sexta-feira, 26 de maio de 2017

RESENHA: A SÉTIMA CELA

SINOPSE: Martha Honeydew é a primeira adolescente a ser presa no novo sistema de justiça da Inglaterra. A polícia a encontrou ao lado do corpo de Jackson Paige, uma das celebridades mais queridas do país. Nesse novo sistema de justiça, o condenado tem sete dias – cada dia em uma cela diferente – para ter seu destino determinado pelos votos dos telespectadores. Se a audiência do programa decidir pela inocência do preso, ele será solto. Caso contrário, será morto na cadeira elétrica. Martha se declara culpada, mas há algo por trás da cena do crime que os telespectadores não sabem. Quem é, de verdade, Jackson Paige? Martha Honeydew é realmente a culpada? Será que esse sistema jurídico é justo? Nesta distopia eletrizante, todas essas questões nos fazem refletir sobre o poder do dinheiro que, muitas vezes, prevalece sobre a justiça. E Martha, uma adolescente forte e destemida, mostra sua crença em uma sociedade verdadeiramente justa, na força da amizade e do amor. Mesmo que isso possa custar sua própria vida.


Fala galera! Depois de observar pessoas que se intitulam fãs de subcelebridades participantes de reality shows fazerem mutirões para fazer seus ídolos permanecerem no programa, mesmo que essas pessoas apresentem no jogo (falo no jogo, porque não as conheço de verdade e sim, o que elas mostraram no programa) desvio de caráter e atitudes nem um pouco éticas (leia-se Marcos e Emilly da última edição do Big Brother Brasil) percebi que não estamos muito distantes dos questionamentos feitos pela autora Kerry Drewery no livro A Sétima Cela. A voz do povo é a voz de Deus? Nem sempre!


Na sociedade do livro, o sistema judicial é totalmente duvidoso e corrupto (qualquer semelhança não é mera coincidência), onde as ligações são pagas, as mensagens de texto e votos pela internet também são pagos, logo, quem tem dinheiro vota mais, ou seja manda. Esse sistema não quer saber se há provas da sua inocência e a TV manipula tudo e todos. A única coisa que importa é a audiência e toda a publicidade e dinheiro que tudo isso vai gerar. Sabe quando acusamos a Globo de só passar na edição o que eles querem? Isso também acontece aqui! Como no BBB, a gente só sabe o que a edição do programa quer que a gente saiba. Eles constroem a imagem dos participantes e decidem se irão apresentá-los como mocinhos ou vilões, e nós, o povo, vamos engolir tudo que eles nos disserem, afinal, não temos como saber o que acontece por trás das cenas. No livro ainda as pessoas podem assinar um pay per view e acompanhar a vida das pessoas que estão presas nas celas, 24h por dia, mas o que é mostrado é sempre de acordo com o que eles querem que seja mostrado.


Para diminuir os índices de criminalidade, os antigos tribunais foram extintos e agora o que vale é essa “democracia”. As pessoas tem 7 dias para votar e decidir se a pessoa é culpada ou inocente. Se a pessoa for considerada culpada é executada na cadeira elétrica na frente de todos com uma transmissão ao vivo. Martha é a primeira adolescente no corredor da morte, acusada de assassinar o herói do povo, Jackson Paige. Ele é uma celebridade adorada e amada.  Aquele cara que é considerado um exemplo de pessoa, ser humano, pai, marido, etc. Que veio de baixo e se tornou um homem extremamente rico e hoje ajuda todos os pobres e necessitados. Será mesmo? Porque uma adolescente mataria uma celebridade? E porque ela confessaria tão depressa o crime? A mídia nos mostra tudo através do programa Morte é Justiça!


Martha foi encontrada com a arma do crime na mão e após confessar o assassinato é encaminhada para a prisão onde será acompanhada 24 horas por dia pelas câmeras do Programa de TV "Morte é Justiça" e julgada pelas pessoas por um crime de repercussão nacional. O processo consiste em passar cada um dos 7 dias em uma cela diferente, até o dia da temida e esperada votação. De um lado, a mídia influencia o povo a fazer "justiça", do outro a psicóloga Eve Stanton, o senhor Cícero (ex-juiz), a senhora B. e o filho adotivo de Jackson, Isaac Paige, parecem acreditar na inocência de Martha. Todas as manhãs Martha muda de cela e a cada nova cela as torturas físicas e psicológicas são diferentes. Em uma, uma goteira pinga insistentemente fazendo um barulho irritante, na outra um gás alucinógeno, na outra um frio cortante, etc. Martha não aguenta mais, mas ela não pode voltar atrás na sua declaração, ela precisa manter uma promessa. Sim, Martha é inocente e a garota está protegendo uma pessoa. 


Quando as peças do misterioso quebra-cabeça vão se encaixando e a relação entre Martha e Isaac se torna um fator determinante para a solução do crime, as coisas começam a tomar um rumo diferente. A pergunta é: Haverá tempo suficiente para convencer as pessoas a acreditarem em uma coisa totalmente diferente do que o que elas viram com os seus próprios olhos? Nas 316 páginas do livro temos uma dura e profunda crítica à tecnologia e à influência midiática na vida das pessoas, só que numa escala muito maior do que hoje podemos conceber. Podemos acreditar em tudo que vemos na televisão? 


Os personagens são bem construídos e com personalidades bem distintas. Você consegue se identificar com eles na medida em que os fatos vão sendo esclarecidos. Gostei muito da Eve, que tem um papel muito marcante na trama. Eve nota que há algo errado na declaração de Martha e ela vai fazer de tudo para fazer com que a menina diga a verdade. Com a ajuda de algumas pessoas que também creem na inocência de Martha, Eve se arrisca para conseguir provas da inocência dela e inicia uma verdadeira luta contra o relógio para salvá-la da cadeira elétrica. A forma como a autora conduz a história consegue chamar a atenção do leitor para assuntos muito polêmicos dentro de um enredo que chega a ser eletrizante e surpreendente. Por muitas vezes o leitor fica com vontade de gritar que está tudo errado, que aquilo não deveria estar acontecendo e pior: Por que as pessoas pagam para ver isso? O leitor fica tenso a cada atualização da contagem de votos para saber se Martha vai ser declarada culpada ou inocente. A reviravolta que temos na última parte desse livro é sensacional, respondendo a todas as nossas perguntas.


O livro tem uma múltipla narrativa, às vezes em primeira, às vezes em terceira pessoa. Em primeira por Martha, relatando seu presente, no interior das celas, seu passado e suas lembranças com sua mãe e algumas outras pessoas. E em terceira por vários personagens secundários. Martha não é uma heroína, ela não pensa a principio em ir contra o sistema, ela apenas está cansada da vida ruim que teve, onde ela perdeu sua mãe assassinada e seu melhor amigo foi alvo desse sistema de pena de morte que ela se encontra agora. Ela é órfã, pobre, sem perspectivas e sem ninguém além de sua vizinha e de alguém muito especial, que vamos conhecendo ao longo da história. O livro não é divido por capítulos e sim através de sete partes, um para cada cela, o que é diferente , mas prefiro livros divididos em pequenos. A narrativa da autora oscila muito, em alguns momentos é muito fluida e em outro muito lenta com excesso de detalhes. Nos capítulos dedicados ao programa de TV há uma grande quantidade de descrições e uma estrutura que me recordaram um roteiro, o que fez esses capítulos em especifico proporcionarem uma leitura mais lenta, às vezes até arrastada e minaram um pouco o meu entusiasmo com a trama. E isso foi a única coisa que me incomodou. Ainda assim, minha leitura de modo geral foi rápida e agradável.


O livro demora um pouquinho a pegar no tranco, mas quando pega, flui de forma agradável e eletrizante. Na metade da leitura eu já tinha desvendado quase tudo, mas a falta de surpresa não foi um problema para mim. Gostei muito da história, apesar de ainda não me sentir conectado ao casal principal. O final é empolgante, de tirar o fôlego e nos deixa ansiosos para saber o que vai acontecer no próximo volume. A autora soube inovar, colocando o leitor como um telespectador do reality show. Foi interessante ver o todo pela perspectiva de uma câmera de TV. O que parecia um caso Big Brother misturado com Suzane Von Richthofen, se tornou uma história de luta contra a discriminação entre os povos e contra a manipulação da mídia. Acredito que nossa passagem pelas sete celas apenas começou...
VITAMINAS:

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