segunda-feira, 17 de outubro de 2016

RESENHA DO LEITOR: PRINCE OF THORNS

SINOPSE: Ainda criança, o príncipe Honório Jorg Ancrath testemunhou o brutal assassinato da Rainha mãe e de seu irmão caçula, William. Jorg não conseguiu defender sua família nem fugir do horror. Jogado à própria sorte num arbusto de roseira-brava, ele permaneceu imobilizado pelos espinhos que rasgavam profundamente sua pele, e sua alma. O príncipe dos espinhos se vê, então, obrigado a amadurecer para saciar o seu desejo de vingança e poder. Vagando pelas estradas do Império Destruído, Jorg Ancrath lidera uma irmandade de assassinos, e sua única intenção é vencer o jogo. O jogo que os espinhos lhe ensinaram.


Mal e caótico. Essa é a melhor forma de definir  o príncipe Honório Jorg de Ancrath, protagonista de Prince of Thorns lançado pela Darkside aqui no Brasil com a mesma qualidade de sempre, capa dura, folhas grossas (quase um pergaminho), e belas ilustrações. Escrito por Mark Lawrence, o livro se passa em um universo aparentemente medieval onde a força é a única política. Jorg de Ancrath é um menino líder de um bando formado por alguns dos piores criminosos: assassinos, estupradores e sádicos. Porém todos devem obediência a Jorg, que a impõe sendo o mais agressivo e imprevisível entre todos.


O livro é contado na primeira pessoa, uma surpresa, pois na maioria dos livros a perspectiva é de terceira pessoa. Essa escolha do autor faz total sentido quando percebemos que ele nos coloca dentro da mente de Jorg, aonde aos poucos vamos entendendo a mente, possivelmente psicótica dele. Jorg está em busca de vingança pelo assassinato brutal de sua mãe e seu irmão. O incidente onde Jorg, então uma criança, quase perdeu sua própria vida. Jorg foi jogado num canteiro de roseira brava de onde assistiu impotente, ao mesmo tempo em que era torturado pelos espinhos arranhando, cortando e perfurando seu corpo.


Jorg é um dos protagonistas mais vis, egoístas, cruéis que existe na literatura de fantasia. É mesmo assim o leitor é cativado por ele, deseja saber qual é o próximo passo que irá ser dado, a próxima estratégia criada e é possível que o leitor venha a sentir até pena dele. Até ele sujar as mãos de sangue novamente. Esse livro possui tantas nuances e detalhes que se torna difícil não falar nenhum spoiler, o que é possível afirmar é que nada que você espera acontece, não podemos nem afirmar que Jorg tem a mesma noção de realidade que nós. Todos podem se tornar degraus sangrentos que Jorg irá usar para alcançar seus objetivos.


A trama é completamente focada no protagonista como já foi dito e não se perde muito tempo com o mundo em si, a não ser que ele seja útil para algo. Não há preocupação em explicar cada detalhe para o leitor, cabe a você entender e acompanhar os saltos temporais e os detalhes que o fazem perceber como realmente é o mundo de Prince of Thorns. Dito isso podemos perceber pelas citações feitas por Jorg, filósofos, escritores, textos religiosos que o mundo de Jorg possui diversos pontos em comum com nossa realidade. Mas também há grande influencia de magia e poderes sobrenaturais. Jorg sabe que os jogos serão jogados de qualquer forma, cabe a cada um decidir se jogará ou se será apenas uma peça. Jorg decidiu que irá derrubar todas as peças e virar o tabuleiro.
RESENHA ESCRITA POR: EDUARDO REIS
Carioca, 27 anos, Analista de TI, Bibliófilo desde criança, fã de carteirinha de Cornwell e King. 

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