sábado, 15 de outubro de 2016

RESENHA DO LEITOR: A GAROTA QUE VOCÊ DEIXOU PARA TRÁS

SINOPSE: Durante a Primeira Guerra Mundial, o jovem pintor francês Édouard Lefèvre é obrigado a se separar de sua esposa, Sophie, para lutar no front. Vivendo com os irmãos e os sobrinhos em sua pequena cidade natal, agora ocupada pelos soldados alemães, Sophie apega-se às lembranças do marido admirando um retrato seu pintado por Édouard. Quando o quadro chama a atenção do novo comandante alemão, Sophie arrisca tudo: a família, a reputação e a vida na esperança de rever Édouard, agora prisioneiro de guerra. Quase um século depois, na Londres dos anos 2000, a jovem viúva Liv Halston mora sozinha numa moderna casa com paredes de vidro. Ocupando lugar de destaque, um retrato de uma bela jovem, presente do seu marido pouco antes de sua morte prematura, a mantém ligada ao passado. Quando Liv finalmente parece disposta a voltar à vida, um encontro inesperado vai revelar o verdadeiro valor daquela pintura e sua tumultuada trajetória. Ao mergulhar na história da garota do quadro, Liv vê, mais uma vez, sua própria vida virar de cabeça para baixo. Tecido com habilidade, A garota que você deixou para trás alterna momentos tristes e alegres, sem descuidar dos meandros das grandes histórias de amor e da delicadeza dos finais felizes.


“DEPOIS DE SOLTAR A ÚLTIMA MECHA DO MEU CABELO, ELE LEVANTOU COM A MÃO E A DEIXOU DESLIZAR EM SEUS DEDOS. SUA QUIETUDE ERA A DE UM HOMEM COM MEDO DE SE MEXER, UM CAÇADOR EVITANDO ESPANTAR A PRESA.”

A garota que você deixou para trás é um livro promíscuo e ousado. Promíscuo pelo fato de ele ser um pouco pesado, pois uma parte da história acontece na Primeira Guerra Mundial; e ousado porque Jojo beira um contexto totalmente diferente de Como eu era antes de você.


Intercalando duas épocas diferentes, Jojo Moyes nos traz a história de Sophie Lefévre, uma mulher atraente e de um quadro, desenhado por Édouard Lefévre, seu marido, tomado pela guerra (o marido, não o quadro). Em 2006, Liv Halston também perdeu o marido há um tempo, mesmo assim continua obstinada a não sair da depressão, um domo negro que a rodeia e a impede de seguir em frente. O que serve de linha cognitiva entre as duas histórias é o quadro A garota que você deixou para trás e a decisão inabalada dos herdeiros de Édouard Lefévre de querê-lo novamente. Mas o quadro está no quarto de Liv e ter aquele artefato tem todo um valor sentimental para a viúva de trinta anos, pois a mesma ganhara de David como presente de casamento alguns anos antes. Em meio à tristeza e falta que sente de David, Liv conhece Paul, um advogado divorciado. O destino brinca com os dois quando coloca Paul para defender uma ação para restituir o quadro ‘A garota’ à família de Édouard. Liv não pensa duas vezes e briga na justiça pelo direito de ficar com o quadro, lembrança afetiva de seu falecido marido.


O quadro A garota que você deixou para trás é, nada mais, nada menos, que um autorretrato de Sophie feito por Édouard um tempo antes de eclodir a Primeira Guerra. É esse quadro amaldiçoado que chamará a atenção de um Kommandant alemão, que decide usar o Le Coq Rouge como praça de alimentação toda noite. O quadro ficava exposto à vista de todos no hotel, até para os soldados alemães que frequentemente usufruíam da bondade de agredir alguém em horário de pico. Temos aqui, também, todos os efeitos da guerra sobre a comunidade de St. Peróne, na França: mortes por inanição, uma ditadura forçada e pessoas magras e sedentas.


A parte mais interessante de toda a história foram os capítulos de Sophie, pelo menos pra mim, já que quando volta para os capítulos da Liv temos todo o clichê romântico de Jojo Moyes. Sophie é uma mulher forte e determinada, sem papas na língua, que mesmo vivendo sob ameaça, faz de tudo para proteger quem mais ama. Mas Édouard é sua maior fraqueza, o que a faz tomar uma decisão difícil que mudará todo o curso de sua história. Só posso dizer que, se você leu, em algum momento da sua vida, algum livro de Sydney Sheldon ou John Grisham e gostou, você vai amar esse livro!


Temos personagens fortes, bem estruturados, num enredo totalmente diferente, escrito por uma mulher compenetrada no que faz. As linhas que vão se conectando aos poucos, o suspense que paira sobre o passado do quadro e sobre Sophie Lefévre e como isso reflete totalmente na vida de Liv Halston quase cem anos depois, é maravilhoso!
RESENHA ESCRITA POR: ELIZEU CADENA 

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