segunda-feira, 7 de novembro de 2016

ENTREVISTA COM RENAN BARRETO, AUTOR DE VERNON

SINOPSE: Viver numa cidade em que todas as pessoas são felizes certamente não é algo comum. Em Vernon não há moradores de rua, a população vive tranquila e a vida parece perfeita. Mas o que poderia haver de errado em uma cidade em que tudo funciona? Um homem sem rosto, vestido de preto e com ares de entidade, espreita pelos cantos da cidade. Caberá a Marcelo, um jovem desacreditado da vida, enfrentar este arauto fúnebre, conhecido apenas como 'Cavaleiro'. Seu trabalho será impedir que o Demônio seja libertado de sua prisão eterna, que, segundo a lenda, estaria escondida sob o solo de Vernon, travando uma batalha que mistura fúria, vingança e redenção.


Como surgiu a ideia de escrever “Vernon”? A história começou a ser escrita quando publiquei meu primeiro livro "O Menino do Balão", em 2010. Publiquei os dois primeiros capítulos nesse compilado de contos e enquanto isso fui desenvolvendo o restante do roteiro. Vernon é o nome de uma cidade fictícia e macabra que desenhei no mangá Cidade da Morte, ainda na primeira versão em 2004. Foi apenas uma homenagem interna. No entanto, sempre gostei de trabalhar ideias de sociedades ditas perfeitas e qual é o sentido de estar feliz o tempo inteiro, se na vida real essa é uma constante inverídica e impossível, mas é uma busca frustrante que as pessoas têm em mente o tempo inteiro.

O que o leitor pode esperar de “Vernon”? Vernon é uma descoberta constante. A cada capítulo, o leitor aprende um pouco mais sobre a cidade e sobre a sociedade em questão. A proposta principal aqui é desenvolver um lugar que para o "forasteiro", o leitor, seja um lugar ameaçador, mas para os personagens inseridos no enredo, seja uma visão contrária a essa. Ler Vernon é um exercício de memória, é buscar a verdade a qualquer custo. O leitor pode esperar muita ação, filosofia e personagens cativantes.

Qual autor ou autora é seu preferido? Eles de alguma forma te inspiraram a escrever? Na verdade, tenho três autores preferidos: Anton Tchekhov, um russo maravilhoso; Edgar Alan Poe, com contos divertidos de ler e Stephen King. King é uma referência para mim, pois sempre fui fascinado pelo terror; mas minhas histórias não necessariamente são inspiradas nesses nomes, já que acabo tendo ideias bacanas ao ouvir uma canção, jogando um game, vendo um filme e até conversando com amigos. O importante para o escritor é observar o mundo ao seu redor, é buscar ouvir mais os colegas, é imaginar que aquele cara com boné velho que passou por você ontem pode ter um passado incrível e que tem tudo para ser o primeiro passo para uma aventura.

Se “Vernon” pudesse ter trilha sonora qual música você escolheria? Pois bem, eu indico algumas músicas dentro da história, mas no geral, acho que seria a obra completa de um ídolo meu: Akira Yamaoka. 
Você segue carreira apenas como escritor ou possui outra profissão? Eu sou jornalista, desenhista, professor e escritor. Nunca defini muito minha carreira. Sempre busquei fazer o que me desse mais prazer. Já fiz rádio, TV, impresso, trabalhei em sites e etc. Hoje faço a BGS, a maior feira de games da América Latina. É muito difícil, mas eu amo poder publicar meus livros e mangás. Venho do marketing, da comunicação e hoje me especializo em cinema. Mas se fosse dizer que tenho uma carreira, certamente diria: Eu sou escritor. 

Deixe uma mensagem para nossos leitores: A todos que amam escrever, escrevam. Não há nada pior para um escritor ou escritora que não produz, que não vê seu trabalho. Quando digo produzir, não me refiro a publicar livros como Stephen King, mas ir conduzindo suas obras. Pensou em algo que pode ser trabalhado com o tempo e lapidado em um livro? Escreva. Surgiu uma onda criativa às 2 da manhã? Escreva. Ouviu uma canção que pode ser o discurso de um dos seus personagens? Escreva. Aprendeu mais sobre a geografia de um lugar? Escreva. Não guarde sonhos na cabeça, ponha-os no papel, que em breve poderá ter um livro. Não duvide da qualidade da sua obra. Escreva. Sempre teremos dúvida se estamos produzindo algo legal. Escreva para você. Vender é importante, mas realize-se contando as histórias que desejar. Escrever é libertação e não prisão. O mercado brasileiro é um mercado difícil, mas não tenha dúvida de que poderá desenvolver um futuro bacana. Deixe as dúvidas para lá. O nosso trabalho melhora com o tempo. Suas próximas obras sempre terão menos erros e mais qualidade do que as anteriores. Escreva. Escreva sempre.

Renan Barreto tem 28 anos e mora em Niterói - RJ.

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