segunda-feira, 22 de maio de 2017

RESENHA DO LEITOR: OS 13 PORQUÊS

SINOPSE: Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra na porta de casa um misterioso pacote com seu nome. Dentro, ele descobre várias fitas cassetes. O garoto ouve as gravações e se dá conta de que elas foram feitas por Hannah Baker - uma colega de classe e antiga paquera -, que cometeu suicídio duas semanas atrás. Nas fitas, Hannah explica que existem treze motivos que a levaram à decisão de se matar. Clay é um desses motivos. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.


Falem bem ou falem mal, mas falem de mim.” Acho que não há frase melhor para definir a série 13 Reasons Why, ou no bom e velho português Os 13 Porquês. A série tem dividido opiniões e apesar de ser aclamada pela critica, muitas pessoas tem se manifestado contra ela por seu conteúdo que, supostamente, seria danoso a pessoas com baixa autoestima ou tendências suicidas. Na resenha de hoje nos vamos falar um pouco sobre o livro de mesmo nome que inspirou a série e mergulhar um pouco mais fundo na história de Hannah Baker.


Confesso que só conheci o livro depois de ver a série e fiquei surpresa - pra não dizer feliz- com a quantidade de semelhanças entre eles. Clay Jansen é veterano no ensino médio e um dia ao voltar da escola ele encontra um pacote endereçado a ele. O pacote é uma caixa de sapatos, com sete fitas cassetes enumeradas de 1 a 13. Mas por que fitas? Quem usa fitas cassetes nos dias de hoje? E apesar da dificuldade, Clay acha um modo de ouvir as fitas e acaba se aventurando em um relato detalhado das causas do suicídio de uma garota de seu ano. Hannah Baker. Nas fitas Hannah deixa bem claro que a pessoa que recebe as fitas, de certa forma, foi responsável por sua morte e faz dois pedidos. O primeiro que todas as fitas sejam ouvidas e o segundo que quando terminar as fitas sejam passadas para os próximos da lista.


“Oi, é a Hannah. Hannah Baker. Não ajuste seu dispositivo ou seja lá o que estiver usando para ouvir isso. Sou eu, ao vivo e em estéreo. Sem promessa de retorno."


Em uma única noite Clay, com a ajuda de um mapa que Hannah deixou em seu armário semanas antes, percorre pontos da cidade que aparecem nas fitas. Esses pontos estão marcados no mapa com estrelas vermelhas e indicam o lugar onde algo grande ou desastroso aconteceu como o primeiro beijo de Hannah ou a cafeteria onde ela costumava encontrar seus amigos depois da aula. Ao escutar as fitas Clay conhece o lado de Hannah a respeito dos rumores que foram espalhados sobre ela por anos e se pergunta, repetidas vezes, o que poderia ter feito para impedir que a história dela terminasse de maneira tão trágica. No decorrer da história nós conhecemos pessoas como Alex e Jéssica, que costumavam ser amigos de Hannah e por um motivo ou outro a abandonaram e ainda personagens mais sombrios e horríveis que a destruíram aos poucos como Marcus e Bryce.


“Se você escuta uma canção que te faz chorar quando você já está cansado de lágrimas, não a escuta mais. Mas não dá para fugir de si mesmo. Não dá para tomar uma decisão de deixar de se ver para sempre. Não dá para tomar a decisão de desligar aquele ruído dentro da sua cabeça.”


Se no começo das fitas, Hannah tinha esperanças de ter uma vida melhor e sempre procurava o melhor nas pessoas, a medida que as fitas se aproximam do final é nítido como suas esperanças vão desaparecendo. Vemos uma garota desistir de sua vida por não acreditar mais na possibilidade de ser feliz. Apesar da palavra bullying nunca ser mencionada no livro é exatamente isso que acontece com Hannah, dia a pós dia ela é humilhada, agredida e exposta na escola e até mesmo onde deveria se sentir mais segura. Em casa. Mas afinal o que Clay Jansen está fazendo nas fitas? Ele nunca faz nada para Hannah, nunca a machucou ou ajudou alguém fazer isso. Então por que ele? A verdade é que Hannah até se desculpa por envolvê-lo nisso, mas ela precisava explicar a ele o porquê de ter cometido suicídio. Ela sentia que devia isso a ele pelos poucos momentos que eles tiveram juntos.


“Agora, se acomodem de modo bem confortável, porque vou contar o que aconteceu naquele quarto entre mim e Clay. Estão prontos? Nós nos beijamos. Os beijos pareciam primeiros beijos. Beijos que diziam que eu poderia ter começado de novo, se quisesse. Com ele.”


Sinceramente o final do livro é doloroso de ler, é difícil ver uma pessoa desistir de si mesma sem fazer nada. O que pode parecer bobeira por ser um livro, mas leitor que é leitor sabe como os livros nos afetam. Acho que em Os 13 Porquês, foi a primeira vez que tive que desviar os olhos do livro, parar e respirar por um momento, tomar coragem para conseguir terminar o próximo capítulo. O livro é intenso e profundo, é horrível por contar uma história tão triste e sem perspectiva de final feliz, mas maravilhoso por mostrar como os atos e as palavras das pessoas podem ferir. Maravilhosamente bem escrito.


“Não foi por esse motivo que você fez isso, Hannah. Não foi por esse motivo que se junto a eles. Você sabia que essa era a pior escolha possível. Você sabia. Foi por esse motivo que você fez isso. Você queria que seu mundo desabasse ao seu redor. Você queria que tudo ficasse o mais escuro possível. E Bryce, você sabia que ele poderia ajudar você a fazer isso.”


Acho que uma história como essa não pode ser deixada sem uma moral, e para mim Hannah Baker foi um exemplo do que não fazer. Pessoas passam por coisas horríveis todos os dias e elas sobrevivem. Elas levantam pela manha dizendo “Hoje vai ser uma dia melhor” e dão a cara a tapa novamente. Eu entendo os motivos de Hannah para cometer suicídio, eu realmente entendo, mas não concordo com eles. Não era a única escolha dela, não é a única escolha de ninguém. O próprio Clay fala repetidamente enquanto escuta as fitas que ele poderia ter a ajudado. Que Hannah não estava sozinha, que ela tinha uma companhia. Era apenas a questão de procurar por ela nos lugares certos. 


VITAMINAS:



RESENHA ESCRITA POR: CAROLINA SIQUEIRA
Carol Siqueira, 20 anos, é estudante de Odontologia pela Universidade Positivo e quando não está deixado o sorriso das pessoas mais bonito, ela passa seu tempo lendo histórias sobre criaturas mágicas, que eventualmente se apaixonam, ou escrevendo algum resumo bobo na varanda de sua casa e não perde a oportunidade de adicionar mais um livro a sua coleção de preferidos.

3 comentários:

  1. Olá!!

    Até agora eu só assiti a série e cá entre nós já é destruidor, então estou esperando um pouco para ler o livro, mas isso vai acontecer com certeza. Adorei a sua resenha, muito completa e com uma opinião pessoal bem forme e marcante. Quanto a moral da história concordo com você quando diz que a Hanna é um exemplo do que não fazer, mas acho que toda a série (no meu caso que não li o livro) se trata do que não fazer, mas vai da interpretação de cada um.

    Parabéns pelo post e pelo blog.

    Beijos e Sucesso.

    http://garotasdevorandolivros.blogspot.com.br

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  2. Eu conhecia o livro antes da serie. Tava querendo ler, mas acabou q me enrolei e então a serie chegou e me conquistou 100%, assisti duas vezes kkkk
    Juro que as criticas têm sim algum fundamento, mas tem gente q exagera ne
    Nao vi ninguem reclamando de Jogos Mortais, que contem muita auto mutilação.
    Nem muitas reclamações de 50 tons de cinza, que fez aumentar bastante as chamadas de emergências, pq alguns casais estavam se machucando e etc.
    acho que o assunto 'suicídio' é muito bem vindo, temos que faze-lo deixar de ser um tabu

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  3. Eu conhecia o livro antes da serie. Tava querendo ler, mas acabou q me enrolei e então a serie chegou e me conquistou 100%, assisti duas vezes kkkk
    Juro que as criticas têm sim algum fundamento, mas tem gente q exagera ne
    Nao vi ninguem reclamando de Jogos Mortais, que contem muita auto mutilação.
    Nem muitas reclamações de 50 tons de cinza, que fez aumentar bastante as chamadas de emergências, pq alguns casais estavam se machucando e etc.
    acho que o assunto 'suicídio' é muito bem vindo, temos que faze-lo deixar de ser um tabu

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