecerei que estive aqui diante de vocês e que fiz este discurso. Mas o simples fato de eu vir a esquecê-lo num amanhã qualquer não significa que hoje eu não tenha vivido cada segundo dele. Esquecerei o Hoje. Mas isso não significa que o Hoje não tem Importância." - Alice 

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