quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

ENTREVISTA COM E. ANJOS, AUTOR DE RUÍDOS BRANCOS

SINOPSE: Ele fede. Usa roupas rasgadas e um chapéu cobrindo as rugas da testa. Ele carrega um saco nas costas com seu passado dentro. Mas isso não importa. Ninguém sabe. Seus passos pesados levantam a poeira que dura e perturba por anos; até que a inocência deixe de existir. Ele não dorme; as vozes não deixam. São ruídos que o mandam fazer coisas. Ruídos são sons indefinidos sobre memórias borradas e vontade de silêncio. Ele sequestra crianças. As matam. Ele se tornou um assassino. E os ruídos se tornaram brancos. Tome cuidado quando sair sozinho. Tome cuidado com o Velho.


Como surgiu a ideia de escrever "Ruídos Brancos"? Então, eu moro no interior do Nordeste, aqui o que não faltam são lendas populares e a do Velho do Saco é uma das mais fortes. Hoje em dia talvez a lenda não seja tão “eficaz” quanto antes, mas na minha infância, era muito fácil ter medo de um homem velho e sujo que carregava um saco nas costas para raptar crianças desobedientes, enganando-as com doces e brinquedos! Essa possibilidade ainda é assustadora, mas as crianças hoje em dia são bem mais espertas! Suspense e terror é meu gênero preferido desde sempre, é sobre isso que eu gosto de ler e escrever e entre escritos e rascunhos de outras histórias, simplesmente surgiu a vontade de escrever algo sobre o Velho do Saco, esse fantasma que fez parte da infância de muita gente e que apesar de ser uma história que roda o mundo, o Nordeste a enfeitou com suas características e a cravou na cultura local. A lenda em si já é cheia de medo, eu só precisava contá-la de um jeito diferente, porém eu não fazia ideia do rumo que a história teria além de ter o Velho como um dos personagens, então peguei essa vontade de escrever sobre ele e deixei guardada por um tempo. Em todas as minhas histórias, a mensagem principal que tento passar é sempre de que nada acontece por acaso, tudo tem uma razão, um motivo. Com “Ruídos Brancos” não podia ser diferente e foi sobre isso que a ideia foi se moldando sem pretensão nenhuma por alguns meses. Então eu já sabia que a história seria um conto bem curto, algumas características também já estavam definidas e qual o tom de terror que iria ter, mas o roteiro em si, completo, do começo ao fim, surgiu mesmo numa tarde em que eu assistia ao capítulo de uma novela e num acontecimento bem marcante da trama começou a tocar uma música. Foi ouvindo essa música (que dá título ao epílogo do conto) que a história publicada de “Ruídos Brancos” nasceu! Eu sempre falo que peguei o Velho e toda sua lenda, quebrei em cacos e remontei tudo em cima do motivo que o transformou na figura macabra que todo mundo conhece. 

Quanto tempo demorou para a história ficar pronta? Desde o nascimento da ideia, o tempo que passei fermentando ela na mente, até o ponto final da história já pronta, algo em torno de seis meses. Mas escrevendo mesmo foi muito rápido, talvez uma semana. Eu geralmente não gosto de imediato dos meus escritos, ou quando gosto, logo passo a desgostar (kkk), mas quando acabei de escrever “Ruídos Brancos” eu pensei: Nossa, isso ficou legal! Hoje em dia sinto muito carinho pelo que consegui fazer com a lenda do Velho.

O que o leitor pode esperar de "Ruídos Brancos"? “Ruídos Brancos” fala sobre pessoas perturbadas mentalmente e que buscam meios para acalmar essas inquietações, sejam eles legais ou não. Então o conto tá cheio de peças soltas, detalhes mal contados e muita coisa escondida nas entrelinhas de cada personagem. Algumas dessas peças se encaixam, alguns detalhes fazem sentido, o resto fica disposto para a mente do leitor usar a história do jeito que mais o deixar satisfeito.
Qual autor ou autora é seu preferido? Eles de alguma maneira te inspiraram a escrever? Eu sempre uso a Becca Fitzpatrick (autora da série “Hush Hush”) como referência nas minhas histórias. Não diria que ela é minha autora preferida, mas a mulher consegue descrever ambientes sombrios de um jeito fascinante!

Se "Ruídos Brancos" pudesse ter uma trilha sonora qual música você escolheria? Como falei, o conto nasceu a partir de uma música. “Na Primeira Manhã”, na versão da Mônica Salmaso. A canção sem dúvida é o fio condutor e resume muito bem o que a história de “Ruídos Brancos” conta.
Você segue carreira apenas como escritor ou tem outra profissão? Começar a escrever minhas próprias histórias foi uma das consequência do hábito da leitura. Acho que mais cedo ou mais tarde esse interesse aparece em todo mundo. Comigo essas histórias escritas são só um hobbie, e é justamente por isso que eu gosto tanto e pretendo deixar assim. Atualmente minha profissão é viver tentando entrar na Universidade Federal mesmo!

Deixe uma mensagem para nossos leitores: Primeiro obrigado pelo convite à entrevista. Obrigado a todos que leram, talvez eu fale um pouco demais, então obrigado de novo por ter lido tudo! Espero que fiquem curiosos para ler “Ruídos Brancos” e adoraria ver os comentários de vocês sobre o conto lá no Wattpad! Um grande abraço e até a próxima!

E. Anjos tem 20 anos e mora em Atalaia - AL.

PARA LER "RUÍDOS BRANCOS" CLIQUE AQUI!

6 comentários:

  1. Um ótimo conto. Surpreendente, com uma linguagem diferenciada e um toque lírico interessante.

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  2. Que coisa linda! Mais uma vez obrigado pelo convite! Minha internet tava péssima na semana passada, quando a entrevista foi publicada. Divulgarei agora, em todos os lugares possíveis!!! <3

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  3. Sou fã desse garoto!! Te amo, amigo! Amei ler!!!

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  4. Parabéns Eduardo, você é um grande literário.

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