terça-feira, 8 de agosto de 2017

RESENHA DO LEITOR: AMADA IMORTAL

SINOPSE: Primeiro livro da trilogia, mistura fantasia sobre imortais a uma história moderna de uma jovem em busca de si mesma e de redenção. Questões de identidade e moralidade aparecem na trama, protagonizada pela imortal Nastasya. Nascida em 1551, acostumada a beber e sair para baladas cada vez mais loucas, ela perdeu o rumo. Suas conexões com outros imortais, interessados apenas em suas habilidades mágicas, a fazem partir em busca de um propósito - E o encontra em uma espécie de clínica de reabilitação para os de sua espécie, onde conhece um pouco mais sobre o próprio passado e cria importantes laços para o futuro.


Na resenha de hoje vamos falar um pouco sobre Amada Imortal, um livro que eu adoro por causa do senso de humor delicioso e sarcástico da personagem principal. Nastasya Cole é a típica adolescente que curte uma boa farra, mas ao contrário da maioria das pessoas ela já é uma adolescente há muito tempo. E apesar disso, em seus quatrocentos e quarenta e nove anos de vida, ela ainda não amadureceu nada. Com uma vida regrada a festas, bebidas e muito dinheiro, ela nunca se preocupou em parar para pensar se gostava da pessoa que tinha se tornado. Mas depois que seu melhor amigo quebrou a coluna de um motorista de taxi apenas porque estava irritado com ele, Nastasya decide que precisa mudar. Ela resolve buscar ajuda de outra imortal que conheceu há muito tempo e que disse que estaria disposta a ensiná-la a maneira certa de praticar a magia que todos os imortais possuem. Que a ensinaria a ser Tähti. Para os imortais há duas maneiras de praticar magia, existem os chamados Terävä que sugam a vida de outras coisas e os Tähti que usavam sua magia interior. Nastasya nunca achou que era possível mudar a maneira como sua magia era feita, mas ela acredita que vale a pena tentar.


Quando se é imortal, os anos rapidamente perdem o significado. Anos, décadas e, dado momento, até mesmo séculos parecem voar num piscar de olhos, até que, por exemplo, o século XIX parece só uma festa ruim que você foi. 

Depois de passar tanto tempo reprimindo todas as suas emoções e não sentir quase nada, Nastasya precisa aprender dia a pós dia a reconhecer velhos sentimentos e enfrentar seu pior inimigo. Ela mesma. River, a amiga que se dispôs a ajudá-la, explica que o processo em direção a mudança de vida é demorado e exaustivo e que o resultado final nem sempre vale a pena. Como os sentimentos não foram a única coisa que ela passou reprimindo durante os últimos séculos, ela também precisa redescobrir seus poderes e a importância de cada coisa viva no mundo. Nastasya precisa esquecer a vida de conforto e luxo que levava antes e aprender a conviver com as tarefas do dia a dia de uma fazenda. 


Naquela noite eu estava em um frenesi de limpeza, eu estava literalmente de quatro no chão da cozinha esfregando o piso. O piso era de pedra. Pedras são naturalmente sujas. É a porcaria da natureza delas, mas ninguém tinha caído nesse argumento. 

Mas como tudo que está ruim sempre pode ficar pior, Nastasya descobre que alguém do seu passado também está na casa de River lutando para ser um imortal melhor. Alguém com que o destino constantemente a reunia e que constantemente terminava em desastre. Rein pode parecer apenas mais um cara que você espera encontrar no estábulo escovando cavalos, só que ele é muito mais que isso. Ele já foi conhecido há muito tempo atrás como o Açougueiro do Inverno por aterrorizar e saquear vilarejos por toda Noruega e mais tarde Islândia, mas antes disso, muito antes disso, a família dele tinha sido conhecida por roubar o símbolo de poder de uma das Capitais Imortais. Rein quer acreditar que seu passado ficou para trás, há anos ele vem tentando fazer as coisas da maneira de River e ser Tähti, mas a presença de Nastasya é um constante lembrete de quem ele é. 


— Você é o invasor do inverno. — Minha voz saiu rouca e baixa, quase inaudível. — Você não tem 267 anos. É mais velho do que eu. Tem uns 500 anos? Seiscentos? Você matava vilarejos inteiros, estuprou meus vizinhos. Você quase me estuprou. Quase matou meu filho.

A convivência de duas pessoas que dividem um passado tão horrível fica cada vez mais difícil, por que além de Açougueiro do Inverno Rein foi responsável pelo maior horror que ela já viveu, presenciar a morte de seus pais e irmãos. A Capital Imortal da qual a família de Rein roubou o poder era a Casa de Úlfur, e Nastasya é a única herdeira viva daquela família. E pelo fato de tudo isso ter acontecido quando ela ainda era muito jovem Nastasya não tinha nem ideia de seu legado e muito menos do tipo de poder que possuía. 


Ninguém sabe. Falei para mim mesma de novo. Nunca tive que contar a ninguém e ninguém jamais saberá. Eu era única pessoa viva que sabia que eu era a última sobrevivente da casa do meu pai e que a mágica dele estava enterrada em algum lugar bem fundo de mim. 

Apesar da história ter uma trama bem pesada, cheia de flash backs das coisas horríveis que Nastasya já presenciou e fez, a autora conseguiu deixar o livro bem humorado e gostoso de ler. O temperamento explosivo e impulsivo de Nastasya desencadeia cenas muito bem escritas e de tirar o fôlego. O drama da eterna dúvida entre o amor e ódio deixa a narrativa cada vez mais envolvente fazendo que você perca completamente a noção do tempo depois que começa a ler. Tenho orgulho de ter a Amada Imortal na minha estante. 

VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: CAROLINA SIQUEIRA
Carol Siqueira, 20 anos, é estudante de Odontologia pela Universidade Positivo e quando não está deixado o sorriso das pessoas mais bonito, ela passa seu tempo lendo histórias sobre criaturas mágicas, que eventualmente se apaixonam, ou escrevendo algum resumo bobo na varanda de sua casa e não perde a oportunidade de adicionar mais um livro a sua coleção de preferidos.

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