quinta-feira, 13 de outubro de 2016

RESENHA: CONVERGENTE

SINOPSE: Uma escolha irá te definir. E se todo o seu mundo fosse uma mentira? E se uma única revelação - assim como uma única escolha - mudasse tudo? E se o amor e a lealdade fizessem você fazer coisas que jamais esperaria? A sociedade baseada em facções, na qual Tris Prior acreditara um dia, desmoronou – destruída pela violência e por disputas de poder, marcada pela perda e pela traição. Em Convergente, o poderoso desfecho da trilogia de Veronica Roth iniciada com Divergente e Insurgente, a jovem será posta diante de novos desafios e mais uma vez obrigada a fazer escolhas que exigem coragem, fidelidade, sacrifício e amor.


Após mostrar para toda Chicago o vídeo de Edith Prior, Tris mantém-se retida no regime autoritário da mãe de Tobias, Evelyn, que juntamente com os sem-facção, tomou conta da cidade em uma ditadura parecida com a adotada anteriormente por Jeanine, só que, como ela mesmo diz, elas são totalmente diferentes, já que a líder da Erudição utilizou de soros, enquanto ela utilizará da morte. As rebeliões contra o regime de facções agora derrubado, estão cada vez mais constantes, apesar de uma grande parcela da população não concordar com tal mudança, a decisão não tem volta e vemos até mesmo uma cena onde quebram os potes, utilizados anteriormente nas Cerimônias de Escolha. Após ser libertada, com a ajuda de Tobias, Tris conhece um grupo rebelde, que se intitulam Leais, liderados por Cara e Johanna, cujo principal objetivo, é realizar os pedidos do vídeo que Edith Prior deixou, isto é, mandar um grupo para fora das cercas que delimitam a cidade.


Nesta altura do livro, Caleb Prior, irmão de Tris, foi preso e será executado em breve, devido à sua aliança com Jeanine, chegando até mesmo a trair a própria irmã, mas, claramente, o altruísmo exacerbado da nossa heroína, não permite que seu irmão seja deixado para trás, e então, Tobias o rouba, e assim, um pequeno grupo liderado por Cara, parte para fora dos limites da cerca de Chicago. Ao chegarem neste novo mundo, vemos a confusão das personagens ao interpretar tudo o que estão vendo e a narrativa de Roth, sempre impecável, nos permite compartilhar do mesmo sentimento que eles, isto é, ela consegue nos fazer entrar na história e sentir a confusão que os personagens sentem dentro de nossa própria cabeça. Em meio aos grandes contratempos que estão vindo, grandes revelações sobre a história são apresentadas em todas as páginas e chegamos até mesmo a descobrir o que são os Divergentes e que eles não possuem nada de anormais, como poderíamos ter chegado a pensar em certo momento dos livros anteriores.


Divergente começou regular e depois ficou legal. Insurgente eu gostei bem mais. Mas Convergente eu demorei um vida para ler! Insurgente termina com todos enlouquecidos com a revelação feita através do vídeo que Quatro libera, onde é contada uma breve história de como e porque aquela cidade foi estruturada daquela forma. Mais perguntas surgem, um novo governo autoritário e tão violento quando o de Jeanine é instalado e tudo o que nossos heróis querem é sair da cidade e descobrir o que existe por trás da cerca. A novidade em Convergente começa quando descobrimos que o livro passa a ser narrado pela visão da Tris e do Quatro. Isso causou uma certa confusão na minha cabeça, apesar da autora ser bem clara e estabelecer logo no começo do capítulo quem está narrando, simplesmente por estar acostumada a ter sempre apenas o ponto de vista de Tris. Ter mais de um narrador é que ótimo para nós leitores, afinal, temos mais de um ponto de vista e, portanto, uma visão mais ampla do que está acontecendo. Mas narrações de ambos são extremamente parecidas. Concordo que os dois são personagens semelhantes em diversos pontos, mas ainda assim eles são pessoas diferentes e deveriam narrar de um jeito mais próprio e, no entanto, eles parecem ter a mesma voz – a da autora. Às vezes eu largava o livro e quando retomava a leitura não me situava imediatamente. Ficava aquela dúvida: É a Tris ou Tobias aqui?


É notável a mudança na personalidade, tanto de Tobias quanto na da Tris. Eles não são mais apenas jovens, irracionais e um pouco irresponsáveis. Ambos estão amadurecidos, já viram mais do mundo do que tantos outros, e, certamente, isso os afetou. É claro, eles ainda valorizam muito as emoções, suas vontades, mas é perceptível o crescimento dos dois ao fazer isso de modo mais racional. Esse terceiro volume é um livro mais denso e mais sério. Não há mais o ritmo alucinante, cheio de reviravoltas que tornou-se tão característico com Divergente: o livro é mais concentrado em prestar as devidas explicações sobre como as facções foram formadas, o que levou a cidade a tornar-se o que é hoje e resolver o grande problema com a ditadura de Evelyn. Por mais que a autora tenha explicado tudo detalhadamente, senti uma falta de nexo enorme na em algumas partes da história, coisas que ficaram mal explicadas. Em compensação gostei da explicação do que havia fora da cerca e da explicação para a cidade onde Tris viveu e o sistema de facções. Foi bem interessante. 


No fim do livro Convergente, Tris morre enquanto tenta evitar o uso do soro da memória e o frequente abuso daqueles que foram “geneticamente danificados”. Preciso falar sobre a morte da protagonista: alguns dizem que foi uma decisão corajosa, outros que foi covarde. Eu digo que foi condizente com a história da personagem. Ela se manteve fiel à sua essência, não importando a situação. Tris é muito teimosa e tem a "síndrome do herói", sempre procurando o perigo, mas ela faz isso para tentar proteger aqueles que ama e sempre estava disposta a se sacrificar pelos outros, algo típico da Abnegação. É triste, mas compreensível visto por esse ponto de vista.


Um esclarecimento: Algumas pessoas comentam sobre um romance entre Christina e Tobias, coisa que não acontece em momento algum do livro e não há nem espaço, nem abertura para que se pense tal coisa. Os dois se aproximaram de fato, mas pela dor que ambos carregavam, pela perda, respectivamente, da melhor amiga e da namorada. Veronica deixa bem claro que Tobias ainda não superou totalmente a perda de Tris, e por isso, qualquer um que tenha conseguido adentrar na história e se colocar no lugar do personagem, percebeu que não há lugar para outro amor na vida de Tobias até o momento que o livro termina, nem tampouco com alguém que podia fazê-lo relembrar de Tris de uma maneira tão profunda (afinal, ele chega a evitar até mesmo o Caleb, por lembrar muito dela).


Convergente é uma história sobre manipulação e o risco que isso representa para o nosso mundo. O que aconteceu com o mundo no livro de Roth pode muito bem ter sido a 3ª Guerra Mundial (Geneticamente Danificados x Geneticamente Puros). Confesso que esperava um final magistral, um final épico com uma grande cena final, um acerto de contas, romance e tudo que a série merecia. Não é um livro ruim, mas está muito longe de ser um volume de desfecho ótimo.

Assim como o filme de Insurgente apresentou algumas mudanças quando comparado ao livro, como por exemplo, em relação à caixa misteriosa, nesse terceiro filme alguns pontos também foram adaptados. Segundo o produtor executivo Todd Lieberman: “Ao passo que o livro foi dividido em dois, sentimos que nós tivemos uma grande oportunidade nesse filme de contar uma história atraente além do que já foi contado nos dois primeiros filmes”. Talvez essas mudanças somadas ao tom diferente do filme comparado aos outros (assim como aconteceu com Jogos Vorazes: A Esperança Parte 1 e 2) contribuiu para seu fraco desempenho nas bilheterias.

Enquanto Divergente (2014) e Insurgente (2015) foram consideravelmente bem nas bilheterias, o primeiro arrecadando US$ 289 milhões e o segundo US$ 297 milhões, o terceiro, Convergente (2016), fez apenas US$ 179 milhões mundialmente. O quarto e último filme da franquia iria estrear nas telonas disputando a público com Guerra Mundial Z 2 e com o reboot de A Múmia, em junho de 2017. O terceiro filme da franquia deu prejuízo nas bilheterias e só rendeu críticas negativas. O fracasso geral de Convergente levou a Lionsgate a cortar o orçamento do quarto e último filme (Ascendente – como se chamaria a parte 2) e a optar por terminar a cinessérie na televisão, com uma série derivada. Para surpresa e desagrado do elenco.

Shailene Woodley (Tris) não escondeu seu descontentamento. Em uma entrevista, ela foi perguntada sobre o status da produção. E deixou claro: "Da última vez que eu soube, eles estavam tentando transformá-lo numa série de TV. Eu não assinei para fazer uma série de TV. Se eles toparem lançar nos cinemas, eu retorno. Eles não tomaram a decisão, por isso não podemos comentar, por respeito à Lionsgate e a todos os envolvidos. Não sei exatamente como está a situação, e estamos em uma espécie de limbo à espera de respostas”. Só nos resta aguardar...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente com o Facebook: