segunda-feira, 10 de outubro de 2016

RESENHA DO LEITOR: A TORRE NEGRA II - A ESCOLHA DOS TRÊS

SINOPSE: Após a morte do Homem de Preto, Roland de Gilead se vê diante de três portas que o levam do Mundo Médio para três épocas diferentes da Nova York do mundo. Em 1987, ele encontra Eddie Dean, um viciado em heroína que está tentando entrar em Manhattan contrabandeando um quilo de cocaína pura. Em 1964, descobre Odetta Holmes, uma negra paraplégica, ativista do movimento pelos direitos civis, cuja mente abriga também a malévola Detta Walker. Com a ajuda de Roland e Eddie, essas duas personalidades se tornarão Susannah Dean, que se unirá ao ka-tet do pistoleiro, o círculo de pessoas cujo ka está interligado. A terceira e última porta leva Roland ao ano de 1977 onde ele terá que se confrontar com o temível Jack Mort, psicopata responsável por uma tragédia crucial na história, a morte de Jake Chambers, mas também pela dupla personalidade de Susannah.


(Atenção: Spoilers do 1º livro – O pistoleiro!!!)

Longos Dias e Belas Noites Sais!

Continuando nossa busca pela Torre Negra com Roland Deschain exatamente onde paramos no final do 1º livro. Á beira de uma praia, 10 anos mais velho após a visão criada pelo Homem de preto (morto?) e o sacrifício do menino Jake debaixo da montanha para alcançar o Homem de Preto. Roland é acordado pelo som das ondas quebrando, pelo frio causado pela água subindo por suas pernas e principalmente pela constatação de que a água havia chegado aos cartuchos de seus revólveres. Tarde demais o Pistoleiro percebe a criatura que o atacava, um ser que lembrava uma lagosta (daí ficando conhecida como Lagostrosidades), o ataca e em um instante fatal ele perde o dedão do pé e os dedos indicador e médio de sua mão direita. Após conseguir escapar começa a nova etapa desta jornada, a caminhada pela praia.


Ao longo da praia o pistoleiro encontra mais um mistério. Uma porta, flutuando a 30 centímetros acima do chão, onde se lê “O Prisioneiro” e na maçaneta o filigrama de um babuíno sorrindo (lembram-se da primeira carta do baralho do Homem de Preto?). Roland, já sentindo os efeitos da infecção causada pela perda dos dedos, abre a porta e após alguns choques, encontra-se dentro da mente de Eddie Dean, 23 anos, viciado em heroína, transportando cocaína para os Estados Unidos dos anos 70 (e na opinião deste que vos escreve o melhor personagem desta saga). Enquanto Roland tenta entender o mundo moderno e sua tecnologia (papel, tanto papel) ele entra em contato com Eddie e tenta auxiliá-lo na passagem da alfândega e pede a Eddie ajuda para conseguir coisas que de outra forma ele não conseguiria em seu próprio mundo. A relação dos dois está longe de ser amigável inicialmente e só piora depois que Eddie é puxado de vez para o mundo de Roland e nele fica preso. Eddie consegue levar um pouco de remédio para Roland, mas não o suficiente para tratar a infecção. Eddie por sua vez passa por uma reabilitação forçada contra o vício de heroína. 


Após algum tempo caminhando pela praia os dois chegam à segunda porta. “A Dama das Trevas”, ao abri-la Roland se vê dentro da mente de Odetta Holmes, mulher negra, militante dos direitos de pessoas negras vivendo na década de 50 nos Estados Unidos. Odetta anda em cadeiras de roda, por não possuir ambas as pernas do joelho para baixo. Roland observa Odetta roubar bijuterias dentro de uma loja e num impulso de intuição toma a frente e obriga Odetta a atravessar para o seu mundo e ao atravessar surpreende-se, pois a mulher que ele havia entrado na mente pela porta não era a mesma que estava na areia da praia com ele, pois Odetta era esquizofrênica e a pessoa na areia era Detta, seu alter ego, uma mulher violenta, enlouquecida e letal. Ao longo do caminhar na praia as personalidades se alteram e uma não possui conhecimento da outra. Odetta faz tudo que pode para ajudar o grupo, enquanto Detta tenta matar Roland e Eddie diversas vezes.


Em pouco tempo Eddie e Odetta se apaixonam e isso é determinante quando a doença de Roland se agrava e ele não consegue mais caminhar. Roland então dá um revolver para Eddie e o manda seguir em frente em busca da terceira porta que ele acredita que existe, deixe Odetta lá e volte para buscá-lo com a cadeira de rodas. Eddie segue com Odetta até encontrar a porta e ao deixar Odetta próxima à porta, ele decide deixar também o revólver de Roland para protegê-la contra um possível animal selvagem que possa aparecer.


Eddie retorna para um Roland completamente enfraquecido devido à infecção grave e o leva de volta para a 3º porta, porém Odetta no tempo em que ficou sozinha voltou a ser Detta e se escondeu com o revolver. Eddie tenta obrigar Roland a levá-lo junto de volta ao seu mundo, com a intenção de conseguir mais heroína, mas Roland não dá ouvidos as ameaças de Eddie e atravessa a terceira porta. “A Morte” (mas não para você Pistoleiro). Roland entra através da terceira porta na mente de Jack Mort, o homem responsável pela primeira morte do menino Jake, ele foi o homem que o empurrou na frente do cadillac e do acidente responsável pela esquizofrenia de Odetta e de como ela perdeu as pernas. Roland percebe que entrou na mente de Jack no momento que ele iria empurrar Jake para a primeira morte e o impede. Roland decide ignorar a consciência de Jack usar o corpo para conseguir tudo que quer sem se preocupar com o que acontece com o corpo. Roland consegue balas e medicação para sua infecção e num último gesto de vingança/justiça, pula com o corpo de Mort na frente do mesmo trem responsável por decepar as pernas de Odetta.


Durante esse tempo Detta esteve aguardando a exaustão tomar conta do corpo de Eddie e quando ele finalmente acaba caindo no sono Detta o ataca e o amarra de frente para o mar para que ele possa ver as lagostrosidades se aproximando para devorá-lo. Quando Roland se vira para voltar para seu mundo ele chama a atenção de Detta para que ela possa ver através dos olhos do pistoleiro o seu próprio corpo e, dessa forma Odetta e Detta se encaram e acabam por se unir, se tornando uma nova mulher, Susannah. Uma mulher com a força, determinação e ferocidade de Detta com a ternura e inteligência de Odetta. Roland percebe que irá precisar de aliados ao longo de sua missão e começa treinar Susannah e Eddie para se tornarem pistoleiros.


Esse livro é um dos melhores senão o melhor da saga A Torre Negra, possui um ritmo muito mais rápido que o primeiro livro, os personagens são muito bem caracterizados especialmente pelo modo de falar e se expressar (uma característica que Sthepen King coloca em todos seus livros). Os fatos deste livro impactam o futuro dos personagens de formas bem implícitas e em uma segunda leitura é possível ver como as peças se encaixam no grande plano do mundo do autor.


Afinal todas as coisas servem ao feixe.

RESENHA ESCRITA POR: EDUARDO REIS
Carioca, 27 anos, Analista de TI, Bibliófilo desde criança, fã de carteirinha de Cornwell e King.









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