quarta-feira, 8 de março de 2017

RESENHA: LEGEND

SINOPSE: Ambientado na cidade de Los Angeles em 2130 D.C., na atual República da América, conta a história de um rapaz – o criminoso mais procurado do país – e de uma jovem – a pupila mais promissora da República –, cujos caminhos se cruzam quando o irmão desta é assassinado e a ela cabe a tarefa de capturar o responsável pelo crime. No entanto, a verdade que os dois desvendarão se tornará uma lenda. O que outrora foi o oeste dos Estados Unidos é agora o lar da República, uma nação eternamente em guerra com seus vizinhos. Nascida em uma família de elite em um dos mais ricos setores da República, June é uma garota prodígio de 15 anos que está sendo preparada para o sucesso nos mais altos círculos militares da República. Nascido nas favelas, Day, de 15 anos, é o criminoso mais procurado do país; porém, suas motivações parecem não ser tão mal-intencionadas assim. De mundos diferentes, June e Day não têm motivos para se cruzarem – até o dia em que o irmão de June, Metias, é assassinado e Day se torna o principal suspeito. Preso num grande jogo de gato e rato, Day luta pela sobrevivência da sua família, enquanto June procura vingar a morte de Metias. Mas, em uma chocante reviravolta, os dois descobrem a verdade sobre o que realmente os uniu e sobre até onde seu país irá para manter seus segredos.



Legend é uma distopia e como tal, se passa em um futuro pós-apocalítico. O nível dos oceanos ao redor do planeta subiu drasticamente, causando a perda de praticamente metade da porção de terra mundial. Países litorâneos desapareceram debaixo da água, e alguns continentes chegaram a perder dois terços de seus territórios. Os EUA teve sua maior perda na costa leste, e um pouco da costa oeste. O caos se instaurou no país, e a rixa entre regiões norte-americanas aflorou, fazendo com que o país se dividisse em duas nações distintas: a República da América (costa oeste), e as Colônias da América (costa leste). A história se passa na República, país que vive sob um regime de ditadura militar, por conta da disputa com as Colônias. O principal regente do governo é o Primeiro Eleitor, um ditador clássico, que governa com o apoio do Senado. As diferenças das classes sociais é um imenso abismo, as cidades são divididas por setores de famílias ricas e pobres. As famílias pobres vivem em condições sub-humanas, e claro que não podem manifestar nenhum tipo de protesto contra o governo. A educação das crianças até os 10 anos de idade são de responsabilidade dos pais, quando atingem essa idade, as crianças passam por um avaliação chamada a Prova. 


Quem vai muito bem é encaminhado as melhores escolas de ensino médio, e posteriormente, as melhores faculdades, onde serão instruídos de forma que ocuparão as mais altas patentes do Exército; quem tira uma nota de média a boa, consegue também terminar os estudos na escola e na faculdade, e provavelmente serão subordinados dos que tiveram melhor nota; quem se sai com uma nota de razoável a média, é impedido de ingressar a faculdade, será encaminhado para escolas técnicas, onde aprenderão a fazer trabalhos braçais, e que são menosprezados; e finalmente quem é reprovado é enviado a fronteira com as Colônias, para servir aos soldados que estão na guerra. Como se não bastasse toda a dificuldade para os pobres, uma epidemia horrível e degenerativa paira sobre muitos bairros pobres do país. 


Day, um dos personagens principais, é de família pobre. Foi reprovado na prova, mas conseguiu escapar e vive nas ruas de Los Angeles. Ele se mantém da forma que pode tendo que cometer crimes e em pouco tempo ele se torna o criminoso mais procurado da República aos 15 anos. June, também de 15 anos, foi a única na história da Prova a tirar nota máxima, portanto, é considerada o maior prodígio da República. Ela é de uma família rica e vive com seu irmão mais velho que é Capitão de uma das frotas de Los Angeles. Em circunstâncias normais June e Day jamais se encontrariam, mas uma catástrofe na vida de June, faz com que o caminho de ambos se cruzem e juntos eles passam por inúmeros perigos. Eles se infiltram no sistema militar do país, e descobrem os atos horrendos que conduzem as leis, e como isso afetou a vidas de suas famílias diretamente.


Tem governo totalitário e controlador? Tem! Militares poderosos e idiotas? Tem! Uma trama secreta que os protagonistas não sabem? Tem! Uma doença perigosa que pode acabar com todos? Tem! Casal fofo que corre o risco de nunca poder ficar junto? Tem também! Como já disse, todos os elementos das distopias mais famosas do mundo estão aí. E essa poderia passar despercebida, ser só mais uma… Mas não é! A autora transformou o relacionamento em um pano de fundo que não ofuscasse a real preocupação de passar uma mensagem, uma crítica social. Mas de nenhuma forma isso deixou o relacionamento entre June e Day menos envolvente. Day é esperto, carismático, bondoso, com uma coragem única, super cativante e não tem como não se emocionar com sua falta de sorte e a maneira como foi separado de sua família. June por sua vez tem aquele ar de menina mulher encantador, é inteligente, linda, também possui uma coragem acima do normal, uma 'bad ass' super treinada e muitas vezes fria. O jeito como ela clinicamente analisa a morte do irmão chega a assustar no início. E quando ela decide ir atrás do provável assassino de seu irmão, não tem dúvidas de que conseguirá prendê-lo, mesmo que vários outros oficiais tenham falhado. O legal dos personagens principais é que eles são tão interessantes juntos quanto são separados – mas claro que eles se tornam bem mais quando estão juntos: é fácil torcer pelo casal, mas ao mesmo tempo ser cativado pelas suas personalidades e não só pelo seu envolvimento. 


Os capítulos intercalados e narrados pelos dois protagonistas são aquilo que nos permite acompanhar, com detalhes, os acontecimentos que culminam no encontro dos dois. Isso nos permite conhecer os dois lados da história. Mais que uma mera vingança ou perseguição desenfreada, a reunião dessas duas personalidades tão diferentes vai ser o catalizador de grandes mudanças não só na vida de cada um, mas no mundo que conhecem. Quando a verdade vem à tona, June e Day não podem mais fingir que não a conhecem. A única opção é encarar de frente e aguentar as possíveis consequências. Vocês ficarão chocados com as descobertas deles, a história avança de forma natural, sem rodeios e com um final surpreendente. A história é repleta de ação, do início até o fim. Recomendo muito a leitura. 


O fato da autora ter trabalhado como diretora de artes na indústria de videogames provavelmente foi um fator importantíssimo para que a construção das cenas na trama tomassem a forma que tomaram. Ela usa bastante elementos dos games no livro, o que também agradará muito ao público masculino, com certeza. Outra curiosidade é o fato da autora ter escrito o livro enquanto assistia a uma adaptação de Os Miseráveis na TV. A autora Marie Lu chegou a dizer que, inicialmente, June e Day seriam ambos garotos, mas que ela queria uma presença feminina forte, por isso acabou por transformar June em uma mulher. Interessante, não? Se você gosta de histórias distópicas, você PRECISA ler Legend. Todos os elogios são demasiados pequenos para definir a  história de LEGENDEle não é somente um dos meus livros favoritos, é um livro que eu nunca cansaria de reler e recomendar para todo mundo. O livro deveria vir com o aviso: você ficará perturbadoramente... ENCANTADO.


VITAMINAS:

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