quinta-feira, 9 de março de 2017

RESENHA DO LEITOR: A FÚRIA E A AURORA

SINOPSE: Personagem central da história, a jovem Sherazade se candidata ao posto de noiva de Khalid Ibn Al-Rashid, o rei de Khorasan, de 18 anos de idade, considerado um monstro pelos moradores da cidade por ele governada. Casando-se todos os dias com uma mulher diferente, o califa degola as eleitas a cada amanhecer. Depois de uma fila de garotas assassinadas no castelo, e inúmeras famílias desoladas, Sherazade perde uma de suas melhores amigas, Shiva, uma das vítimas fatais de Khalid. Em nome da forte amizade entre ambas, Sherazade planeja uma vingança para colocar fim às atrocidades do atual reinado. Noite após noite, Sherazade seduz o rei, tecendo histórias que encantam e que garantem sua sobrevivência, embora saiba que cada aurora pode ser a sua última. De maneira inesperada, no entanto, passa a enxergar outras situações e realidades nas quais vive um rei com um coração atormentado. Apaixonada, a heroína da história entra em conflito ao encarar seu próprio arrebatamento como uma traição imperdoável à amiga. Apesar de não ter perdido a coragem de fazer justiça, de tirar a vida de Khalid em honra às mulheres mortas, Sherazade empreende a missão de desvendar os segredos escondidos nos imensos corredores do palácio de mármore e pedra e em cenários mágicos em meio ao deserto.


A Fúria E A Aurora roubou meu coração de leitora apaixonada com uma frase e quando comprei o livro não me decepcionei com a história. Entre as areias do deserto e palácios feitos de joias é impossível não ficar preso à história do começo ao fim. Sherazade Al-Khayzuran só tem um desejo em seu coração: vingar a morte da melhor amiga custe o que custar. A cidade de Rey é governada por um monstro chamado Khalid Ibn Al-Rashid, califa de Korasan e Rei dos Reis. A cada noite o califa se casa com uma garota aleatória de Rey e a cada manhã ele ordena sua morte. Shiva, a melhor amiga de Sherazade foi sua última vítima. Nessa releitura apaixonante do conto As Mil e Uma Noites, nós aprendemos que a verdade nem sempre é tão simples quanto parece e que Vingança não traz de volta o que foi perdido. Para conseguir a vingança que deseja, Sherazade precisa conhecer seu inimigo, entender seus hábitos e estar próxima a ele, então ela se voluntaria ser sua esposa, apesar de não ter nenhuma intenção de morrer com o nascer da próxima aurora.


— Esposa. Ele balançou a cabeça.
— Meu rei.
Viverei para ver o por do sol amanha. Não se deixe enganar. Juro que viverei para ver tantos pores do sol quanto for necessario.
E eu o matarei.
Com as minhas próprias mãos.

Entretanto, para colocar seu plano em prática Sherazade precisa sobreviver a sua primeira noite. O califa é um homem quieto, introspectivo, curioso e enganá-lo não é nem de longe uma tarefa tão simples quanto ela achou que seria. Ele quer descobrir o porquê dela ter se voluntariado e porque a família dela fugiu da cidade naquele mesmo dia. Apesar de não ter nenhuma intenção de revelar seus segredos a Khalid, Sherazade propõe um jogo. Ela diz que quer lhe contar uma história e se ele ouvi-la até o final ela responderá todas as suas perguntas. O califa aceita e a garota começa o conto de Agib, o melhor ladrão de Bagdá. No decorrer da noite ela narra para o menino-rei as historias de como a vida desse ladrão fica cada vez mais complicada à medida que seus roubos ficam mais ousados. Quando a aurora se ergue no céu, a saudosa e brilhante Sherazade para seu conto e espera pelo seu destino.


— Você pode terminar a história. Ele disse. Sherazade repirou com cuidado.
— Receio que isso não seja possível sayyidi, eu mal comecei a historia.
— Termine a história, Sherazade.
— Não.
Ele se levantou com um giro gracioso.
— Então esse era seu plano o tempo todo? Uma tática para retardar sua execução? Começar uma historia que não tinha a menor intenção de terminar. [...] Você disse que entendia que sua vida estava condenada. Isso estava claro desde o princípio.
Sherazade se levantou, endireitou os ombros e ergueu o queixo pontudo.
— A vida de todos está condenada sayyidi. É apenas uma questão de tempo. E eu gostaria de viver mais um dia. 

Apesar de não ser conhecido por sua misericórdia com suas esposas, o califa concede a Sherazade mais um dia de vida, pois apesar de tudo, ele deseja saber quais segredos ela esconde. Sherazade por outro lado, mal tem tempo para comemorar sua pequena vitória e logo se dá conta que seus dias no palácio não serão nada fáceis, ela tem uma espiã como camareira e um monstruoso guarda-costas, que por sinal é o melhor espadachim de Rey. Após sobreviver a sua primeira noite, ela e sua camareira Despina, vão ao campo de tiro ao alvo onde a garota conhece Jalal, o capitão da guarda e também primo de Khalid. Apesar de ser uma excelente arqueira ela finge não dominar a arte do arco e flecha e pede ao capitão da guarda para ensiná-la. Para sobreviver no palácio ela tem que parecer inofensiva e fazer alianças com pessoas que possa garantir essa segurança também é indispensável. 


Jalal é engraçado e mulherengo, oposto do primo frio e assassino que tem e Sherazade tenta arrancar dele a verdade sobre o caráter de seu primo, mas o capitão da guarda também é esperto e inteligente e está longe de cair nos jogos da nova rainha. Mas ela consegue mais informações a repeito de seu inimigo, o rei de Korasan é o segundo melhor espadachim do reino e não depende de ninguém para estar protegido. O que só faz a tarefa de matá-lo ainda mais difícil, o califa é atento a tudo e cada um dos movimentos dela é registrado por ele. Ao cair da noite ela se prepara para um novo encontro com o mostro de seus pesadelos e tenta conter seus nervos, sobreviver uma noite foi um desafio, mas sobreviver à segunda pode ser muito mais difícil. 

— Não me toque! Berrou ela. Quando outro guarda lhe agarrou pelo ombro Sherazade lhe deu um tapa na mão tentando afastá-lo. A voz dela tinha uma nota de pânico e não sabendo o que fazer ela focou seus olhos em seu inimigo.Os olhos de tigre dele estavam...úmidos.
Cautela.                               
E depois?
Calma
— General Al-Khoury?
— Sim, sayyidi.
— Eu gostaria de te apresentar a montanha de Adamant.
— Mas, sayyidy... Eu não entendo. Você não pode... O califa se virou para encarar o shahrban.
— Você esta certo, general. Você não entende. E pode ser que nunca entenda. Mas mesmo assim eu gostaria de lhe apresentar a montanha de Adamant.
O califa olhou para Sherazade, um leve sorriso brincando em seus lábios.
— Minha rainha. 


Depois de conquistar duas noites de vida, a terceira não veio com tanta facilidade, pela primeira vez ela esteve realmente perto da morte com uma corda de seda amarrada a seu pescoço, mas o califa não estava pronto para desistir dela, não ainda. Após ser salva pelo marido e ter seu chá envenenado a garota percebe, tardiamente, que sua morte não depende mais da ordem do califa e que por alguma razão alguém deseja matá-la. Com os mistérios a sua volta ficando cada vez mais complicados, ela começa a se sentir perdida principalmente depois de descobrir que o califa decretou que qualquer ameaça a vida dela seria considerada como uma ameaça à vida dele: o rei dos reis. Em meio a descobertas vorazes, vingança não é mais a única coisa que mantém Sherazade no palácio, ela anseia pela presença do califa e por sua atenção, depois de descobrir um pouco sobre o passado de Khalid e os horrores de sua infância ela deseja acreditar que ele não é apenas um monstro homicida que mata uma noiva a cada aurora por puro prazer. O objetivo dela agora é outro, ela precisa descobrir o porquê das mortes e quais outros segredos as paredes de pedra e areia do palácio escondem. 

— Como ousa dizer isso para mim? Ela sussurrou
— Eu? Isso não foi culpa minha! Foi sua!
— Você e esse seu temperamento, Khalid!
— Você e essa sua boca, Shazi.
— Errado seu miserável desajeitado!
— Viu? Essa boca. — Ele se aproximou e passou o polegar nos lábios dela [...] — O que você esta fazendo comigo sua praga?
— Se sou uma praga você devia se manter a distancia, a não ser que planeje ser destruído. Com a arma ainda nas mãos ela o empurrou.
— Não. —As mãos agora na sua cintura. — Me destrua.


Mas apesar de ter o coração capturado pelo complexo e danificado califa ela ainda não desistiu de descobrir seus segredos. E entre tanto ela não é a única querendo vingança. Nos cantos mais remotos de Rey os amigos e a família de Sherazade planejam um levante contra o rei e querem resgatá-la. O povo, com ódio pelo rei que assassinou uma de suas filhas a cada aurora está disposto a lutar para se ver livre das mortes e eles não sabem o segredo, diferente de Sherazade eles não tem como saber qual a necessidade de Khalid de matar suas esposas. E agora ela sabe, uma maldição foi colocada sobre o reino e sem os sacrifícios a cada aurora toda Korasan corre o risco de perecer. Sherazade que sempre lutou por sua amiga e por sua vingança, agora precisa lutar para manter seu reino intacto e o homem que ama vivo, o que parece ser uma tarefa muito mais complicada que matar o rei.

— Uma centena de vidas por aquela que você tirou.Uma vida a cada aurora. Se falhar uma única vez, eu arrancarei seus sonhos. Vou tirar sua cidade de você. E lhe subtrairei essas vidas milhares de vezes.

Uma heroína forte, com uma teimosia irritante e um humor delicioso. Rico em detalhes e com personagens vivos e adoráveis são os ingredientes que fazem de A Fúria E A Aurora um livro perfeito para quem gosta de romance e aventura sem perder aquela pitada de suspense e mistério que te impede de largar o livro por um segundo se quer. No último dia 28, o segundo e último volume da série, A Rosa E A Adaga, foi lançado e eu mal posso esperar para ver como essa história acaba. 

VITAMINAS:



RESENHA ESCRITA POR: CAROLINA SIQUEIRA
Carol Siqueira, 20 anos, é estudante de Odontologia pela Universidade Positivo e quando não está deixado o sorriso das pessoas mais bonito, ela passa seu tempo lendo histórias sobre criaturas mágicas, que eventualmente se apaixonam, ou escrevendo algum resumo bobo na varanda de sua casa e não perde a oportunidade de adicionar mais um livro a sua coleção de preferidos.

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