terça-feira, 20 de junho de 2017

RESENHA: O ESCARAVELHO DO DIABO

SINOPSE: Vítimas ruivas recebem um escaravelho antes de serem assassinadas. Essa é a única pista de que Alberto dispõe para chegar àquele estranho criminoso. Qual a relação entre ruivos e escaravelhos? Quem será o próximo?


Fala galera! Hoje vamos falar sobre um livro que é um clássico da literatura infanto-juvenil, marcou gerações nos anos 80 e 90 e desperta saudades em vários adultos até hoje. Estamos falando de O Escaravelho do Diabo, da autora Lucia Machado de Almeida (1910-2005). A história é um romance policial bem leve que flui facilmente, fazendo-nos acostumar logo com a narrativa e expressões da época. A obra foi originalmente publicada em capítulos semanalmente na revista O Cruzeiro em 1953. Apenas em 1972 foi publicado como livro e, agora, também ganhou sua versão cinematográfica que logo mais comentaremos.


Alberto é um estudante de medicina, mora com os pais e com o irmão, Hugo, que é morto com uma espada no peito enquanto dormia e pouco tempo depois de ter recebido um pacote com um escaravelho. Inconformado com a perda do irmão, Alberto decide investigar. Pouco tempo depois outra morte acontece na pensão da pequena cidade do interior de São Paulo. Na pensão da irlandesa Cora O’Shea, seu filho Clarence (ruivo) morre após tomar um remédio que estava envenenado e ele também havia recebido o escaravelho. O Inspetor Pimentel acha que os assassinatos não tem nada em comum, mas depois do terceiro assassinato se convence com os argumentos de Alberto que se três ruivos são mortos depois de receber um escaravelho não pode ser coincidência.


O assassino segue matando os ruivos da cidade, que vão desde uma cantora de ópera que se apresentava lá, até um galo que tinha as penas vermelhas. A polícia decide não contar para a imprensa o que está acontecendo para não alarmar o assassino, mas todos os ruivos da cidade são avisados para ficarem atentos e se possível sair da região por precaução. O Inspetor Pimentel e Alberto não tem pistas nenhuma sobre o assassino, qualquer pessoa pode ser o “inseto” como eles o apelidam. Mas Alberto desconfia que a chave para o mistério e o assassino estão relacionado com a pensão da senhora Cora O’Shea. Alberto não vai sossegar e desistir da busca até descobrir quem matou seu irmão. Na pensão dela é onde temos todos os suspeitos e onde também temos o verdadeiro assassino #FicaADica!


Mas o livro não é só mistério, temos também romance. Alberto conhece a sensual Rachel Saturnino (ruiva e alvo do serial killer) e a geniosa Verônica, mas essa segunda que ganha seu coração completamente, mas o que o Alberto não imagina é que ela será uma das mais suspeitas pelos crimes. E agora? Como vai vingar a morte do seu irmão e descobrir quem é o assassino em série? E ser for Verônica? Como impedir mais mortes? Garanto que a revelação do assassino e forma como acontece surpreende.


O livro vai direto ao ponto sem rodeios ou excessos. Gostei muito desse detalhe da escrita da autora. Como ela é bem direta, o livro se torna mais dinâmico e menos cansativo. O que me chamou muito a atenção foi a atemporalidade que há no livro, você realmente esquece que ele foi escrito há mais de 60 anos. O livro inteiro traz muitos suspeitos. Várias pistas podem te levar ao verdadeiro suspeito e várias outras que vão tirá-lo do centro do holofote. Enquanto não foi citado o verdadeiro assassino, eu não conseguia pensar em ninguém com absoluta certeza para cumprir este cargo. Havia minhas desconfianças, mas a cada pista nova surgia novos possíveis serial killers.


Para falarmos sobre o filme, é importante compreender as mudanças feitas pelos roteiristas Melanie Dimantas e Ronaldo Santos. Se antes Alberto era um jovem adulto, quase formando na faculdade de Medicina, agora ele é uma criança em torno de 13 anos, viciado em CSI. A opção em rejuvenescer o protagonista provavelmente teve fins comerciais, já que o longa-metragem busca atrair o mesmo público jovem de antigamente, mas também resolve problemas conceituais em torno do personagem, um notório paquerador. Agora criança, tal característica é eliminada por completo e a história encontra brecha para trabalhar o tema do primeiro amor, que costuma ser bem recebido pelo público em geral.


Outra mudança considerável se refere ao co-protagonista delegado Pimentel que no livro segue o estereótipo do policial competente e dedicado, aqui ele ganha dificuldades de saúde que afetam sua capacidade. Na verdade, a intenção da dupla de roteiristas era criar deficiências que pudessem ser exploradas tanto em Alberto quanto em Pimentel, de forma que não fossem tão heróicos e sempre corretos, como o livro aponta. Há uma tentativa de humanizá-los, tornando-os mais próximos à realidade e, é claro, ao público atual. Também neste sentido, há várias referências às maravilhas modernas da tecnologia, como tablets, conversas online e videogames. Tudo para que o jovem de hoje se sinta perfeitamente ambientado.


Outro ponto positivo é a forma como o roteiro reorganiza os ataques do vilão, até mesmo inserindo situações que não estão no livro. A sequência com o jornalista é uma delas. Divertido e atual, traz ao filme agilidade e também um certo alívio cômico necessário, especialmente quando os problemas de Alberto e Pimentel ganham terreno. O mesmo vale para a cantora pop Rubi, representação cinematográfica da atriz de ópera presente no livro. A mãe do menino, que no livro estava viajando quando tudo aconteceu, aqui entra em depressão após a morte filho mais velho, o que explica que ele fique por aí sem ninguém questionar. Por outro lado, a exclusão da subtrama da pensão de Mrs. O'Shea retira do filme um peso excessivo decorrente dos personagens e ainda a paixão existente entre Alberto e Verônica - além de alterar radicalmente o desfecho da história, mas que nesse caso também fica a altura do que foi mostrado nos 90 minutos de filme. No filme mudam-se os motivos e o assassino. Mas recomendo ambos!


VITAMINAS:


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