quinta-feira, 12 de julho de 2018

RESENHA DO LEITOR: O RISONHO CAVALO DO PRÍNCIPE

SINOPSE: Neste livro, Veiga coloca seus personagens – e nós leitores – em situações curiosas, que nitidamente imaginamos e visualizamos como se tivéssemos diante dos olhos, no cinema ou na TV, uma das mirabolantes aventuras de Indiana Jones. Realiza com isso um verdadeiro achado literário, pois é uma história dentro da outra. Severo e bem-humorado, José J. Veiga critica os costumes dos brasileiros, como o já famoso “jeitinho” e o slogan de que somos uma nação do futuro, sem, no entanto, possuirmos um presente que nos abone para a próxima temporada.



"No imprevisto, no não saber o que pode acontecer nas próximas horas é que está o encanto da vida."

Que livro encantador! Sabe aquelas leituras que te deixam leve, bem humorado e achando a vida colorida? Pois este é um deles! Na obra temos uma história dentro de outra história, e cada uma consegue prender nossa atenção separadamente. Está escrita em 3ª pessoa. No enredo principal temos Cesarina (ou César, como é chamada por todos). Uma menina de 12 anos, alegre, extrovertida e cheia de personalidade, e que não se importa em ser chamada de "César", um nome oficialmente masculino. César vive com os pais, Oraciano e Esmeralda e tem uma admiração especial por sua tia Basília (irmã de seu pai). Basília, uma balzaquiana muito ligada a leitura, é solteira e preocupa-se com o comportamento da sobrinha, já que esta não tem vaidade com roupas e tudo o mais que seria normal para uma menina de sua idade. César gosta mesmo é de viajar pelos livros (talvez por influência da própria tia). Vive lendo: em casa, na rua, em cima de uma árvore.


Os pais de César, na busca pela causa do estranho comportamento da menina, decidem adotar uma criança da idade da filha, para fazer companhia e quem sabe colocá-la nos eixos. Para sua surpresa é César quem "escolhe" o irmão. Mem (ou Mengávio) é um amigo da escola e por infelicidade perdeu os pais recentemente e vive (de favor) com vizinhos que o maltratam. Assim, tem início uma grande amizade, repleta de aventuras, estripulias e ensinamentos mútuos. O que causa surpresa à família é que Mem é negro e a sociedade de Santa Maria do Monte não poderia ser mais preconceituosa. No entanto, a família de César é diferente e encara o desafio, dando a Mem o mesmo tratamento dado a filha, bem como as mesmas oportunidades. Este é um dos pontos que me chama a atenção no livro, em diversas passagens o autor descreve o racismo e o preconceito de forma nua e crua.



Quando um certo hóspede deixa a casa de César (onde alugou um quarto por algum tempo), esquece por acaso um livro e é a partir daí que dá-se início à uma nova aventura na vida das duas crianças. O livro repleto de ilustrações, está escrito em alemão e junto com Basília, os dois irmãos decidem escrever um livro baseado nas ilustrações daquele volume. Assim o fazem e nós, leitores, mergulhamos dentro dessa história, com início, meio e fim. Interessante frisar que as duas histórias conseguem ser independentes uma da outra. Não detalharei o que César, Mem e Basília escreveram, mas para deixar um gostinho de quero mais, vou falar um pouquinho (por alto). 


"Tia Basília falou que ele trata de cavalo, de príncipe, de computador, e se passa na Alemanha e na Abissínia". (pág. 39)

Dito isto, basta saber que trata-se de uma família alemã, dona de uma fazenda, que resolve mudar de ramo, da criação de porcos para a montagem de computadores. Além disso, o pai, agora financeiramente acomodado, resolve realizar um sonho de juventude e parte para a África, em busca das ruínas de um reino perdido no tempo, chamado Galimátias. Assim, desenrolam-se episódios enigmáticos e aventuras empolgantes. É lá que, envolto em visões e viagens no tempo, surge a figura do príncipe "Megarata", dono do risonho cavalo "Palafrém", que dá nome ao livro. Em diversos trechos podemos observar menções ao Brasil, ora em tom de elogio, ora em tom de crítica, mas sempre comparando a vida e os costumes europeus com o que temos aqui, na velha Pátria. Se eu recomendo o livro? Sim, certamente!


"Não somos como os brasileiros, por exemplo, povo que conheço bem porque vivi no Pará. Eles dizem que mais vale um gosto do que dois vinténs. Quando pegam um dinheirinho, estouram em bobagens. Por isso nem gozam os gostos nem têm os vinténs. Boa gente, mesmo assim."

VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: SIMONE TORRES
40. Pedagoga e Teóloga. Leitora compulsiva, cinéfila e amante dos animais. Fazer arte é o que mais amo depois de ler.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

RESENHA DO LEITOR: ME NAMORA?


SINOPSE: Ele morria, ela ressuscitava. Ambos se encontravam. Paul é um engenheiro bem-sucedido que vê sua vida tornar-se um caos após uma grande perda e encontra-se submerso em um mar de dor e sentindo seu desejo de justiça o consumir. Em contrapartida há Chloe, uma advogada decidida a se reerguer após ter seus sonhos brutalmente interrompidos em uma manhã de outono. A esperança que rege um e a morte que guia o outro, muda de rumo e faz com que se encontrem. Então surge uma indagação "será que poderão sobreviver a pressão de suas carreiras e com todos os desafios de suas, quase, morte interna?". Quando pensam estar conseguindo superar tudo, surge um outro problema agora não mais interno e sim em carne e osso, Jack.


“Assim nossa história se inicia, e logo de início vou acabando com o mistério. Não ele não estava apaixonado por ela e ela não estava de luto pelo fim da vida de alguém, mas não vou contar tudo agora, venha comigo, vou lhe contar o que acontece a seguir, mas preste bastante atenção.”

Olá pessoal! Peço desculpas pelo sumiço e pela demora em trazer a resenha completa dessa história tão fofa e bonita. Em “Me Namora?” Conhecemos Chloe e Paul e suas dores. Chloe vê seus sonhos sendo jogados no lixo quando seu então noivo termina tudo com ela sem nenhuma explicação! Triste né? Se Chloe sofreu? Muito!! Imagina só, você acorda, sai para encontrar seu amor e TOMA!! Ele termina tudo com você e pior, você nem ao menos sabe o motivo. Na verdade, ela até recebe uma explicação mais adiante, uma explicação até que plausível. Maaaaas, não posso nem comentar sobre, seria um baita SPOILER!!


“Aquele dia estava verdadeiramente longo recebeu seu pedido, porém não sentia fome, apenas tomou um banho e se deitou, e permaneceu sozinha, em silencio, no escuro até amanhecer.”

Paul é um belo homem, possui sua própria empresa de engenharia. Sem falar que possui um grande amor – Katharine, que está se mudando para sua cidade. Tudo perfeito né? Porém, Paul vê seu mundo caindo bem diante de seus olhos quando seu grande amor é perdido de uma maneira muito triste.  


“Permaneceram por algum tempo até Paul pedir o carro ao manobrista, a noite estava ficando fria, ele a levou para casa deixando-a com um beijo na testa e a promessa de um novo jantar. ”

A vida é cheia de surpresas certo? E essa mesma vida, dá m jeito de unir Chloe e Paul. Quando isso acontece, ambos estão destruídos por dentro, não sabem como fazer para seguir a vida. Eles passam a se apoiar e aos poucos um novo sentimento começa a surgir entre Chloe e Paul. Como falei nas PrimeirasImpressões que fiz aqui para o blog, adorei o fato de a autora conversar com leitor, parece que ela está aqui do meu lado no sofá tomando um café. Confere aí como ela conversa com o leitor:


“Prestaram bastante atenção? Caso tenham se perdido no caminho aconselho voltar um pouquinho, não tem problema eu espero você... iniciamos vendo um dia de duas pessoas distintas, totalmente estranhas uma para a outra, depois conhecemos os dias que os antecederam. Foram momentos completamente opostos para Chloe e Paul, mas nem sempre todos são felizes ao mesmo tempo ou nem todos são tristes para sempre, mas vamos voltar à história.”


Maya F., presenteia o leitor com um romance envolvente, de escrita leve e simples. Seus protagonistas são bem escritos e desenvolvidos, fazendo que logo de cara o leitor se envolva com eles e com as sãs histórias. Adorei a diagramação do livro, em como a capa. Parabéns a Constelação Editorial. Bem, por hoje isso é tudo, até uma próxima. Beijos, Renara.

VITAMINAS:


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RESENHA ESCRITA POR: RENARA CABRAL PEREIRA PAVEZ
24 anos, capixaba e casada. Formada em pedagogia. Amo ler e dar aula. A leitura me faz viajar!

terça-feira, 10 de julho de 2018

RESENHA DO LEITOR: MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS


SINOPSE: Em Memórias de um sargento de milícias, tem se como protagonista não o típico herói romântico, mas o primeiro grande malandro da novelística brasileira. Esse romance narra as peripécias de Leonardo, filho de Leonardo-Pataca e Maria-da-Hortaliça, e por meio delas retrata com cinismo e comicidade a sociedade carioca da primeira metade do século XIX. Abandonado pela mãe – que trai o esposo e foge com outro homem – e pelo pai, Leonardo é adotado pelo padrinho e torna-se um menino cada vez mais briguento e travesso. O leitor irá acompanhar as aventuras e desventuras sociais desse personagem.


Impressões Pessoais: Olá, leitores! Novamente trago para vocês um clássico da literatura brasileira. Uma obra publicada em forma de folhetim entre 1852 e 1853, assinado por “Um Brasileiro”. Já que a autoria de Manuel Antônio de Almeida só foi revelada em 1863. Confesso que posterguei a leitura desse livro achando que a leitura seria complexa e com uma escrita muito rebuscada. Ainda bem que eu estava enganado, porque graças a experiência do autor como revisor e redator, o estilo jornalístico e direto faz-se presente em toda a obra. Além disso, percebe-se no texto a fuga dos padrões românticos comuns à época a partir do uso da linguagem das ruas, das classes média e baixa. Já que a história se passa no começo do século XIX, período em que a família real portuguesa estava refugiada no Brasil. 


Nesse romance de costumes, vocês encontrarão personagens que tem como principal objetivo retratar estereótipos, costumes e problemas ligados ao Brasil. Por isso, ele trata de problemas, como: intolerância religiosa, corrupção, omissão de fatos, abuso de poder, fofocas, chantagem, malandragem brasileira, dentre outros. O próprio Leonardo – personagem principal que foi abandonado pela mãe adúltera e pelo pai desnaturado sendo criado pelo padrinho – não é visto como “homem ideal” do romantismo, mas um personagem que sempre faz de tudo para se dar bem às custas dos outros, que é um costume herdado de seu pai e seu padrinho. Motivado por ambição seu tutor (padrinho) ficou rico de forma ilegítima e ambicionava transformar seu afilhado em um homem e influente socialmente.


Na história de Leonardo – que gosta mais de se divertir do que trabalhar – o autor faz uma irresistível e bem humorada história sobre o cotidiano do Rio de Janeiro do século XIX. Uma verdadeira comédia nacional, porque o malandro Leonardo irá se meter em divertidas aventuras enquanto luta para conquistar o amor da jovem Luisinha, personagem que contribuirá para Leonardo mudar de caráter. Com uma escrita tranquila, fluida, direta e de fácil compreensão essa obra considerada como precursor do Realismo Brasileiro. Usando a ironia, o autor deixa clara sua intenção de divertir o leitor com os problemas sociais de sua época. O livro deixa de lado a fantasia de amores perfeitos do Romantismo, a linguagem metafórica, a idealização da mulher, mas reconstruiu hábitos, relações sociais e personagens típicos. Com uma visão crítica e menos idealizada essa obra é uma verdadeira obra-prima da literatura brasileira. Incentivo vocês a conhecerem essa história tão interessante e que nos ajuda a compreender melhor as origens de muitos costumes e problemas brasileiros.


SOBRE O AUTOR: Manuel Antônio de Almeida nasceu em 17 de dezembro de 1831, embora tenha ficado órfão de pai aos 11 anos de idade e tenha tido uma infância muito o pobre, ele conseguiu ingressar na Faculdade de Medicina e concluir o curso. No entanto, devido a dificuldades financeiras, não chegou a exercer a profissão, dedicando-se ao jornalismo e às letras. Ocupou a direção da Tipografia Nacional e foi oficial da Secretaria do Ministério da Fazenda. Interessado em ingressar na vida política, o patrono da cadeira 28 da Academia Brasileira de Letras candidatou-se a deputado e, durante a campanha, em uma viagem para a cidade de Campos, faleceu no naufrágio do vapor Hermes, em 1861.

VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: Felipe Maranhão

22 anos. Graduando do 6° período de Letras, da Universidade Federal do Tocantins. Pesquisador em Iniciação Científica pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, com ênfase em bilinguismo Krahô. E amante da literatura universal.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

PRIMEIRAS IMPRESSÕES: RIBEIRÕES DA PAIXÃO

SINOPSE: Crislene, uma médica dedicada em sua profissão, se acidenta durante uma viagem à fazenda do Pai. Claudio, o peão da fazenda vizinha, ao vê-la corre ao seu socorro. Deste encontro nada tranquilo, nasce uma paixão avassaladora. Mas Leopoldo, pai da moça, não está nada satisfeito com o romance e, ignorando os sentimentos da filha, declara guerra ao relacionamento. Para onde correr quando o amor não nos deixa em paz? Quando os pulmões estão doloridos de tanto chorar e os olhos inchados de não conseguir dormir direito? Esse é o castigo quando se ama demais? Descubra nesse romance encantador.


Olá pessoal, tudo bem? Espero que gostem das Primeiras Impressões do livro de hoje. Ribeirões da Paixão conta a história de Crislene e Claudio, dois jovens que se encontraram depois que ela caiu do cavalo e se apaixonaram perdidamente, mais não tem a aprovação dos pais da moça. Por ele ser pobre e ela rica. É aquela clássica história clichê romântica que sempre aquece nossos corações, nos fazendo acreditar que um dia todos encontram um amor pelo qual vale um sacrifício.


Não pude ler tudo, mas o mínimo que li posso dizer que é uma história muito cativante. Os personagens principais são simpáticos e apaixonantes. Os pais dela são, digamos rígidos. Crislene é uma pessoa importante, então para eles, ela deve se casar com um homem do mesmo nível. O que me incomoda é a história acontecer rápida demais. Bom, eles se conhecem, já se apaixonaram não teve aquela fase de conhecimento, de amizade nem nada, eles vão direto ao ponto. Eu, como amante de livros românticos, não gosto muito. Eu gosto mais quando tem um desenvolvimento da história mais lento e que as coisas vão acontecendo no seu tempo, mais fora esse detalhe, o livro tem tudo pra ser maravilhoso.




Eu realmente preciso ler o restante, afinal ele deixou aquele sentimento de “E agora?”. Espero que tenham gostado e se tiverem oportunidade leiam o livro.


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RESENHA ESCRITA POR: THALIA CAROLINI

20 anos, geminiana, ama astrologia, o meu tempo é dividido em viajar nas estrelas, nas musicas e nos livros. Amo um bom clichê e histórias de perder o fôlego, minha maior alegria é um livro novo na estante. Dentro desse universo aprendi que sonhar é bom, mais ler é essencial.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

PRIMEIRAS IMPRESSÕES: VENTOS NÔMADES

SINOPSE: Quantas vezes numa viagem nos permitimos ver a vida com outros olhos? Em Ventos Nômades você encontrará dez contos que cruzam continentes, exploram o choque de culturas e novos horizontes além das fronteiras tupiniquins. Você largará tudo em busca do sentido da vida com Guilherme até chegar ao mais antigo templo do sudeste asiático. Com uma americana à beira da morte, receberá um sopro de vida na ilha grega de Creta. E se embrenhará junto com dois amigos nos segredos judaicos de Praga. Ventos Nômades é um convite a viajar pelo mundo.


Antes de começar esta resenha devo confessar que além de ser a minha primeira “Primeiras Impressões”, também é a primeira vez que leio um conto que fuja do gênero que tenho mais afinidade: o terror. Outra coisa que devo confessar é que devo fazer isso mais vezes, pois EU GOSTEI MUITOO!!!


Ventos Nômades é uma compilação de contos relacionados a viagens, culturas etc, mas a minha impressão é que ele vai além disso. Entrelaçados ao conto, a autora nos apresenta pontos de vista, pensamentos e sensações, que parecem realmente tiradas de um passeio como o que a personagem está fazendo, apresentando ao leitor reflexões a respeito de outras culturas, que deveriam ser feitas por todos.


A temática do livro, junto com a minha saída da minha zona de conforto literária foi uma junção perfeita, onde a única vontade que tive depois do início da leitura, além de botar uma mochila nas costas e sair sem rumo, foi ler os outros contos. 


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RESENHA ESCRITA POR: TAY RAMONE
18 anos, catarinense, estudante de medicina veterinária, apaixonada pela leitura. Tem um amor imenso por Stephen King, Ramones e animais.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

RESENHA DO LEITOR: NO SEU PESCOÇO

SINOPSE: A escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie vem conquistando um público cada vez maior, tanto no Brasil como fora dele. Em 2007, seu romance Meio sol amarelo venceu o National Book Critics Circle Award e o Orange Prize de ficção, mas foi com o romance seguinte, Americanah, que ela atingiu o volume de leitores que a alavancou para o topo das listas de mais vendidos dos Estados Unidos, onde vive atualmente. Ao trabalho de ficcionista, somou-se a expressiva e incontornável militância da autora em favor da igualdade de gêneros e raça. Agora é a vez de os leitores brasileiros conhecerem a face de contista dessa grande autora já consagrada pelas formas do romance e do ensaio. Publicado em inglês em 2009, No seu pescoço contém todos os elementos que fazem de Adichie uma das principais escritoras contemporâneas. Nos doze contos que compõem o volume, encontramos a sensibilidade da autora voltada para a temática da imigração, da desigualdade racial, dos conflitos religiosos e das relações familiares. Combinando técnicas da narrativa convencional com experimentalismo, como no conto que dá nome ao livro — escrito em segunda pessoa —, Adichie parte da perspectiva do indivíduo para atingir o universal que há em cada um de nós e, com isso, proporciona a seus leitores a experiência da empatia, bem escassa em nossos tempos.


Obaaa! Voltei (risos)!!! No Seu Pescoço é um livro de contos interessantíssimos da diva-maravilhosa-poderosa-talentosa Chimamanda Adichie. Se você não conhecesse essa Deusa, por favor, receba essa palavra:
Tem um blog maravilhosooo que tem a tradução do discurso, clique aqui!

Neste livro, Chimamanda reúne doze contos, explorando diversos de temas muito delicados como: racismo, imigração, dramas familiares, religião, além de falar de amor, de conquistas e em de como lutar pelos seus sonhos nunca foi (será) uma tarefa fácil. Embora a conquista chegue para quem corre atrás, mas para um corpo negro será que as dificuldades são sempre as mesmas das pessoas não negras? Como uma mulher negra pode se ver diante de uma situação racismo? Sem estar perto do seu berço familiar, como mostrar força diante da dor e permanecer firme na sua escolha?


O conto que dá título ao livro "No Seu Pescoço", traz a história de uma jovem africana que viaja de sua terra natal na Nigéria, para a tão sonhada América primeiramente para estudar. Longe da família, logo no início de sua jornada, o tio (não sanguíneo) que está recebendo em sua casa tenta abusar dela. Ela acaba fugindo da casa daquele homem e tem que seguir sua nova vida sozinha, em um emprego que mal pode escolher, pagando aluguel em um lugar minúsculo. Onde fica o glamour de quem mora na América mesmo? Sem apoio algum, a garota passa por momentos difíceis até se adaptar aquela nova realidade e desse modo até pensa em desistir dos planos que a fizeram sair de casa. Será que ela devia ter saído de sua casa?


Chimamanda é muito talentosa e tem conquistado muitos leitores com a sua leitura dinâmica, cheia de detalhes e doçura apesar de tocar em algumas feridas a leitura dela é fascinante!!! Amei a capa do livro, uma mulher preta como a noite, misturando o amarelo com o azul das tranças da ilustração. Espero que gostem! Beijos até a próxima!!!


RESENHA ESCRITA POR: GREISI SILVA
28 anos, administradora e artesã nas horas vagas, apaixonada por leitura e artes, não vivo sem música, poesia e cinema. Descobri que viajar é preciso e comer pipoca é fundamental para se ter boas ideias.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

RESENHA DO DIA: A MADONA DE CEDRO


SINOPSE: Delfino Montiel, um sujeito calmo e bastante religioso, sai de Minas Gerais para conhecer o Rio de Janeiro. Além de se encantar com o mar, se apaixona por Marta, que corresponde aos seus sentimentos. Vindo de uma vida simples, querendo se casar e dar conforto para sua amada, acaba se metendo em confusão. Convencido pela quadrilha de Vilanova e seu amigo Adriano para conseguir dinheiro, rouba a uma madona esculpida por Aleijadinho. Após o roubo, entra num processo destrutivo de culpa, pois sua atitude fugiu completamente dos seus princípios morais e religiosos. Apesar de ter sido por amor, Delfino praticamente enlouquece de remorso, não conseguindo livrar-se da culpa que sente por ter roubado a imagem, impedindo-o de ser realmente feliz ao lado de Marta, que era uma mulher bonita e sincera.


Sabe aquele livro que você quer terminar de ler para saber o final da história, mas ao mesmo tempo não quer terminar para que a história não acabe? Esse é um deles. Que livro incrível! Mais uma vez Antonio Callado (autor de Quarup) consegue me fazer viajar não apenas pelos recônditos do Brasil, mas também pelo mundo fantástico de suas personagens e mais ainda pelas tramas e dramas incríveis que consegue construir. Em "A Madona de Cedro", obra escrita em 1957, temos a infeliz saga de Delfino Montiel, nosso protagonista e autor de um dos roubos mais famosos de Minas Gerais, mais especificamente em Congonhas do Campo. Delfino é proprietário de uma pequena loja de imagens sacras de pedra-sabão, herdada de seu pai. Narrada em terceira pessoa, a obra vai e vem no tempo, mesclando presente e passado, ora narrando os acontecimentos de 13 anos antes (quando se deu o famoso roubo da estátua de Nossa Senhora da Conceição, obra de Aleijadinho, colorida pelo mestre Ataíde, do qual Delfino foi o autor), ora narrando o desenrolar dos fatos no presente, quando Delfino decide confessar seu crime e é novamente procurado pela quadrilha que o convenceu a cometer o crime pela primeira vez.


No entanto, nada é tão simples! As motivações que levaram Delfino a tal extremo, sendo ele um homem honesto, religioso e cidadão de bem, nos fazem tê-lo ora como vilão, ora como mocinho. Acontece que nosso herói/vilão se viu perdido de amores por Marta, moça que conheceu em viagem ao Rio de Janeiro e pela qual se encantou perdidamente. Não possuindo os recursos para casar com Marta imediatamente, se viu convencido por seu amigo de infância, Adriano, a cometer tão grande sacrilégio em troca dos contos necessários para a realização do casamento com sua amada. Após acontecimentos dramáticos e perigosos, enfim, Delfino cria coragem e resolve confessar a Padre Estevão (Pároco da cidade) toda sua história e aceita resignado sua sentença/penitência, seja ela qual for. O que o Padre decide fazer a partir daí e qual penitência reserva a Delfino, só lendo para saber, mas garanto que cada página vem mesclada de dor e emoção. O final do livro não poderia ser mais emocionante! Delfino sofre e sofre calado! Sua dor, o peso de consciência, seu desespero, são transmitidos com maestria, ao mesmo tempo em que acompanhamos a cada capítulo, as características e peculiaridades das  personagens. Na obra, encontramos referências religiosas e culturais daquela região e uma carga impressionante de drama e suspense. Um livro que envolve família, religião, cultura regional, crime, romance, pecado e redenção. Foi adaptado ao cinema em 1968, com direção de Carlos Coimbra. Recomendo!


VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: SIMONE TORRES

40. Pedagoga e Teóloga. Leitora compulsiva, cinéfila e amante dos animais. Fazer arte é o que mais amo depois de ler.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

PRIMEIRAS IMPRESSÕES: SACRIFICAR

SINOPSE: “Imagine-se sendo ofertado como sacrifício. Existiria uma vontade em si de deixar tudo para trás por um bem maior? Imagine-se ainda ofertando alguém querido em sacrifício. Existiria coragem para viver sem essa pessoa? Um Papa foi assassinado brutalmente por uma poderosa instituição de bruxos gerando retaliações por parte dos clérigos que, finalmente, instituíram a Santa Inquisição como lei e juraram morte a todos eles. Vinte anos se passaram desde o ataque em Notre-Dame e jovens bruxos são confrontados com a nova realidade que precisa de seus sacrifícios. Sem eles não haverá salvação para a raça”.


Devo confessar que não leio livros de fantasia com muita frequência, mas Sacrificar chamou a minha atenção. Foram poucas páginas, mas a trilogia Cordas do Infinito tem seu lugar garantido entre os fãs desse gênero. Um livro cheio de mistério e magia, onde jovens bruxos tentam se manter no anonimato por causa da caça às bruxas na Santa Inquisição. E tudo começou há vinte anos atrás, quando o Santo Papa foi assassinado cruelmente em um ataque a Notre-Dame. No vilarejo de Bridal moram várias famílias ricas, os Seagon – uma família que sempre tratou todos no vilarejo, ricos ou pobres da mesma forma ajudando na medida do possível.


Entre as mulheres da família Beleneath conhecemos Lorena, uma jovem que não tem medo dos perigos da floresta e muito menos os seres que lá habitam. E a terceira, os Mitchell são esnobes e tratam os habitantes mais pobres do vilarejo com desdém. Leonard Mitchell se destacava pelo cabelo loiro e suas roupas totalmente negras e feitas com pele de lobo, os mais ferozes animais da floresta. Leonard é noivo de Lilyanne, irmã de Garret Seagon e esse noivado foi arranjado antes da morte de seus pais. Viver em Bridal pode ser seguro ou não, porque qualquer família poderia ser denunciada por bruxaria ao Tribunal do Santo Oficio. SACRIFICAR É, PRIMEIRAMENTE, SOBREVIVER.


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RESENHA ESCRITA POR: FÁTIMA GISLENE GENOVÉSIO
Tenho 50 anos, mas até me esqueço disso. Meu apelido é Gi, mas também sou a tia Gigi. Leio desde os 14 anos, era rata de biblioteca, e li tudo o que tinha de bom, quando acabou meu pai virou meu fornecedor de livros! Já trabalhei em duas livrarias e fiz feira do livro. Amo indicar livros e fico realizada quando vejo uma criança descobrindo o gosto pela leitura. E tenho muito ciúmes dos meus livros.

terça-feira, 26 de junho de 2018

PRIMEIRAS IMPRESSÕES: DEPOIS DO PRIMEIRO OLHAR

SINOPSE: Ela acredita no amor, na força do destino e na ajuda dos cosmos para protegê-la. Ele é mais cético e prefere os fatos e constatações. Por ajuda dos astros ou por apenas coincidência eles acabam se encontrando em frente à Fontana di Trevi, um encontro inesperado que a leva cair no chão. Poderia ser apenas um simples esbarrão, meros toques de ombros e um pedido de desculpa, mas os olhos deles se encontraram e a ligação aconteceu naqueles ínfimos segundos. Por destino ou por mero acaso eles se reencontram e o que acontece depois do primeiro olhar é algo que nenhum dos dois poderia imaginar.



Eu particularmente não estou gostando muito dessa coisa de "Primeiras impressões", porque eu SEMPRE ME APAIXONO PELO LIVRO E QUERO LER TODO O RESTO! Dessa vez aconteceu com o "Depois do primeiro olhar", um livro da Malu Simões. Ele conta a história da Marília, uma arquiteta que tinha uma vida bem "okay": um namorado que a todo momento dizia e demonstrava que a amava, um emprego que ela gostava, fez uma viagem com a sua melhor amiga para a Itália... E é aí que a nossa história começa... Marília é uma dessas mulheres que gosta de acreditar em coisas místicas, como por exemplo, jogar moeda em uma fonte e fazer um pedido. Mal sabia ela que uma ação simples como essa seria a fonte de seus problemas nos próximos dias e faria sua vida virar de cabeça pra baixo!


Na história, Marília descobre quem é o seu namorado, conhece um cara que a irrita profundamente, tem que lidar com uma colega de trabalho que, no pouco que eu li, eu já peguei ranço... E eu ainda acho que esse cara "irritantemente lindo" que ela teve a "infelicidade" de conhecer ainda vai aparecer muuuuuito na vida dela... Gente, eu não vou contar muitos detalhes, pois posso acabar dando spoiler, mas eu gostaria de dizer à autora que se ela quiser, eu estou aceitando o livro todo pra terminar de ler, porque ela me mandou um arquivo que acabava quando a história começava a tomar um novo rumo, que me deixou curiosíssima! Vou dormir na pia hoje tentando saber se o que acontece é realmente o que eu achando que acontece (risos)!


Tem uma narrativa bem fluida e eu tinha que tomar cuidado pra não ficar lendo sem parar e atrasando todo o resto das minhas coisas (risos)! Inclusive, preciso ir ali estudar a matéria atrasada que acabei acumulando enquanto lia... Se você gosta de histórias engraçadas, românticas e leves, vai gostar de "Depois do Primeiro Olhar", da Malu Simões!

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RESENHA ESCRITA POR: JAMILLY LEIMAN
25 anos, uma paraense que foi criada no interior da Bahia. Coração dividido entre a música e os livros, é cantora e apaixonada desde criancinha pela leitura.