segunda-feira, 8 de agosto de 2016

RESENHA: ESTILHAÇA-ME

SINOPSE: Ninguém sabe por que o toque de Juliette é letal, mas o Restabelecimento tem planos para ela. Planos para usá-la como arma. Mas Juliette tem seus planos. Após uma vida inteira sem liberdade, ela descobriu uma força para lutar contra todos pela primeira vez — e para obter um futuro com o único garoto que ela pensou que fosse perder para sempre.

Juliette nunca foi uma garota comum normal, e o motivo é claro: o seu toque é poder letal. Nas poucas vezes em que a menina tocou alguém, ou a pessoa morreu, ou sentiu uma dor imensurável. Ela está a 264 dias aprisionada em uma cela, sem ter contato com nenhum ser humano. Quando Adam, um rapaz alto, forte, bonito e estranhamente familiar, entra em sua cela, Juliette é surpreendida. Não há cabimento em designarem lhe um companheiro de cela, ainda mais quando ela é tão perigosa.  Além disso, o mundo não passa por uma situação muito boa: a atmosfera foi destruída, a vegetação extinguida, os animais, a comida e, especialmente, a água, estão escassos. O governo do mundo foi tomado pelo Restabelecimento, um grupo dominante que prometeu resolver a situação, mas apoderou-se do poder e explora os mais fracos. O que restou foi dividido em distritos, e o que Juliette mora é comandado por Warner, um jovem, mas impetuoso, general. Quando a verdadeira identidade de Adam é revelada, assim como os planos que Warner possui para Juliette – ele deseja usá-la como uma arma para O Restabelecimento –, ela precisa lutar para ter a vida que sempre quis: uma vida com liberdade. 


Apesar do título parecer um livro erótico a lá 50 tons de cinza, comprei depois de ler a sinopse e saber que a garota podia matar as pessoas apenas com um toque e essa pegada meio Vampira do X-Men me chamou atenção. Eu comecei animado, depois odiei e terminei até que gostando. A escrita da autora, Tahereh Mafi é diferente, ela usa de muitas metáforas (tipo, muitas mesmo) e tudo tem um tom um pouco sonhador e delirante.  A história começa bem intrigante com a situação em que a Juliette se encontra e com todo o mistério envolvido em como diabos ela foi parar ali apesar de não ser muito difícil adivinhar. Não só isso, mas o mundo distópico também era intrigante. Essa primeira parte é minha favorita, principalmente com a chegada do Adam. Só que eu achei que nada disso desenvolveu. Eu esperava mais explicações sobre o Restabelecimento e sobre os planos que o Warner tinha para a Juliette. Eu sabia para quê ele queria ela, mas por quê? Qual é o motivo disso tudo? O que ele quer exatamente? Talvez seja abordado mais nos próximos livros. O livro não é tão focado no que acontece ao redor da personagem principal, mas sim nos seus conflitos internos. De tal modo, o início é extremamente confuso, contudo, vamos aos poucos nos acostumando com a personalidade um tanto atordoada de Juliette. A singularidade da obra já se mostra presente na narrativa, que é diferente de tudo que já li. Juliette está quebrada – confusa, isolada e a beira da loucura. O modo pelo qual a autora resolveu demonstrar tudo isso foi extremamente original: narrado em primeira pessoa, mas também com frases riscadas, que mostram alguns pensamentos ocultos da personagem. Além disso, é notável os imensos erros gramaticais (como a falta de vírgulas e repetições), que insinuam o estado mental caótico da protagonista. 


Achei Juliette é muito dramática. No começo, as reações que ela tinha com relação às coisas que aconteciam a ela eram muito plausíveis, devido a tudo que ela passou. Porém, com o passar do livro eu esperava que ela evoluísse e parasse de se enrolar num canto a cada coisa que acontecesse que a assustasse. Mas não. Ela nunca se impõe pra nada. Tudo que ela faz vem do medo, da pressão, de ser obrigada, de ser induzida. Ela não faz quase nada por conta própria, então fica meio difícil pensar nela como uma heroína. E algumas vezes chega a ser irritante (Ainda não superei uma parte que ela diz que está sofrendo como se um palito de dente tivesse descido por sua garganta! Oi?!).  A menina se recusa a revidar os maus tratos que sofre – mesmo que pudesse, e muito bem –, independente do quão ruim seu atacante seja. É algo um tanto incômodo, sim, mas é necessário se acostumar com a mania da protagonista de pensar em todos, exceto nela mesma. Também tem o fato de que todo mundo é obcecado com ela. Diga o nome de um personagem que não ficou de queixo caído com a Juliette? Julgando pelas condições em que ela esteve, achei difícil que ela estivesse tão estonteante. Nas primeiras cem páginas do livro tudo está mais confuso. Depois disso, conforme Juliette vai tendo contato com mais pessoas, é possível notar uma óbvia melhora nela – como se a mente da personagem tivesse clareado. 


Não consigo nem pensar no que dizer sobre o Adam. Eu gosto e não gosto dele.  Mas o romance dos dois tem momentos bons!  Gosto mais do Warner até que é cheio de personalidade. O que me não me convenceu muito foi que Juliette e Adam nunca se falaram e pá! Se amam. Eu gostaria de ter visto eles se apaixonando. O maior problema é que é focado muito no romance e pouco desenvolvido em outras coisas. Mas me vi torcendo para o casal lá pelo final do livro, mesmo com as situações um pouco forçadas do romance – como quando, no meio de uma cena cheia de ação, Juliette tem um pensamento aleatório sobre como o Adam é irresistível. E juro que não estou brincando! Mesmo o final sendo bem X-Men, em um dado momento, o suspense criado é tamanho que é impossível largar a história. 

2 comentários:

  1. Sobre tudo o que vc pontuou: leia os próximos livros, vai se surpreender! rsrs
    Na verdade qnd eu li Estilhaça-me, adorei a experiência, nd me incomodou tanto assim. A personalidade da Juliette é justificada e acho a escrita da Tahereh linda.
    Bjs
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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    Respostas
    1. Me deram spoilers dos próximos livros, já sei sobre Warner e tal e isso me animou para ler os outros rs, já tenho o Liberta-me, falta o último. Depois resenharei também os outros, bjs :)

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