sábado, 29 de outubro de 2016

RESENHA DO LEITOR: FIQUE ONDE ESTÁ E ENTÃO CORRA

SINOPSE: Em meio às tragédias da Primeira Guerra Mundial, o amor é a única arma de um garoto para curar seu pai. Alfie Summerfield nunca se esqueceu de seu aniversário de cinco anos. Quase nenhum amigo dele pôde ir à festa, e os adultos pareciam preocupados — enquanto alguns tentavam se convencer de que tudo estaria resolvido antes do Natal, sua avó não parava de repetir que eles estavam todos perdidos. Alfie ainda não entendia direito o que estava acontecendo, mas a Primeira Guerra Mundial tinha acabado de começar. Seu pai logo se alistou para o combate, e depois de quatro longos anos Alfie já não recebia mais notícias de seu paradeiro. Até que um dia o garoto descobre uma pista indicando que talvez o pai estivesse mais perto do que ele imaginava. Determinado, Alfie mobilizará todas suas forças para trazê-lo de volta para casa.


Saindo da França, deixando de lado toda aquela história maravilhosa de Sophie Lefévre e o tão polêmico quadro A garota que você deixou para trás, e indo para a Inglaterra no período pré-Primeira Guerra Mundial, me deparei com Alfie Summerfield na sua tão esperada festa de aniversário de cinco anos, onde apenas sua amiga, Kalena, compareceu junto de seu pai, onde vovó Summerfield não parava de repetir que todos estavam perdidos e onde seu pai não parava de sorrir para sua mãe, de um modo dissoluto.


Assim começa esse “livrâo”, mais um entre tantos, do autor de O menino do pijama listrado. O modo como Boyne dá voz e autoridade para essas crianças, personagens tão novas na idade, mas maduras de pensamentos, é realmente incrível. Alfie não é exceção. Quando seu pai, orgulhoso, entrou certo dia na sala fardado e uniformizado para contribuir para com a guerra, e quando sua mãe, vendo isso, saiu chorando do recinto, o garoto soube na hora que alguma coisa de errada estava para acontecer. Todos diziam que a guerra acabaria antes do Natal, e Georgie tinha total certeza que voltaria a tempo para festejar. O que não aconteceu.


A guerra continuou por quatro anos, e Alfie, mais velho, nos seus jovens nove anos, ainda tem aquela pontinha de esperança que a guerra, aquela que sugou a felicidade da sua vida e de muitas das pessoas que conviviam com ele, um dia iria terminar. Seu pai há tempos tinha parado de mandar cartas de onde quer que estivesse, e Alfie e sua mãe tinham entrado na miséria. Ela trabalhava num hospital, costurava para uma velha rica e lavava roupas para quem pudesse pagar bem, apenas para ganhar os poucos centavos que os sustentavam. O garoto trabalhava de engraxate na tão conhecida estação de Londres, King’s Cross, e ganhava para ajudar a mãe nas despesas da casa. Mas a mãe não sabia, e por um bom tempo ele conseguiu esconder esse segredo da mãe.


Kalena e seu pai foram levados por soldados logo no início da guerra, e Alfie também não sabia para onde eles foram e nem teve notícias deles. Frequentava a escola apenas dois dias por semana, e nos dias restantes trabalhava na estação. Até que, certo dia, o garoto descobre algo que faz com que sua esperança ganhe mais nutrientes: seu pai está vivo. E Alfie sabe onde ele está.


Até aqui eu posso simplesmente dizer que é uma história que marcou definitivamente minha vida. A Primeira Guerra Mundial é um tema totalmente avassalador e difícil de ser trabalhado. E fazer isso sob os olhos de uma criança, só John Boyne para arriscar. Temas como pena branca, pessoas inocentes tendo que achar um modo de sobrevivência único, neuroses de guerra, lealdade e honestidade são tratados no livro. Algumas coisas que eu não fazia nem ideia de saber, conheci através da história valente de um garoto de nove anos à procura de seu velho, num período que todo tempo é precioso e que valorizar o simples ato de respirar é obrigação na vida de todos.


"FIQUE ONDE ESTÁ E ENTÃO CORRA GANHOU, COM HONRA, 5 VITAMINAS"! John Boyne é o cara!



RESENHA ESCRITA POR: ELIZEU CADENA





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