quarta-feira, 30 de novembro de 2016

RESENHA DO LEITOR: MAGÔNIA

SINOPSE: Uma fantasia original com ótimos personagens, complexidade emocional e um universo fantástico. Aza Ray nasceu com uma estranha doença incurável que faz com que o ato de respirar se torne mais difícil. Aos médicos só resta prescrever medicamentos fortes na esperança de mantê-la viva. Quando Aza vê um misterioso navio no céu, sua família acredita que são alucinações provocadas pelos efeitos do medicamento. Mas ela sabe que não está vendo coisas, escutou alguém chamar seu nome lá de cima, nas nuvens, onde existe uma terra mágica de navios voadores e onde Aza não é mais a frágil garota enferma. Em Magônia, ela não só pode respirar como cantar. Suas canções têm poderes transformadores e, através delas, Aza pode mudar o mundo abaixo das nuvens. Em uma brilhante e sensível estreia no gênero young adult, Maria Dahvana Headley constrói uma fantasia rica em nuances e cheia de simbolismo.


Aza Ray Boyle é uma garota com problemas para respirar. Mais do que isso, é como se o ar que entra em seus pulmões estivesse tentando afogá-la, mas esse é só o começo de sua historia. Depois de quinze anos de hospitais, consultas medicas e drogas experimentais, a última coisa que ela precisava era das alucinações. É comum crianças imaginarem, formas nas nuvens, o que não é nada comum é realmente ver um navio flutuando nelas. Coisas desse tipo só acontecem em alucinações, certo? Só pode ser efeito colateral dos milhares de remédios que ela tem que tomar para conseguir respirar. Mas Magônia não é uma alucinação, é bem real e agora Aza sabe disso. 


Um mundo inteiro acontecendo sobre as nuvens, escondido por baleias-tempestade e governado por navios e pessoas-pássaro. Apesar de ter crescido como uma afogada Aza Ray não é um deles, ela pertence ao reino dos céus e foi abençoada com uma voz capaz de destruir o mundo e construir outro sobre os destroços. Ela não é mais uma frágil e debilitada afogada, ela é uma magoniana poderosa e tem o destino do mundo em sua garganta. Ela só precisa descobrir onde sua lealdade esta, se é com a família de afogados que a criou e com o melhor amigo Jason ou com as pessoas-pássaro do navio celeste, com sua mãe biológica, o parceiro Dai e o seu pássaro-pulmão.


Com reflexões profundas e personagens encantadores, Magônia veio com uma história original e emocionante que não peca em aventura e ação. Aza Ray Boyle é uma garota com uma doença rara, tão rara que os pesquisadores batizaram a doença de Síndrome de Azaray. Apesar dos constantes prognósticos ruins ela sobreviveu por quinze anos e insiste em ter uma vida normal. Leitora assídua Aza é uma personagem inteligente e realista, mistura que não pode evitar criar uma personagem sarcástica. 


Ela é sensível e profunda em seus pensamentos. A morte é o Papai Noel do mundo adulto. Só que Papai Noel ao contrário. O cara que leva seus presentes embora, com seu grande saco por cima do ombro, subindo de volta pela chaminé, carregando tudo na vida de uma pessoa e saindo disparado do telhado com suas oito renas. Com o trenó passado de lembranças. Foi na escola primária que ela conheceu o melhor amigo Jason, ele apareceu fantasiado de jacaré na festa de aniversário dela e desde então eles são inseparáveis. Jason, assim como Aza, é um personagem complexo e único. Com quinze anos ele já é um empreendedor e uma das pessoas mais inteligentes que Aza conhece. Quando ela começa ter alucinações com navios navegando pelos céus é Jason que aparece com uma explicação convincente. 
- Magônia? - pergunto, sentindo-me estremecer. 
- É uma doença? Se for doença, não quero saber. Não estou com humor para estudar doenças. 
- MAGÔNIA, dizem todos eles. Caímos do céus, dos navios dos céus. 
Isso te lembra alguma coisa? Ela quer acreditar nele, acreditar que não está ficando louca, mas pessoas em navios do céu? Isso não existe, certo? Ela não tem tempo de descobrir por que o seu estado de saúde começa a se agravar e o pior acontece.


Jason não pode acreditar que perdeu a melhor amiga, não logo agora que estava se apaixonando por ela, não a amiga com quem decorou a sequência do número PI, não a amiga com quem podia usar tranquilamente código Morse e sabia que seria entendido. Ele não poderia ter perdido essa amiga, podia? E se sim, por que ele a está ouvindo chamar por ele? Por que essa luneta caiu do céu? Enquanto Jason tenta descobrir o que realmente aconteceu com sua melhor amiga, Aza acorda em um novo mundo. Ela tem que se acostumar com suas penas azuis e cabelos trançados em forma de conchas. Jason estava certo afinal, Magônia é real e Aza foi parar bem no meio dela. Enquanto luta para tentar entender seu passado, Aza descobre as maravilhas desse novo mundo, acompanhada de Zal, sua mãe biológica e do mal humorado Dai, o imediato do navio. Zal é uma capitã poderosa e imponente devastada pela perda da filha há tantos anos atrás. Ela comanda o navio com mãos de ferro, enquanto arquiteta um plano para melhorar a debilitada situação de Magônia. Enquanto faz isso ela encarrega o seu imediato de ensinar Aza a cantar. 


Aza e Dai não são exatamente amigos, mas tem uma conexão forte. Nascidos para cantar juntos a canção do Novo Mundo. Aza não consegue gostar dele, apesar de que para alguém que é meio pássaro, Dai é um ser muito bonito. Com batalhas impressionantes onde a voz é a única arma a história toma seu curso basicamente sozinha e enquanto Jason viaja o mundo seguindo tempestades estranhas para achar a melhor amiga, Aza aprende a controlar sua voz e junto com Dai ela se torna cada vez mais poderosa. A história me encantou desde o início por ter personagens incomuns com visões tão diferentes sobre os conceitos de vida e morte que geralmente nos são apresentados. O livro tem uma narrativa original e a maneira como o romance se enlaça com a aventura é completamente apaixonante. Espero que gostem!


VITAMINAS:



RESENHA ESCRITA POR: CAROLINA SIQUEIRA
Carol Siqueira, 20 anos, é estudante de Odontologia pela Universidade Positivo e quando não está deixado o sorriso das pessoas mais bonito, ela passa seu tempo lendo histórias sobre criaturas mágicas, que eventualmente se apaixonam, ou escrevendo algum resumo bobo na varanda de sua casa e não perde a oportunidade de adicionar mais um livro a sua coleção de preferidos.

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