terça-feira, 8 de novembro de 2016

RESENHA DO LEITOR: VENENO

SINOPSE: Veneno é o primeiro livro da trilogia Encantadas, e já é um best-seller inglês. Sarah Pinborough coloca os contos de fadas de ponta-cabeça e narra histórias surpreendentes que a Disney jamais ousaria contar. Com um realismo cínico e cenas fortes, o leitor será levado a questionar, finalmente, quem são os mocinhos e quem são os vilões dos livros de fantasia!


Quando eu li “Repense seus vilões” pensei que finalmente eu encontraria um livro o qual elevasse ou explorasse a visão dos vilões de um modo delicioso, que me prendesse, que me fizesse ter certeza que sim, os vilões merecem seus espaços nos contos, e que, claro seria muito surpreendido. Mas não aconteceu. O primeiro livro da Sarah é uma releitura de Branca de Neve sem muita emoção ou algo que possa ser considerado “novo”. A rainha continua “rainha” – invejosa, pretenciosa, e, diferentemente de outras releituras, bem fraca. Não posso considerá-la “má”, porque, infelizmente, ela não é. 


Branca de Neve também foi criada de um jeito chato, sem nenhuma graça, ou alguma característica a qual me fizesse torcer por sua felicidade. O “espirito aventureiro” que assisti e li em algumas resenhas sobre ela, na verdade, pra mim, não existe. Suas atitudes têm certa ousadia, mas nada que possa ser considerado como uma “jovem a frente do seu tempo”. Exagero a parte. Como todo conto de Branca de Neve, a tal é caçada pela Rainha que quer matá-la. Nesse momento é onde aparece o comentado Caçador. Pelo o que eu tinha lido/ouvido imaginei que seria esse o grande personagem por quem eu torceria, e colocaria como “o personagem que salvou o livro”. – porém... Ele me fez lembrar muito o caçador de um filme sobre Branca de Neve que assisti. Bem parecido. Como se a escritora o tivesse criado depois que assistiu o filme também.


Não há nada de incrível, exuberante ou qualquer outra palavra que possa engrandecê-lo do modo como ouvia/li falar. É um caçador, na figura de um homem mais rústico, quem usa de suas artimanhas e acaba fazendo sexo com a Rainha e Branca de Neve. Mas espere, antes que pense, essas cenas são descritas de um jeito simples, tão simples que passa quase despercebido. Não são cenas tão fortes assim ao ponto de me sentir como se estivesse assistindo a um filme erótico (o que também não acontece em 50 tons de Cinza). Então, após ser contratado pela Rainha para matar Branca de Neve, o Caçador sente atraído pela garota e não a mata.


Branca de Neve conhece os sete anões enfim. O que mais me incomoda nesse momento do livro é o fato de ser SETE anões, mas no livro, o que dá a entender, é que existem apenas 3 ou 4. Os outros literalmente só fazem número no livro. Não falam, não interagem, ou seja, não existem. Isso me irritou muito. Todos os anões têm características diferentes e muito interessantes, que deveriam ser sim exploradas conforme o livro fosse sendo escrito. O que não acontece, infelizmente. A escritora escolheu os mais “famosos”, os quais ela julgou assim, e os outros foram ignorados. Foram ignorados também outros pontos importantes do conto de Branca de Neve, misturando personagens de outros contos que, pra mim, não houve necessidade, apenas criou mais páginas para serem lidas. Desnecessariamente.


Chegamos quase no fim do livro e ainda esperando que “Repense sobre vilões” surgiria de um jeito surpreendente que me fizesse pensar: “Uau, valeu a pena ler esse livro”. Desisti quando conheci o Príncipe Encantado. Personagem simples, sem nenhuma novidade, quem se apaixona por Branca de Neve e pretende levá-la para morar em seu castelo após casarem. O fato de o Príncipe tomar uma decisão radical no fim do livro, e, talvez, um tanto criativo, confesso, não o transforma em um dos “melhores livros do ano” como foi tanto comentado. Não pra mim. Concluo pensando que faltou mais, bem mais. A capa, a sinopse, as chamadas e outros fatores, ajudaram a vender uma história que, no fim, decepcionou, sendo apenas mais um livro de conto de fadas. Ainda estou no aguardo do “tal” livro onde os vilões serão muito bem representados. Veneno, de Sarah Pinborough, passou longe de ser este tal. 

VITAMINAS:



RESENHA ESCRITA POR: TIAGU REIS

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