segunda-feira, 27 de novembro de 2017

RESENHA: IT - A COISA

SINOPSE: Durante as férias escolares de 1958, em Derry, pacata cidadezinha do Maine, Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly aprenderam o real sentido da amizade, do amor, da confiança e... do medo. O mais profundo e tenebroso medo. Naquele verão, eles enfrentaram pela primeira vez a Coisa, um ser sobrenatural e maligno que deixou terríveis marcas de sangue em Derry. Quase trinta anos depois, os amigos voltam a se encontrar. Uma nova onda de terror tomou a pequena cidade. Mike Hanlon, o único que permanece em Derry, dá o sinal. Precisam unir forças novamente. A Coisa volta a atacar e eles devem cumprir a promessa selada com sangue que fizeram quando crianças. Só eles têm a chave do enigma. Só eles sabem o que se esconde nas entranhas de Derry. O tempo é curto, mas somente eles podem vencer a Coisa.


"Garotos mortos na Torre de Água. Sangue que só crianças conseguem ver, adultos não. Palhaços andando no canal. Balões que voam contra o vento. Múmias. Leprosos debaixo de varandas... (pág. 418)


Esse é o clima e alguns dos acontecimentos que marcam esta obra incrível de King. 7 crianças, 7 improváveis amigos que nas férias de verão de 1958, em uma pequena cidade do Maine descobririam que a vida pode ser cruel, misteriosa e cheia de desafios. Férias de verão que mostrariam o valor da amizade, das primeiras descobertas amorosas e sexuais, e o quanto a família, em especial as mais problemáticas, pode influenciar a vida de suas crianças. It é daqueles livros que nos arrebatam à sua paisagem e atmosfera. Nos vemos nos anos 50, em seguida estamos nos anos 80. King tem a capacidade de levar o leitor a uma viagem cheia de detalhes históricos, geográficos e culturais. A represa, a Torre de Água, as ruas e a geografia de Derry, os jardins vivos, as casas vitorianas, todos os detalhes são tão bem trabalhados que o leitor consegue sentir-se parte do lugar.


O "Clube dos Otários" formado por Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly, teria para sempre um lugar na vida de cada um de seus membros, mas até 1985 ele permaneceria no esquecimento, uma "amnésia" causa pela "coisa" que os acompanharia através dos anos sem que eles desconfiassem. Em Derry, o horror acontecia a cada 27/28 anos em ciclos repetitivos e inexplicáveis ao longo do tempo. Desde 1957 o grupo não pensava, ou melhor, não lembrava da existência de Derry e dos terríveis acontecimentos daquele ano. Cada um seguiu sua vida longe da pequena cidade, todos tiveram sucesso profissional e financeiro, nenhum deles teve filhos e se não fosse por Mike, que permaneceu na cidade, todos teriam seguido suas vidas, alheios ao horror que estava prestes a manifestar-se novamente.


Ao perceber os estranhos acontecimentos na cidade (assassinatos, desaparecimentos, rumores de um estranho palhaço rondando a ponte), Mike decide ligar para os amigos e convocá-los a cumprir a antiga promessa que fizeram quando crianças: Voltar a Derry e destruir a coisa, caso ela retornasse. A partir daí fatos inusitados acontecem e transformam a vida de cada um, numa sequência de lembranças, aventura e horrores. O mesmo horror que sempre rondou Derry estava de volta, desafiando-os. A cidade é um caso à parte, uma personagem essencial ao desfecho da história. Sua população mantém uma espécie de cortina de silêncio sobre o que acontece a cada ciclo da "coisa". Em Derry os acontecimentos podem chocar os leitores mais sensíveis: Homofobia, racismo, violência doméstica, bullying.


"A história de uma cidade é como uma mansão velha e irregular, cheia de aposentos e buracos e passagens de roupa suja e sótãos e todo tipo de pequenos esconderijos excêntricos... sem mencionar uma ocasional passagem secreta ou duas. Se você for explorar a Mansão Derry, vai encontrar todo tipo de coisas. [...] Alguns dos aposentos estão trancados, mas há chaves... Há chaves." (pág. 155)

As crianças, cada uma com suas peculiaridades, descobriram a única forma de destruir o monstro, mas isso só será revelado ao leitor nos capítulos finais. Ao longo do texto fica evidente que a entidade que assombra Derry é antiga, sobrenatural e assume a forma dos medos mais terríveis de suas vítimas. Importante observar que cada membro do grupo enfrenta a "coisa" sob diferentes formas. Os membros do Clube dos Otários, agora adultos, retornam a cidade e recebem, junto com a paisagem familiar, lembranças e emoções adormecidas, o que torna o reencontro um evento carregado de memórias e sentimentos, que os remetem a quem são e quem foram no passado.


Outro fato interessante é que It não é apenas mais um livro de terror, não mesmo. A obra aborda questões polêmicas, delicadas e talvez as questões emocionais, bem como os relacionamentos mereçam maior atenção. Quanto à "coisa", fica o mistério: O que é, como e por que ela permanece em Derry através dos tempos? O livro responde! Os últimos capítulos são intensos e reveladores. King merece aplausos pelo final inusitado que escreveu para cada uma das personagens, inclusive Derry, que para mim é a grande protagonista. #Recomendo


VITAMINAS:



RESENHA ESCRITA POR: SIMONE TORRES
40. Pedagoga e Teóloga. Leitora compulsiva, cinéfila e amante dos animais. Fazer arte é o que mais amo depois de ler.

3 comentários:

  1. E ainda que seja violento com crianças, o filme não ofende ou traz alguma cena desnecessária. O gênero de terror nunca foi um dos meus preferidos, porém devo reconhecer que It A Coisa, foi uma surpresa pra mim, já que apesar dos seus dilemas é uma historia de horror que segue a nova escola, utilizando elementos clássicos. Com protagonistas sólidos e um roteiro diferente. Depois de vê-la você ficara com algo de medo, poderão sentir que alguém os segue ou que algo vai aparecer.

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