sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

RESENHA DO LEITOR: CREPÚSCULO DOS ÍDOLOS

SINOPSE: Crepúsculo dos ídolos foi a penúltima obra de Nietzsche, escrita e impressa em 1888, pouco antes de o filósofo perder a razão. O próprio Nietzsche a caracterizou - numa das cartas acrescentadas em apêndice a esta edição - como um aperitivo, destinado a 'abrir o apetite' dos leitores para a sua filosofia. Trata-se de uma síntese e introdução a toda a sua obra, e ao mesmo tempo uma 'declaração de guerra'. É com espírito guerreiro que ele se lança contra os 'ídolos', as ilusões antigas e novas do Ocidente; a moral cristã, os grandes equívocos da filosofia, as ideias e tendências modernas e seus representantes. De tão variados e abrangentes, esses ataques compõem um mosaico dos temas e atitudes do autor - o perspectivismo, o 'aristocratismo', o realismo ante a sexualidade, o materialismo, a abordagem psicológica de artistas e pensadores, o antigermanismo, a misoginia. O título é uma paródia do título de uma ópera de Wagner, 'Crepúsculo dos deuses'. No subtítulo, a palavra 'martelo' deve ser entendida como marreta, para destroçar os ídolos, e também como diapasão, para, ao tocar as estátuas dos ídolos, comprovar que são ocos.


Termino a leitura deste livro com uma sensação de estranhamento. Claro, não é para menos! Nietzsche consegue “desconstruir” a imagem ideal que até hoje eu tinha de grandes nomes da história. Não que eu seja influenciável, longe disso, mas não há como deixar de ver certos aspectos, depois que os mesmos são mencionados. Em Crepúsculo dos Ídolos, como o próprio escritor deixa claro, é necessário “destruir para construir”. Uma de suas últimas obras escritas antes de perder a sanidade mental (1888) e o último livro a ver publicado em vida. Ao longo da obra, Nietzsche dedica-se a aniquilar e revelar tudo que julga falso e mítico em relação aos grandes nomes da história, filosofia, o próprio sistema educacional da época, além, é claro, da metafísica e religiões.


Suas ideias radicais deram origem a muitos dos pilares do pensamento moderno. Esse é Nietzsche: Radical, polêmico, inovador e profundamente consciente da necessidade de se buscar as verdades escondidas de nossa sociedade. Confesso que a leitura deste livro não foi fácil. Em alguns pontos tive que parar, refletir, reler, até conseguir “apreender” a ideia transmitida. Mas valeu a pena! Termino RECOMENDANDO a obra, que certamente enriquecerá qualquer um que se proponha a viajar pacientemente em suas páginas.


“Os homens mais espirituais, supondo que sejam os mais corajosos, também vivem, de longe, as tragédias mais dolorosas: mas justamente por isso eles honram a vida, por lhes oferecer a sua maior oposição.” (Nietzsche)


VITAMINAS:



RESENHA ESCRITA POR: SIMONE TORRES
40. Pedagoga e Teóloga. Leitora compulsiva, cinéfila e amante dos animais. Fazer arte é o que mais amo depois de ler.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

RESENHA DO LEITOR: IRACEMA

SINOPSE: Este romance conta a história de amor entre uma índia tabajara, a virgem dos lábios de mel, e o primeiro colonizador português do Ceará. Além de mostrar a realidade brasileira daquele momento por meio da linguagem, o autor se aproveitou de fatos históricos, como a disputa entre os índios tabajaras e pitiguaras pela região onde se passa o romance e utilizou personagens reais, como Martim Soares e o índio Poti, acrescentando lirismo próprios da poesia romântica para caracterizar um dos romances mais apreciados da nossa literatura.


Impressões Pessoais: Olá, caros leitores do Vitaminas de Livros! Hoje, compartilharei com vocês minhas impressões de leitura sobre o tão temido clássico Iracema, de José de Alencar. Antes de mais nada, vale destacarmos que José de Alencar é o mais importante escritor romântico brasileiro, não só por ter produzido em várias tendências do Romantismo, como também pela relevância de sua obra na configuração da nossa literatura. Como eu costumo dizer, ele tratou dos diversos Brasis que existem dentro do Brasil, fez isso por meio de seus romances históricos, indianistas, urbanos e regionalistas. Como sabemos o Romantismo predominou no Brasil durante o Segundo Reinado, com isso os escritores necessitavam buscar um espaço e um tempo histórico em que se pudessem ver as origens do povo brasileiro. Era também o momento em que o país, tornado independente havia pouco tempo, precisava definir uma identidade, a face que o mostraria ao mundo. Sendo o primeiro habitante do Brasil, o indígena passou a representar a utopia de um ser integrado à natureza local, homem puro, não corrompido pela sociedade. Tornou-se, então, o símbolo da identidade nacional.


Em Iracema, é interessante como o autor introduz, no universo da ficção, um repertório linguístico e cultural dos povos nativos totalmente novo para a época. Na obra o português mistura-se ao tupi, na tentativa de criar uma nova forma de expressão como um dos pilares da brasilidade. Ao fundir as duas linguagens, Alencar mescla duas visões de mundo, a do branco e a do indígena. Assim muitos dos romances de Alencar ajudaram a ampliar o repertório linguístico nacional ao introduzir novas palavras e expressões desconhecidas provenientes de regiões distantes daquelas habitadas por aldeias. Ou seja, ele tenta representar a língua e o caráter indígenas para o leitor entender a lenda do Ceará como se a história tivesse saído da boca de um índio brasileiro. Como mostrado na sinopse, Iracema, é a trágica história da índia apaixonada pelo guerreiro branco. Sua personagem principal é apresentada por um narrador que a retrata como o mais belo elemento da natureza brasileira. Impossível, portanto, de não ser admirada. Já que teremos um romance entre Iracema e o guerreiro branco Martim Soares, amigo dos pitiguaras, habitantes do litoral, e inimigos dos tabajaras, povo à qual a jovem indígena pertence. 


E José de Alencar construiu em Iracema uma parábola perfeita do processo de conquista do Brasil e de toda a América Latina pelos colonizadores europeus. A começar pelos nomes dos protagonistas: Iracema, que nada mais é do que um anagrama da palavra América, e Martim, que remete ao deus romano Marte, o deus da guerra e da destruição. Sempre incentivo à leitura dessa obra que é um clássico da literatura brasileira, desde 1865, porque na busca por uma representação da nossa identidade nacional, Alencar criou, por meio de Iracema, uma representante do indígena corajoso, guerreiro, lutador e herói brasileiro. A melhor descrição das origens brasileiras. Portanto, espero tê-los motivado a conhecer esta obra tão rica da nossa literatura brasileira, que precisa tanto ser mais valorizada por nós leitores já que ela possui uma enorme carga de riquezas históricas e culturais. 


VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: Felipe Maranhão
22 anos. Graduando do 6° período de Letras, da Universidade Federal do Tocantins. Pesquisador em Iniciação Científica pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, com ênfase em bilinguismo Krahô. E amante da literatura universal.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

RESENHA: CONTOS DE DARKNESS


SINOPSE: Contos de Darkness é uma coletânea de narrativas imersas no universo extrassensorial. Existem fatos que não obedecem às leis racionais estudadas pelos cientistas, a estes fenômenos costumamos atribuir conotação sobrenatural, mas nem todos se encaixam neste conceito. Abordando narrativas com vampiros, lobisomens, fantasmas, demônios, vozes do além, e outros elementos não conceituados pelas ciências, os contos apresentam relatos ambientados em múltiplos cenários; uma vila isolada nas montanhas em uma época remota, as grandes cidades da atualidade, castelos medievais; compondo quadros onde os elementos se mesclam e se dividem entre aqueles que vivem o desdobramento metafísico e aqueles que negam tudo que não se enquadre na racionalidade do mudo material.


Fala galera! A resenha de hoje é sobre um livro nacional muito bacana. Contos de Darkness reúne várias histórias do escritor Carlos Asa sobre o universo extrassensorial. Logo no começo temos uma apresentação do autor sobre a obra e um prefácio muito inspirado feito pela escritora Rô Mierling, autora de Diário de uma Escrava. São 24 contos que abordam temas diversos: fantasmas, vampiros, lobisomens, demônios, vozes e o mais legal é que muitas vezes acompanhamos o ponto de vista desses personagens também.


Vou falar um pouco dos contos que mais gostei. “Fantasmas” é sobre um vigia de cemitério que se depara com o espírito de duas crianças e tem uma reviravolta surpreendente. "Lincantropus" é um conto visceral sobre lobisomens que assolam uma pequena vila e sobre uma maldição. "Possuído" é sobre a luta de um homem contra um ser maligno que quer destruir toda a humanidade que lhe resta. Este é um conto bem forte. "A dama da morte" é sobre uma criatura atraída por uma mulher e sua luta contra isso. E o maravilhoso "João e Maria" é sobre um casal comemorando e cedendo aos desejos da carne.


Destaco ainda os contos "Cullens", "Acidentado", "Metamorfose", "No Inferno", "Vozes", "O Último Vampiro" e "Natal... Ano Novo... Carnaval e Cinzas". Li o livro numa tarde no Parque Ibirapuera. A escrita do autor é muito fluida, seus personagens são tão humanos, reais, que nos envolvem facilmente e em todos os contos somos surpreendidos de alguma forma. Carlos conduziu muito bem cada história e soube nos fazer rir, ficar agoniados e assustados com cada personagem. 


Um dos livros que mais gostei de ler esse ano! Super recomendo! E o autor foi tão gentil que cedeu alguns exemplares para sortearmos aqui no blog! Então esperem que logo teremos novidades! Quem se interessou e quiser saber mais sobre o livro ou adquirir um exemplar, pode entrar em contato diretamente com o autor clicando aqui!


VITAMINAS:

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

PRIMEIRAS IMPRESSÕES: DEPOIS DE TUDO

SINOPSE: Diana tem uma missão: comparecer ao encontro de dez anos do ensino médio e sobreviver às garotas que fizeram de sua vida um inferno. E para ajudar, nada melhor do que um acompanhante infalível e um trio de fadas madrinhas para prepará-la. Mas e se o acompanhante misterioso não for realmente um desconhecido? E se os traumas do passado voltarem para assombrá-la, mostrando que a história pode se repetir? Descubra neste divertido e emocionante romance sobre reencontros e novas chances para a felicidade!


Diana tem vinte e sete anos e tem uma coluna de culinária em uma revista digital, é formada em Gastronomia e ama escrever. Ela acha que essa é a solução ideal, mas Tiago e Halley, amigos com quem divide um apartamento no centro da cidade, parecem discordar. Os amigos acham que Diana deve voltar a exercer sua verdadeira paixão — escrever — já que sua vida parece estar estagnada. Mas tudo muda quando ela recebe um convite no Facebook para um encontro de dez anos da turma da escola. Lembranças amargas dessa época retornam e Diana vê todo o esforço que fez para esquecer ir por água a baixo.


E agora ela tem a difícil decisão de comparecer ou não ao encontro e essa decisão pode mudar completamente sua vida. Ela irá encontrar as pessoas que transformaram a sua vida em um inferno e que a fez perder seu primeiro amor. Até que ponto podemos reescrever a história da nossa vida? Depois de Tudo é um romance sobre recomeços, segundas chances e as mudanças que você pode fazer em sua vida. Reencontrar pessoas do passado pode ser a chave para mudarmos a nossa vida. As vezes pensamos que o que temos nos basta e que não vale a pena lutar por nossos sonhos, mas porque não tentar?


O enredo do livro é maravilhoso, uma história linda de superação, amores que resistem ao tempo, algumas amizades tóxicas, mas amizades verdadeiras também. A autora tem muita sensibilidade em descrever a vida da protagonista, Diana, nos levando a entrar no mundo e na cabeça da personagem, ao ponto de nos identificarmos e emocionarmos com ela. Depois de Tudo é um livro que aborda temas como bullying, relações abusivas, recomeços, amizade, segundas chances e amor tudo em um enredo envolvente e emocionante.


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RESENHA ESCRITA POR: FÁTIMA GISLENE GENOVÉSIO
Tenho 50 anos, mas até me esqueço disso. Meu apelido é Gi, mas também sou a tia Gigi. Leio desde os 14 anos, era rata de biblioteca, e li tudo o que tinha de bom, quando acabou meu pai virou meu fornecedor de livros! Já trabalhei em duas livrarias e fiz feira do livro. Amo indicar livros e fico realizada quando vejo uma criança descobrindo o gosto pela leitura. E tenho muito ciúmes dos meus livros.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

RESENHA DO LEITOR: QUATRO VIDAS DE UM CACHORRO

SINOPSE: Esta é a inesquecível história de um cão que, após renascer várias vezes, imagina que haja uma razão para seu retorno, um propósito a cumprir e que, enquanto não o alcançar, continuará renascendo. Narrado pelo próprio animal, Quatro vidas de um cachorro aborda a questão mais básica da vida: por que estamos aqui? Emocionante e com boas doses de humor, este é um livro para todas as idades, que mostra o olhar de um cão sobre o relacionamento entre as pessoas e os laços eternos entre os seres humanos e seus animais. Se você gostou de Marley e Eu, vai adorar esta aventura que agora ganha as telas do cinema.


Impressões Pessoais: Olá, leitores! Hoje, comentarei com vocês minhas impressões sobre esta leitura tão sensível que é capaz de encantar a todos os apaixonados por cachorros. Mas, antes de tudo, eu gostaria de agradecer a editora Harper Collins, por ter cedido um exemplar de Quatro vidas de um cachorro. Diga-se de passagem que a capa e a diagramação desse livro são muito bem estruturadas, contribuindo para o prazer dessa leitura. Por isso, muito obrigado Harper Collins!  Quatro vidas de um cachorro é obra do escritor W. Bruce Cameron, que é autor best-seller, que por duas vezes foi eleito o melhor colunista de humor e seus artigos semanais são lidos por mais de três milhões de pessoas. Esse livro foi publicado no Brasil pela editora Harper Collins em 2016, e no ano seguinte, foi adaptado para os cinemas. 


Nesta história nós conheceremos o Tobby, Bailey, Ellie e o Amigão, quatro cachorros vividos por meio de um único personagem que foi reencarnando-se nessas diferentes formas de vida. Vidas diferentes, mas carregadas de aprendizados, com um íntimo que busca compreender o propósito da vida. Nesta história, tão sensível, cativante e emocionante, vocês conhecerão esse cachorro em diferentes vidas, que renasceu diversas vezes e está em busca da resposta à pergunta: por que estamos aqui? E a cada nova vida dele, vocês serão conduzidos as aventuras e pensamentos que os animais são submetidos diariamente. E o autor conseguiu administrar muito bem os pensamentos simples desse cachorro, que vai narrando o que está acontecendo ao seu redor de uma forma muito simples e singela.


Por isso, à medida que lemos vamos encontrando pitadas de humor por toda a história, mas também muitos momentos tristes que nos fazem refletir em situações relacionadas aos cuidados e responsabilidade para com os animais. Por exemplo, a cada vez que esse cachorro morria e partia de uma vida para outra era sempre muito tocante. E a cada vida ele narrará suas dúvidas, percepções e aprendizados, ou seja, mergulharemos em um universo em que teremos a visão de cães. E o autor conseguiu nos oferecer uma perspectiva diferente da tradicional evitando absurdos e caricaturas e nos dando uma narrativa  cativante e que nos aproximam da vida animal. Garanto a vocês que esta é uma narrativa de reflexão, apaixonante e cativante. Como leitores, somos levados a refletir na efemeridade e objetivos da vida e no quanto a vida dos animais também são preciosas. Espero que esta resenha os motive a conhecer esta linda história da literatura contemporânea.


VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: Felipe Maranhão
22 anos. Graduando do 6° período de Letras, da Universidade Federal do Tocantins. Pesquisador em Iniciação Científica pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, com ênfase em bilinguismo Krahô. E amante da literatura universal.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

RESENHA DO LEITOR: NOVA JAGUARUARA

SINOPSE: Um antigo e curioso evento acontece todos os dias em Nova Jaguaruara, uma pequena cidade no interior do Ceará: à meia-noite, as luzes se apagam e a cidade cai na escuridão por exatamente um minuto. Vicente e sua equipe de trabalho chegam à cidade para estudar as condições para a instalação de torres de energia eólica na região e, quem sabe, resolver o estranho problema de queda de energia. O que eles não sabiam, entretanto, é que a cidade esconde uma terrível história relacionada ao desaparecimento de pessoas desde o início do século XX. A única coisa de que são alertados desde o primeiro dia é o fato de não poderem se aproximar de uma igreja abandonada na beira da estrada, um pouco afastada de Nova Jaguaruara. Infelizmente, o aviso não é o suficiente e logo Vicente e sua equipe encontram-se presos nos terríveis mistérios da cidade.


Este foi um livro indicado pela Tatiana Feltrin, e digo isso de inicio, pois ela passa indicações maravilhosas e até hoje não me arrependo de ter comprado este e-book, que como ela mesmo diz é “sensacional!”. Tudo começa quando algumas crianças vão tentar descobrir o porque acontece de todos os dias haver, a exata meia-noite, um apagão na cidade de Nova Jaguaruara. E para poderem desvendar este mistério, elas vão ao lugar mais temido e indesejado dos moradores. A Igreja antiga perto da estrada abandonada. Lá eles se desafiam entre si – incluindo o irmão caçula de um deles que fora de penetra – a entrarem no local. O caçula é escolhido, mas não consegue ir, deixando seu irmão mais velho se incumbir deste desafio e mostrar-lhe que é o melhor. Ali começa o primeiro suspense, será que ele consegue sair vivo dali? Há boatos de que vai não volta mais, porém ele volta e traz consigo um cálice. Felizes, voltam para casa, mas um deles não.


“É no medo dos outros onde reside a nossa coragem”.

A leitura de Nova Jaguaruara é muito fluente, não sei se por ser em formato e-book tenha a ver, mas eu que não era muito acostumada a ler neste formato em si, comecei a ler muito mais no kindle depois deste e-book. Mas afinal, o que ele tem de tão especial? Como deve ter sido notado logo na sinopse, é um livro de suspens/mistério, mas é muito mais que isso! É uma trama muitíssimo bem montada, onde no inicio você acha que são histórias esparsas que não têm ligações, mas o autor é fantástico e consegue juntar todas essas histórias do presente e passado de um jeito fenomenal! A cada paragrafo, uma emoção! Não é porque o livro é um suspense/mistério que você não vai chorar ou rir, ou levar sustos como se estivesse assistindo um filme de terror mesmo. Cada detalhe da história conta e digo que precisa prestar muita atenção nestes para tentar desvendar o mistério de Nova Jaguaruara, uma cidadezinha um tanto quanto peculiar e bem estranha.


Se você já assistiu filmes clichês de terror ou leu As Possuídas do Diabo de Thomas Tryon vai saber exatamente como é a cidade. Uma pacata cidade, com pessoas simpáticas e uma igrejinha de centro. Mas, será se dá para confiar? Que tanto segredo nos impede de passar as portas da antiga igreja? Que mistérios da meia-noite, quando as luzes sofrem o temível apagão, os moradores escondem? Será se eles realmente sabem? Sim! Vou deixar vocês com várias interrogações, pois o livro precisa ser lido sem muitos detalhes e não recomendo procurar por resenhas até tê-lo lido. Não vão se arrepender! Mas cuidado. Talvez a igreja da sua cidade seja a próxima morada do diabo...


“Naquele dia, depois de quase cinquenta anos de jejum, o chão do cemitério de Jaguaruara comeu carne mais uma vez.”

VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: KAROLINA V. S. MELO (Karol Melo)
22 anos, mora atualmente no interior do Paraná. Depois que descobriu o mundo da ficção se tornou uma leitora compulsiva. Ama músicas que a inspirem, e séries de suspense policial, mas não nega um romance clichê. É escritora no blog Verdades e Poesias e sonha em publicar um livro para chamar de seu.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

RESENHA DO LEITOR: NASCIDOS MORTOS

SINOPSE: Em uma dimensão paralela não tão diferente da nossa, existem entidades sobrenaturais chamadas de Nascidos Mortos. Tais seres são, de maneira geral, almas vingativas que nunca aceitaram morrer, pois enquanto ainda estão desencarnados invadem os corpos de bebês natimortos, indo contra os ideias naturais do mundo. Ficam, dessa forma, prisioneiros dos corpos que escolheram viver, pois nem Deus e nem o diabo os aceitam em seus reinos, tornando-se condenados à eternidade na Terra. Cadmo foi raptado no seu primeiro dia de trabalho e de maneira inesperada foi inserido nesse mundo obscuro de pessoas ressentidas que buscam vingança e o perdão da Morte.


Finalmente encontrei um livro de terror, ficção, drama e mistério que não cai nos costumeiros clichês. Eis uma trama que prende do início ao fim, repleta de ação e suspense em todos os capítulos, que por sinal são 45. Escrito em 3ª pessoa, temos como personagem central Cadmo, um adolescente típico, vivendo uma vida normal, prestes a começar a trabalhar na editora de livros clássicos do pai (Ulisses), que tem por amigo de longa data Menelau, um dos professores de Teologia da universidade local e que se revelará fundamental para o desenrolar da trama. Menelau é um "nascido morto", termo usado para designar aqueles que não aceitaram a morte e que voltaram para se vingar de algo ou alguém. Agora são rejeitados pelo céu e pelo inferno, condenados a vagar pelo mundo dos vivos eternamente, mesmo que assim não estejam.


Ao perceber que Cadmo está condenado a ser um nascido morto, mesmo que este ainda não tenha consciência disso, o professor o sequestra e o leva ao seu esconderijo (uma mansão no meio da floresta, longe de tudo e de todos), onde se reúnem seus seguidores e protegidos. Lá, Cadmo aprenderá aos poucos quem são aquelas pessoas e o que eles têm em comum. Hemera, Héracles, Jasão, Morgana, Héstia, Tália, Sabrina, Minerva, Hermes, Adônis, Heféstion, entre outros, são algumas das personalidades marcantes que darão a Cadmo o suporte necessário para descobrir sobre si mesmo e sobre os motivos de estar ali.


Entre imagens fantasmagóricas, seres repulsivos, dramas pessoais e tragédias anunciadas, Cadmo vai aos poucos entendendo os motivos que o levaram  ao encontro daquelas pessoas e ao mesmo tempo vai perdendo o controle de si mesmo, física e psicologicamente. Uma outra personalidade começa a assumir seu corpo e Cadmo precisa descobrir porque aquilo está acontecendo e quem é a consciência que insiste em dominá-lo e fazê-lo cometer atrocidades contra sua vontade.


Interessante observar que a maioria dos nomes das personagens são de origem grega, com exceção de Morgana, Sabrina e Minerva (referência à professora Minerva Mcgonagall, de Harry Potter), que obviamente são bruxas famosas. A autora teve o cuidado de trabalhar a história de cada personagem, apesar de serem coadjuvantes. Todos são relevantes à sua maneira, para o desenvolvimento da trama. Com um final impactante e surpreendente, a obra nos leva a refletir sobre o peso da imortalidade, da morte, da vida e do legado que construímos e deixamos ao longo de nossa existência. Recomendo!

VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: SIMONE TORRES
40. Pedagoga e Teóloga. Leitora compulsiva, cinéfila e amante dos animais. Fazer arte é o que mais amo depois de ler.