segunda-feira, 15 de agosto de 2016

RESENHA: UM HOMEM DE SORTE

SINOPSE: Mas não estava em outra época e lugar e nada daquilo era normal. Trazia a fotografia dela consigo há mais de cinco anos. Atravessou o país por ela. Era estranho pensar nas reviravoltas que a vida de um homem pode dar. Até um ano atrás, Thibault teria pulado de alegria diante da oportunidade de passar um fim de semana ao lado de Amy e suas amigas.  Provavelmente, era exatamente isso de que precisava, mas quando elas o  deixaram na entrada da cidade de Hampton, com o calor da tarde de agosto em seu ápice, ele acenou para elas, sentindo-se estranhamente aliviado. Colocar uma carapuça de normalidade havia-o deixado exausto. Depois de sair do Colorado, há cinco meses, ele não havia passado mais  do que algumas horas sozinho com alguém por livre e espontânea vontade. Imaginava ter caminhado mais de 30 quilômetros por dia, embora não tivesse feito um registro formal do tempo e das distâncias percorridas. Esse não era o objetivo da viagem. Imaginava que algumas pessoas  acreditavam que ele viajava para esquecer as lembranças do mundo que  havia deixado para trás, o que dava à viagem uma conotação poética prazer de caminhar. Estavam todos errados. Ele gostava de caminhar e tinha um destino para chegar.

Logan Thibault é um fuzileiro naval que é encaminhado ao Iraque para uma missão; após encontrar uma foto de uma mulher desconhecida sua vida muda completamente. Independente do que os outros possam dizer essa foto o salvou de um terrível ataque e continua o salvando de atentados os quais outros soldados sucumbiram. É inegável o poder de "amuleto protetor" que a imagem carrega consigo, ninguém conseguiria ter enfrentado tantas batalhas e ainda continuar vivo. Mas leva um tempo até que esse homem perceba o significado por detrás disso e é um busca de uma resposta que ele embarca em uma viagem rumo a Hampton sem nenhuma direção de como encontrar essa mulher. Ao lado do seu cachorro e fiel amigo Zeus, Thibault descobre os segredos de um policial com caráter duvidoso chamado Clayton, que por sinal é o ex-marido de Beth, a mulher que ele tanto procura, e a partir daí as histórias se entrelaçam. Numa cidade pequena onde todo mundo conhece todo mundo, após chegar ao seu destino traçando caminhos intuitivos para encontrar a dona da fotografia, o soldado finalmente consegue se aproximar de uma encantadora mulher que vive com seu filho e sua avó em um rancho onde cuidam de cachorros. De um modo ou de outro a maré segue sempre favorável a Thibault e não é nenhuma surpresa para nós quando ele constata que precisa-se de uma vaga no Canil, um lugar que lhe cai como uma luva já que seu cachorro Zeus fora adestrado desde cedo por ele. É assim que tudo começa. Ele é um tanto misterioso e causa estranhamento nas pessoas (principalmente em Beth) ao revelar que caminhara todo o percurso desde o Colorado até Hampton a pé. Mas, mesmo não gostando tanto do rapaz a princípio principalmente por ele ser um ex-soldado, querendo ou não uma amizade e natural confiança brota entre eles. Apenas Thibault trata seu filho, Ben, como muitos homens incluindo o pai do menino nunca tratou. Aos poucos vamos descobrindo que a presença do aventureiro viajante na cidade não passa despercebida a Clayton e que o descobrimento na foto durante a guerra envolve muito sofrimento para a família de Beth.

Bom, não achei o livro tão atraente. A narrativa tem mais descrição do que ação e eu simplesmente não conseguia embarcar na história do cara andar milhares de km por causa de uma foto e sua paixão por aquela mulher. A história demora a se desenrolar e quando, finalmente chega ao clímax tudo ocorre muito rápido. Para mim, não é uma das melhores obras de Nicholas Sparks. Acredito que na época, estava um pouco cansado das histórias do Sparks porque vinha lendo um atrás do outro e as semelhanças começaram a me incomodar e deixar de surpreender. Sabia que alguém morreria. Mas hoje já engulo mais a história. Por mais que pareça estranho, concluí que quando se está na guerra, você passa por situações de pânico, de desespero total e isso faz você ter um certo tipo de insanidade. E nas pequenas coisas que você acreditar, faz você aguentar tudo o que está passando e afirmar que há algo a mais, que a sua vida não irá terminar ali. A cada capítulo acompanhamos os fatos do ponto de vista de personagens diferentes. O livro foi narrado na terceira pessoa, alternado pelas visões de Logan, Beth e Clayton. Outros pontos positivos são a relação entre Thibault e seu cachorro Zeus, o jeito extrovertido da personagem Nana, avó de Beth, a mulher da fotografia. As partes em que ela aparecia foram as melhores.


O livro, assim como quase todos os livros de Sparks, foi adaptado para o cinema com Zac Efrom no papel de Thibault e Taylor Schilling no papel de Beth. Infelizmente tenho que dizer que o Zac não me convenceu, ele não parecia em nada com um homem que saiu traumatizado depois de ter vivido horrores na guerra. Contudo, é claro, que a atuação dele foi boa. Cortaram partes bacanas sobre o amigo do Logan e acrescentaram algumas cenas desnecessárias. O filme apresenta um timming muito rápido. As fotos que Keith tira logo no começo do livro, que são o que Logan usará para chantagear Keith. No filme, quem afasta o policial de suas ameaças de destruir a felicidade dos dois e de Ben, é Beth, que encara o ex-marido com coragem e confiança. Isso dá mais credibilidade para Beth, mas tira um pouco da essência do conflito principal entre o triângulo amoroso. E o final também é diferente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente com o Facebook: