sexta-feira, 14 de julho de 2017

RESENHA: O CHAMADO DO MONSTRO / SETE MINUTOS DEPOIS DA MEIA-NOITE

SINOPSE: Conor é um garoto de 13 anos de idade, com muitos problemas na vida. Seu pai é muito ausente, a mãe sofre um um câncer em fase terminal, a avó é uma megera, e ele é maltratado na escola pelos colegas. No entanto, todas as noites Conor tem o mesmo sonho, com uma gigantesca árvore que decide contar histórias para ele, em troca de escutar as histórias do garoto. Embora as conversas com a árvore tenham consequências negativas na vida real, elas ajudam Conor a escapar das dificuldades através do mundo da fantasia.


Fala galera! Depois de algumas resenhas sobre livros de vampiros essa semana no blog, hoje vamos falar sobre um livro que aborda outro tipo de monstro: A Morte. Um livro delicado e tocante. É assim que eu definiria O Chamado do Monstro. A história desse livro já é emocionante: a ideia é na verdade da autora britânica Siobhan Dowd, que infelizmente faleceu vítima de câncer em 2007. Felizmente o autor Patrick Ness concordou em colocar a ideia de Siobhan em palavras e continuar sua obra. Lançado em 2001 pela Editora Ática, o livro foi relançado pela Novo Conceito com um novo título: Sete Minutos Depois da Meia Noite, devido ao filme de mesmo nome que foi chegou aos cinemas em 2016. Amei a versão da Ática porque é ilustrado.



Connor tem 13 anos e está passando por uma fase muito difícil em sua vida, o que justiça seu comportamento às vezes grosseiro e sua raiva de tudo e todos: Sua mãe que está com câncer parece que está piorando e ela precisa cuidar da casa e de si mesmo. Sua vó e ele não tem nada em comum e não se dão bem. Seu pai mora em outro país com outra família e nunca mais deu notícias e nem parece se importar com ele. Na escola sofre bullying diariamente, apanha, não tem amigos, sente-se invisível. Todas as noites ele tem um pesadelo horrível que o faz acordar gritando e chorando. E para piorar, a cereja no pote de sorvete: Um monstro gigantesco e ameaçador aparece na sua janela da sua casa sete minutos depois da meia noite (e todas às vezes que ele aparece no livro é sempre nessa hora).



O monstro é na verdade um teixo, uma velha árvore que fica no cemitério perto da sua casa. O monstro do teixo vem não para assustar Conor, mas para ajudá-lo. Ele decide que vai contar 3 histórias ao garoto e, depois disso, Conor terá que contar uma história para ele. O grande problema é que essa história que o adolescente precisa contar ao monstro é exatamente algo que realmente o assusta, seu maior medo na vida. As três histórias contadas pelo monstro a Conor nos mostram que as aparências enganam e que pequenos atos podem gerar grandes consequências em nossas vidas e nas vidas das pessoas que nos rodeiam. Ele ensina Conor a ver as coisas de outro ângulo, a amadurecer e a deixar que a vida se encarregue de fazer o que tem de ser feito. No fim, a história de seu pesadelo acaba decidindo o final de tudo, o desfecho de seu tão temido pesadelo é o de sua vida.



Ao longo do livro fica claro que, apesar da confiança aparente da mãe em um “novo tratamento”, sua situação está piorando. Desde o início, já sabemos onde essa história vai terminar. Mesmo assim, o que vale é a trajetória de Conor para aceitar a realidade e lidar com os próprios sentimentos em relação à morte da mãe. Como ocorre em muitos livros, o que vale não é o final, uma revelação bombástica ou surpresa. Apesar de sabermos o que vai acontecer, vale a pena ler a obra para passar por essa jornada com o personagem.



A escrita do autor é forte, como se cada frase que fosse colocada no papel também ficasse marcada de algum modo dentro de você, mas de um modo sutil. A emoção também está presente em todo o livro, mas está contida, o que não impede de a sentirmos. Mesmo nas partes mais calmas é possível sentir a tensão, algo não contado, não resolvido, que precisa ser colocado para fora antes que seja tarde demais. É um dos livros mais emocionantes e belos que eu li na vida.



Mesmo com o título que parece ser de um livro de terror, na verdade a história é um drama. E apesar da narrativa em terceira pessoa é tão profundo como se fosse em primeira pessoa. Um enredo simples, curto e direto, mas com uma mensagem importante e inspiradora. Uma obra para crianças, mas que consegue tratar de pesadelos da vida real sem perder a poesia. É uma história de transformação, aceitação e aprendizado. Sobre perder a inocência para a realidade nua e crua e ter de lidar cedo demais com todas as crueldades que a vida real possui. Sobre lidar com a perda e com o abandono. Sobre pesadelos e despedidas. É um livro sobre luto. Sobre ser forte e, ao mesmo tempo, ter vontade de quebrar tudo ao seu redor. Sobre amadurecimento. Sobre querer se livrar da dor, mas também não querer fazer os outros sofrerem. Sobre situações que não podemos controlar, mas que daríamos quase tudo para resolver. Sobre precisar da ajuda de um monstro. Um livro que deveria ser abordado em todas as escolas. Definitivamente é uma obra inesquecível. Recomendo a leitura para todas as idades!



A adaptação cinematográfica é tão bela quanta o livro. Uma grandiosidade de efeitos visuais, uma impressionante riqueza de detalhes, um capricho nos belíssimos desenhos do protagonista. Mas o melhor do filme é a emoção que ele transmite, seja nos diálogos, seja nos olhares ou em singelas cenas. Se a situação da mãe corta o coração da plateia, a necessária dureza da avó balanceia a trama como um chamado à vida. Mas é no olhar que o jovem Lewis MacDougall consegue reter toda a melancolia represada, fundamental a seu personagem. Para completar, já que é para chamar um monstro, ele vem com a voz de Liam Neeson. Não sei como esse filme passou despercebido pelo Oscar.



VITAMINAS:


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