quarta-feira, 19 de outubro de 2016

RESENHA: QUERIDO JOHN

SINOPSE: Quando John Tyree conhece Savannah Lynn Curtis, descobre estar pronto para recomeçar sua vida. Com um futuro sem grandes perspectivas, ele, um jovem rebelde, decide alistar-se no exército, após concluir o ensino médio. Durante sua licença, conhece a garota de seus sonhos, Savannah. A atração mútua cresce rapidamente e logo transforma-se em um tipo de amor que faz com que Savannah prometa esperá-lo concluir seus deveres militares. Porém ninguém previa o que estava para acontecer, os atentados de 11 de setembro mudariam suas vidas e do mundo todo. E assim como muitos homens e mulheres corajosos, John deveria escolher entre seu país e seu amor por Savannah. Agora, quando ele finalmente retorna para Carolina do Norte, ele descobre como o amor pode nos transformar de uma forma que jamais poderíamos imaginar.



A trama começa no ano de 2006, com John falando brevemente do seu presente e, através de suas lembranças, retornando para 2000, ano em que ele conheceu Savannah e viu sua vida mudar completamente. John Tyree tem 21 anos, cresceu em Wilmington, Carolina do Norte e após o abandono de sua mãe passou a viver sozinho com o pai. Na infância, a relação entre eles era boa e agradável, mas, com o tempo, os interesses de John foram mudando enquanto os do pai se mantinham os mesmos. Para ele, o comportamento estranho do velho se devia ao fato de não se importar com o filho, seu fascínio por moedas era considerado uma obsessão, mas na verdade havia muito mais nessa história, que John só pode descobrir anos depois.


Quando adolescente, John refletia em suas ações a relação complicada que mantinha com o pai. Ele foi um rapaz irresponsável e arredio. Após passar pelas várias fases da adolescência e levar um fora da antiga namorada, já sem muitas expectativas ou caminhos a trilhar e dois anos após concluir o ensino médio, John resolve se alistar no exército e assumir o controle de sua vida. No esquadrão ele fez bons amigos, conquistou uma posição respeitável, amadureceu e, principalmente, enfrentou grandes desafios. Em meio ao treinamento, o cumprimento de ordens e distante de confusões, o jovem problemático aos poucos se transforma. É durante seu período de licença naquele mesmo ano, que conhece Savannah Lynn Curtis, uma jovem dona de um grande coração e de um sorriso cativante, aquela que seria sempre a mulher dos seus sonhos.


Eles se conheceram de modo inusitado, quando a bolsa da jovem caíra na água de cima do cais e John mergulhara na água para buscar; a partir dali a atração ocorreu de forma mútua e ao mesmo tempo simples, uma vez que se passou dias antes que o primeiro beijo acontecesse. Duas semanas. Esse foi o tempo que tiveram para ficarem juntos e se apaixonarem. Savannah decide esperá-lo até que seu alistamento termine (ou seja, 1 ano), enquanto isso eles se mantêm conversando por cartas. Muita coisa acontece nesse meio tempo, mas até então tudo bem, pois a certeza de que John voltará para ficar é implacável. O que eles não contavam é que o período que o militante tivesse que concluir seus deveres no exército, chocasse com um dos piores atentados dos EUA, o 11 de Setembro. Será esse amor capaz de resistir por longos anos de separação? O que significa amar verdadeiramente uma pessoa? Essa é a pergunta que John se faz após enfrentar de tudo para ficar com a mulher da sua vida. O que a distância é capaz de fazer com um relacionamento? A paixão, o consolo, o carinho pode permanecer somente com a presença de cartas? “Querido John”, dizia a carta que partiu um coração e transformou duas vidas para sempre. O que você faria com uma carta que mudasse tudo?


O que mais gostei na leitura foi da narrativa de John. Ele é sincero na condução dos fatos, cativando o leitor com uma descrição verdadeira de seus medos, dos seus sonhos e de sua trajetória rumo ao amadurecimento. Gosto de pensar que a obra tem três grandes pilares: a descrição do amor entre John e Savannah, do relacionamento de John com o pai, e da descrição de uma perspectiva diferente sobre a guerra. Todos esses aspectos são parte do grande encanto da história, afinal eles colaboram para o crescimento do protagonista que, sem dúvida, é o principal enfoque da narrativa. 


Com relação à guerra, a realidade descrita é dura porque o personagem não fantasia seu papel no exército. Ele mostra a parte dolorosa e crítica de estar envolvido em uma guerra política, como também a parte angustiante de treinar para um missão de escala global. Foi doloroso e cruel acompanhar suas experiências. No quesito familiar, Sparks fala sobre o autismo e uma de suas variantes: A síndrome de Asperger,  algo pouco abordado no Brasil, mas muito comum nos Estados Unidos. Esse aspecto torna a relação entre John e seu pai delicada e deixa o processo de amor e aprendizado entre eles ainda mais bonito e tocante. É incrível acompanhar como eles, à luz do conhecimento sobre tal doença, estabelecem uma relação linda.


O desfecho do livro não foi o que eu esperava, entretanto gostei de como as coisas terminaram. Não é o típico final feliz, mas de certa forma é real e tocante. Com essa história o autor dá vida a um amor de sacrifícios, um amor que doa sem esperar nada em troca. – E não é exatamente esse o verdadeiro sentido de amar? Gostei mais do que esperava do livro. Achei a narrativa fluída, o John encantador e o final digno de uma bela história de amor. Diferentemente do esperado, não chorei litros e também não achei a trama extremamente melodramática. Muito pelo contrário, ela é simples e direta, trazendo à tona a capacidade do ser humano de se sacrificar em nome das pessoas amadas. E uma ressalva, não se baseie no filme, o final da adaptação é diferente do escrito pelo Sparks.


No livro, Savannah é MORENA e no filme, é LOIRA. E também tiraram seu perfil religioso. No livro, Tim, amigo de Savannah, não mora na mesma cidade onde John nasceu, mas ele, Savannah e um grupo de estudantes estão nessa cidade (Carolina do Norte) de férias, fazendo serviço voluntário que reside em construir casas para pessoas necessitadas. John não ajuda na construção no livro, no filme ele ajuda. John tem outra licença de 2 semanas antes de se alistar novamente, no filme ele tem apenas dois dias. No filme, o pai de John começou a colecionar moedas por causa dele, devido a um acontecimento quando ele ainda era pequeno. Mas no livro, o ato de colecionar moedas vem desde o avô do John e é algo que seu pai gostaria de passar adiante. E o livro também mostra bem mais a relação de John com o pai e como ela vai mudando aos poucos, o que achei o mais bonito da história toda. No filme isso passa de forma mais corrida. Não só isso, mas toda a história com a Savannah também, tanto antes quanto depois dela se casar. 


Alan é IRMÃO de Tim, no filme ele é FILHO de Tim. E Allan é o motivo da decisão de Savannah criar uma instituição que usa cavalos para ajudar no desenvolvimento de crianças autistas e não o pai de John, como mostra no filme. As cartas são completamente diferentes (Incluindo a última carta dela, antes dela se casar – e, no livro, esta foi a última carta que ela escreveu pra ele). No livro Tim não é tão velho quanto no filme. No final do filme não existe no livro (mas eu gostei!). Tim não morre. John vende as moedas do pai (Seis caixas grandes com moedas que estavam enterradas no fundo do quintal) para ajudar, anonimamente, no tratamento de Tim e isso faz com que Tim se recupere. E não tem nada daquela história da lua ser do tamanho do polegar...

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