sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

ENTREVISTA COM OTAVIANO LACET, AUTOR DE O ONIRONAUTA

SINOPSE: “Entre a realidade e o Sonhar surgia uma terceira força... Capaz de destroçar a ambas”. Permita-se adentrar numa jornada épica através de um universo escondido nos sonhos da consciência humana. Dotado de mundos e seres incríveis, heróis improváveis e poderosas forças em plena guerra deflagrada, essa combinação explosiva promete dar ao leitor uma experiência única a ser vivida num só fôlego! Junto com Aziz Mandral, um jovem jornalista frustrado e falido, desvele os segredos oníricos de uma realidade que só pode ser vista de olhos fechados. Viaje com ele através de ‘sonhos lúcidos’ regados a muito rock n’ roll, confusões e autodescobertas, tudo isso mesclado a uma dose de humor franco que irá lhe cativar do início ao fim. Viva um mundo onde o tempo não é mais do que uma peça a ser moldada por mãos habilidosas, como as de Kazuo – O Cartógrafo dos Sonhos. E, se você ainda estiver de olhos fechados, se inebrie com as confusas aventuras de Seiji Miura: um mercenário e monge guerreiro das florestas do Monte Ōmine que lhe conduzirá por trilhas, no mínimo, alucinantes! Mas não se deixe iludir pelos encantos do mundo onírico e nem assobie tão alto canções despreocupadas, meu querido Onironauta... Pois aqui nunca se sabe o que nos espreita por detrás do negrume da noite. Saiba que onde a relva escasseia as areias escaldantes têm início – e o termo ‘pesadelo’ ganha novos significados... Sim, uma vida inteira numa noite apenas... Esta é a proposta, nada menos. Mas você não é um covarde, não é mesmo?! Então durma agora: você está desafiado a se deixar conquistar!


Como surgiu a ideia de escrever "O Onironauta”? Alguns anos atrás assisti ao filme “Waking Life”, do diretor Richard Linklater, e me deparei com o conceito de “sonhos lúcidos”. Curioso, procurei me aprofundar em pesquisas sobre o tema, no que acabei encontrando não apenas uma vasta gama de livros e pesquisas científicas a respeito, mas também uma gigantesca comunidade literalmente vivendo mil e uma aventuras no mundo dos sonhos (sendo estes os verdadeiros “onironautas”). A partir daí surgiu a ideia de criar uma história, dentro do estilo “ficção fantástica”, cujo o enredo se passasse entre o mundo desperto e o dos sonhos, com mesclas de outros elementos igualmente inusitados (como rock n’ roll, mitologia japonesa, anti-heróis, donzelas ácidas e pitadas de humor franco). Detalhe: "O Onironauta" foi planejado para ser uma trilogia, sendo o primeiro volume subintitulado de “Devaneio”, o segundo de “Quimera” e o terceiro “Despertar”, havendo ainda o projeto de um livro paralelo, a partir de um personagem secundário da trama, que tem o título provisório de “Sagas ébrias de Seiji Miura”.

Quanto tempo demorou para a história ficar pronta? Cerca de nove meses, aproximadamente. O processo de composição inicial foi mais demorado, pois eu ainda necessitava me desvencilhar de outros projetos para então me dedicar exclusivamente. Uma vez que isso foi possível, tudo fluiu de maneira disciplinada, natural e contínua. Aliás, o trajeto até a finalização foi uma verdadeira escola neste sentido.

O que o leitor pode esperar de "O Onironauta”? Uma trilogia com um enredo verdadeiramente apaixonante, divertido e acreditem: até mesmo dançante! Sim, pois além de conduzir o leitor a uma aventura épica entre o nosso mundo e o onírico, cruzando caminhos com a mitologia japonesa, heróis improváveis e elementos os mais inusitados, a história também passeia pelas trilhas tortas do rock n’ roll em suas mais diversas faces: indo do clássico ao punk rock, do hippie sessentista ao heavy metal (e ainda flertando com a música eletrônica). Esqueça as bibliotecas silenciosas, pois definitivamente este é um livro com “trilha sonora” – e do tipo que se ouve no talo! Bibliotecárias: tremei! (risos!)

Qual autor ou autora é seu preferido? Eles de alguma maneira te inspiraram a escrever? Tenho dois autores que são, igualmente, os meus preferidos: Ernest Hemingway e José Lins do Rêgo. Com este último descobri o prazer da leitura, a ansiedade por chegar logo em casa para mergulhar em mais um capítulo, a beleza acessível contida no ato de se retirar para ‘outros mundos’ com um simples passar de folhas. Já Hemingway, além disso tudo, me desafiou a escrever mais e melhor, buscando profundidade na construção de personagens e cenários, a ter disciplina e regularidade em relação ao ato da escrita. Mais recentemente, como autor de ficção fantástica, também tenho sido influenciado pelos trabalhos de escritores como Patrick Rothfuss, Scott Lynch, Neil Gaiman e Robert Jordan.

Se "O Onironauta" pudesse ter uma trilha sonora qual música você escolheria? “The Wicker Man”, do álbum “Brave New World”, do Iron Maiden.
Você segue carreira apenas como escritor ou tem outra profissão? Sou jornalista e professor universitário por formação, mas atualmente (e definitivamente!). Sou escritor profissional em tempo integral. Desde o começo da adolescência venho gestando o sonho de seguir esta carreira, mas fui adiando em nome de outras necessidades, planos, conveniências e distrações (o famoso “ouro de tolo”...). Até que, prestes a entrar em outro projeto que nada tinha a ver com a literatura, fui chamado à razão pela minha esposa: “até quando você vai adiar o seu sonho?” E a partir daí decidi parar tudo e apostar todas as fichas em nome de concretizá-lo, entregando-me 100%. Não foi uma decisão fácil de ser tomada e menos ainda de ser mantida, mas valeu totalmente a pena. Concluí o livro da maneira que eu queria e saí em busca de editoras interessadas em publicá-lo, encontrando então a Trairy Books (selo da CJA Edições) que apostou integralmente no projeto e proporcionou todo o apoio que eu necessitava como autor. Hoje me sinto completamente realizado profissional e pessoalmente falando.

Deixe uma mensagem para nossos leitores: A leitura e a escrita devem ser uma extensão de quem somos, de nossa essência propriamente dita. Escolher um livro, seja para escrevê-lo ou torná-lo uma leitura, é também escalar companheiros de longos dias e momentos, com os quais dividiremos o prazer de uma boa conversa. Sim, pois os livros dialogam com seus leitores e autores, trazendo à tona sentimentos os mais plurais e fazendo a ponte para que cheguemos até eles. Por isso, aos que estão se iniciando no caminho da escrita, digo: não desistam, persistam, acreditem no projeto e não parem até vê-lo concluído, não fazendo concessões aos obstáculos que surgirem. Pesquisem as histórias reais dos seus autores preferidos e verão que eles também tiveram seus “desertos” a serem cruzados, mas os venceram por terem persistido. Aos queridos leitores aconselho: mantenham a paixão pela literatura e nunca parem de descobrir novos mundos através dela, pois lhes garanto: nenhum deles jamais passará pela sua vida sem deixar algo. Receba!

Otaviano Lacet tem 39 anos e mora em Natal - RN

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