quarta-feira, 19 de setembro de 2018

RESENHA DO LEITOR: O DIÁRIO DE MR DARCY

SINOPSE: O único lugar em que Mr. Darcy poderia compartilhar seus sentimentos mais íntimos eram as páginas do seu diário. Dividido entre o senso de dever com o nome de sua aristocrática família e a paixão crescente pela plebeia Elizabeth Bennet, tudo o que esse jovem nobre podia fazer era lutar contra tal sentimento. Neto de conde por parte de mãe, Mr. Darcy possuía grande quantidade de terra, enorme receita com os inquilinos e uma grande riqueza herdada. Disputado pelas damas da sociedade londrina, Mr. Darcy vive sua experiência sentimental singular a partir do encontro com Elizabeth em Meryton, pequena vila do condado de Hertfordshire. O Diário de Mr. Darcy, portanto, apresenta a história do improvável namoro de Elizabeth Bennet e Fitzwilliam Darcy do ponto de vista dele. Esta graciosa continuação de Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, enfoca os conflitos de Mr. Darcy e as dificuldades do seu relutante relacionamento, da rejeição inicial à luta desesperada para conquistar o coração de Elizabeth.


Voltei! Hoje vamos falar de Darcy e Elizabeth mais uma vez. Em O Diário de Mr. Darcy, o leitor conhecerá a visão de Darcy e seus sentimentos em relação a tudo que acontece em Orgulho e Preconceito (resenha aqui!). Uma dica: leia o Diário após ler Orgulho e Preconceito, uma vez que no livro de Darcy o leitor é apenas levado a situações que aconteceram na história principal. 


Prometo me esforçar e não soltar nenhum spoiler aqui!! Logo de cara Darcy nos conta seus sentimentos em relação a o que aconteceu entre Wickham e Georgiana. E tudo mais que se desenrola disso. As observações que Darcy faz sobre os acontecimentos são as melhores do mundo.


A única coisa que não sai da minha cabeça enquanto escrevo é o olhar que vi nos olhos de Miss Elizabeth Bennet quando eu disse que ela não era bonita o suficiente para me despertar o desejo de dançar. Se não fosse experiente, eu o teria achado irônico. Sinto-me um pouco desconfortável por ela ter me ouvido, não tive a intenção de que as minhas palavras chegassem aos seus ouvidos. Mas seria tolo em me preocupar com os sentimentos dela, seu temperamento não é delicado, e se puxar à sua mãe, não se sentirá magoada.(p. 28)

O que mais gostei foi observar que ao conhecer Elizabeth, ele passa a se dedicar mais a escrita do diário. Elizabeth encanta Darcy, mas como já sabemos coisas acontecem e meio que tudo complica para ambos. Mesmo conhecendo a história, amei sentir aquela expectativa com os acontecimentos. Confesso que gostei bem mais do Darcy do diário do que do Darcy de Orgulho e Preconceito. 


Conversar com Elizabeth é diferente de conversar com qualquer outra pessoa. Não é uma atividade comum. Pelo contrário, é um exercício estimulante para a mente.” (p. 42)

Ai gente, é bem complicado escrever sobre o diário e não deixar nenhum spoiler sair. Então vou parando por aqui mesmo. Tive o grande prazer de ler a obra na leitura conjunto promovida pelo CLUBE DO FAROL. Se ainda não leu o diário de Darcy, vai já ler. Beijos, até mais.

VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: RENARA CABRAL PEREIRA PAVEZ
25 anos, capixaba e casada. Formada em pedagogia. Amo ler e dar aula. A leitura me faz viajar!

terça-feira, 18 de setembro de 2018

LIVROS LANÇADOS EM SETEMBRO QUE VOCÊ PRECISA CONHECER

Fala galera! Hoje vamos listar os novos livros que foram lançados pela Constelação Editorial no mês de Setembro. A Constelação é uma editora 100% nacional e que tem crescido muito nos últimos tempos. A qualidade dos livros da editora é irretocável assim como suas capas. Confira aí essas dicas de leitura:


O Brado da Alma

Se você gosta de fantasia, com certeza esse livro é a indicação certa! Conheci o autor Breno L. Freitas na Bienal e ele é uma pessoa maravilhosa, super simpático, alto astral e receptivo.

SINOPSE: Aqui jaz um importante acontecimento referente ao ato de Ogizzoto do Cedro de Labradorite sobre o berço astral Onomote, uma das maiores e mais belas inspirações criadas pelo astrocelestial Omotreon. Ogizzoto, um astromágico que percebeu pequenos sinais que trariam grandes perdas para aqueles que seguiam a filosofia da astroentidade Rhoein-Hai do Báculo de Duo Cimos, infiltrou-se em uma densa floresta ao norte de Onomote a fim de cumprir a missão que estava em seu caminho. Contudo, deparou-se com os vinte seres mais tenebrosos e desprovidos de bondade que já vira, “os mais ‘nobres’ da suja classe abeculária de Rhyu-Rai”. Diante do perigo, ele teve que lutar bravamente a fim de defender seus princípios e proteger os aglomerados de Hai, instalados nas redondezas do local da batalha. Entretanto, seu caminho de abnegação já estava traçado. O conto O brado da alma é uma obra integrada ao universo de Contos das pedras-alma, projeto que narra o passado, presente e futuro em Onomote, a amada Terra.


O Inferno de Virgínia Washington

Esse livro da autora Vivianne Sophie é irretocável! Terror, suspense e romance na medida certa. Alô Netflix, transforma essa livro em filme, nunca te pedi nada! Para conferir a resenha dele, clique aqui.

SINOPSE: Virginia Washington vive o seu próprio inferno toda vez que se permite sonhar. Imersa em medicamentos para o sono, ela mal imagina que uma antiga maldição, recaíra logo sobre a sua vida. Quando em uma tarde chuvosa, uma aparição estranha resolve reclama-la para si, Virginia precisará descobrir o passado da mansão onde vive e tentar encontrar dentro de si mesma, a fé que a motiva a viver e a coragem para encontrar no passado, as respostas para os fatos recentes. Terror, romance e uma pequena dose de drama, é o que você encontrará neste conto. Prepare-se para a batalha entre o bem e o mal.


Moinho de InVento

Esse é para quem gosta de poesia! O livro é todo lindo, tem poesias e ilustrações feitos à mão pela jovem autora. Para conferir a resenha dele clique aqui.

SINOPSE: Moinho de InVento é um livro de poesias otimistas e reflexões singelas sobre a vida. Chega em sua segunda edição, mais colorido e completo. Seus versos sobre sonhos, medos, paixões, saudades, alegrias e esperanças foram inspirados pelo vento; a autora coloca a construção do pensamento em três fases: a lufada, a ventania e a brisa; do repentino e passageiro ao forte e contínuo, até chegar ao ponto onde tudo se acalma. Escrito e ilustrado à mão pela própria autora, sua linguagem é leve e repleta de metáforas que sustentam a ideia de que devemos nos reinventar a cada momento. Mesmo que haja ventania, tudo tende à calmaria, tudo tende à poesia, tudo tende à brisa.


Projeto 94

Bom, eu sou suspeito para falar sobre esse livro né? Mas o que posso dizer é que essa nova edição está impecável! Capa linda, diagramação perfeita e nova organização dos capítulos. Esse livro me trouxe muitas alegrias, foi o livro que me lançou no mercado editorial e com ele ganhei o Prêmio Brasil entre Palavras de Melhor Ficção Científica de 2017.

SINOPSE: Jake é um jovem prodígio nas corridas devido a sua velocidade fora do comum. É justamente isso que o faz ficar intrigado: como pode correr tanto, a ponto de seus pés mal tocarem o chão? Quando Jake começa a ter estranhos sonhos, as peças deste misterioso quebra-cabeças vão se encaixando e ele embarca em uma aventura em busca de respostas que justifiquem sua alta performance. Filho do renomado cientista Evan Sturguess, dono da clínica Genetic Corporation, Jake vive uma relação conflituosa com o pai, desde a morte da sua mãe. Além dessa grande distância emocional, Jake descobrirá da forma mais dura possível, como alguns segredos podem nos afastar das pessoas e até mesmo mudar nossas vidas para sempre. Jennifer é outra jovem que vê sua vida mudar de repente, observando incomuns acontecimentos envolvendo o poder de sua mente e instintivamente ligando isso a um cartão recebido na infância: um cartão da Clínica Genetic. Projeto 94 é uma aventura onde cinco jovens viverão uma história com mortes, cobiça, paixões, muita adrenalina e emoção. O que é o projeto? Qual seu objetivo?


Quando o medo fala

Esse é um livro que estou doido para ler. A capa, os quotes que foram divulgados, a história... Tudo me deixou completamente intrigado.

SINOPSE: Ao programar uma viagem turística por Minas Gerais, o casal francês, Lorrane e Alisson, encontra em um site a imagem de uma bela propriedade localizada na fictícia Resende do Sul. Ficam encantados com tamanha beleza e, ao mesmo tempo, em dúvida sobre a história sombria daquele lugar. Alisson decide conferir a veracidade da história. E desde então, Lorrane não foi mais a mesma. Passou a ser dominada por uma série de visões e pressentimentos que, com o passar do tempo, ficaram mais intensos. O que Alisson não poderia prever era que uma simples viagem afetaria para sempre a sua vida e a de sua amada.


Monstros Divinos

Esse livro me conquistou pela capa e sinopse! Já está na minha lista de desejos com toda a certeza.

PS: A autora parece a Marina Ruy Barbosa!

SINOPSE: Poder, amor, sexo, ódio, obsessão, vingança e justiça. As pessoas contam histórias de seres divinos e de monstros desde que o universo teve início. Mas eles raramente contam como essas criaturas se tornaram reais. O que acontece se eu te contar que o que diferencia um monstro de um ser divino é apenas uma simples questão de perspectiva? Que em lugares diferentes o monstro é o ser divino e o ser divino é o monstro? Uma raposa vaidosa caiu do Paraíso e ela é tudo o quer um ser divino não deveria ser. Um dragão nasceu no Primeiro Universo e ele é tudo o que um monstro não deveria ser. Por poder e por um nome, essas duas vidas vão se encontrar e nada vai ser como deveria ser. Ou vai? Vamos ver o que o destino tem a dizer.

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PRIMEIRAS IMPRESSÕES E ENTREVISTA COM A AUTORA: MOINHO DE INVENTO

SINOPSE: Moinho de InVento é um livro de poesias otimistas e reflexões singelas sobre a vida. Seus versos sobre sonhos, medos, paixões, saudades, alegrias e esperanças foram inspirados pelo vento; a autora coloca a construção do pensamento em três fases — a lufada, a ventania e a brisa —, do repentino e passageiro ao forte e contínuo, até chegar ao ponto onde tudo se acalma. Escrito e ilustrado à mão pela própria autora, sua linguagem é leve, branda e repleta de metáforas que sustentam a ideia de que devemos nos reinventar a cada momento. Mesmo que haja ventania, tudo tende à calmaria, tudo tende à poesia, tudo tende à brisa.


Oi minha gente! Mais uma semana de Primeiras Impressões e vamos falar de poesia. Sim, estou muito poeta ultimamente. Hoje, do primeiro capítulo do livro Moinho de InVento, esse primeiro capítulo tem 60 páginas feitas à mãoNa verdade, esse projeto é 90% escrito e ilustrado a mão, os outros 10% são poesias digitadas em word ou escritas na máquina de escrever (olhaaa, momento nostalgia) e eu achei demais! Gosto de coisas diferentes e principalmente que chamem a atenção para desenhos e ilustrações, desse modo as letras ficam em formatos diferentes. 


É um projeto longo, e na minha opinião, está bem construído as sequencias entre as páginas, ou melhor, entre as poesias e as ilustrações, ou pode não ter uma “sequência lógica”, mas mesmo assim, está bem feito. Me lembrou muito o livro de poesias do Eu Me Chamo Antônio, também feito a mão e em guardanapos, cada letra da página tem formato de letra, deixando cada poesia de forma única. Como Moinho de InVento é feito a mão, e como boa artesã, adoro, e sei o quanto é gratificante ver um trabalho que você mesmo fez ali prontinho para dividir com outras pessoas, seja em material ou em uma tela. Para quem gosta de poesia, desenho e viajar nesse universo das palavras: no que se tem a ver e ouvir da vida, é um ótimo livro, com poesias leves, rápidas, profundas, para todos os gostos. Uma leitura bem agradável. Adorei! Como sou fã de Alice no País das Maravilhas, amei essa ilustração do chapeleiro maluco.


ENTREVISTA COM  A AUTORA

Como surgiu a ideia de escrever “Moinho de InVento”? Bem, eu comecei a escrever poesias digitais com a caneta do tablet num aplicativo de notas, fui escrevendo e ilustrando e em alguns meses, quando percebi já ter várias poesias nesse estilo, me veio a ideia de juntar várias delas e escrever um livro todo feito a mão. “Isso é loucura!”, pensei. Eu queria escrever algo diferente e fora dos padrões que conhecemos, além de ter me encantando por brincar com palavras e poder desenhá-las também. Então, como gosto de desafios, pus a mão na massa. Uma das coisas que aprendi com o Moinho: aprendi a lidar com meus medos, principalmente o medo de errar. Coloquei uma meta em que eu teria que atingir pelo menos 150 poesias de uma página cada. Ao chegar a esse número comecei a passar as poesias a limpo para um caderno A4 sem pauta, e fui seguindo. Foi uma longa jornada e quando notei já havia passado todas elas a limpo e o livro estava pronto.

Quanto tempo demorou para a história ficar pronta? Praticamente 2 anos. Comecei em dezembro de 2014 e terminei a última página em outubro de 2016. Foi um trabalho árduo e detalhado, algumas páginas levaram mais de 3 dias para ficarem prontas. Eu reservava apenas algumas horas por dia para escrever. Foi uma das coisas mais corajosas que já fiz. Difícil, porém divertido.
O que o leitor pode esperar da obra? Usando uma linguagem leve envolta por metáforas, o Moinho sustenta a ideia de que devemos nos reinventar a cada momento. Mesmo que haja ventania, tudo tende à calmaria. Ele leva uma mensagem de otimismo e coragem. O leitor pode esperar uma obra diferente dos padrões, colorida, simples e delicada. Creio que mesmo quem não gosta de poesia vai se encantar com a leveza do Moinho e com os desenhos que além de ilustrarem completam as frases.

Qual autor ou autora é seu preferido? Eles de alguma maneira te inspiraram a escrever? Gosto de tantos autores que é difícil citar apenas um. Adoro Fernando Pessoa, Cecília Meireles, Olavo Bilac, Clarice Lispector, Machado de Assis, J. K. Rowlling, Rick Riordan, John Green, Kiera Cass, Júlio Verne, Cornelia Funke, Lygia Bojunga, Agatha Christie, Jojo Moyes. Mas com certeza são grandes inspirações pra mim na poesia Clarice Freire, Pedro Gabriel, Fernando Pessoa e Paulo Leminski.

Se Moinho de InVento pudesse ter uma trilha sonora qual música você escolheria? Os versos “O poeta está vivo, com seus moinhos de vento / A impulsionar a grande roda da história / Mas quem tem coragem de ouvir / Amanheceu o pensamento / Que vai mudar o mundo com seus moinhos de vento”, da música “O Poeta Está Vivo”, do Barão Vermelho, são citadas no início e no fim do Moinho de InVento, pois representam literalmente minha ideia de que o poeta está vivo e pronto para mudar o mundo com seus moinhos de vento. Pensando numa trilha sonora eu escolheria duas músicas que falam sobre sonhos. A primeira seria a simplicidade e a beleza dos versos “Um dia eu farei um pedido a uma estrela / Acordar em um lugar onde as nuvens estão bem atrás de mim / Onde problemas derretem como balas de limão / Bem acima do topo de uma chaminé, é lá que você me encontrará” da música “Somewhere Over The Rainbow”, interpretada por Israel Kamakawiwo'ole. E também escolheria “Dom Quixote” dos Engenheiros do Hawaii, onde diz na letra “Que os dragões sejam moinhos de vento / Muito prazer... Ao seu dispor / Se for por amor às causas perdidas... / Por amor às causas perdidas”. Que nossos problemas podem parecer grandes dragões e o mundo pode nos chamar de “otários” ou de “loucos”, mas no fundo são moinhos de vento. Dom Quixote nos passa a ideia das revoluções, do amor às causa perdidas e de que sonhar é um bom caminho. 

Você segue carreira apenas como escritor ou tem outra profissão? Sou estudante e estou no 3º ano do Ensino Médio, estou em fase de vestibular e ainda indecisa entre Cinema e Jornalismo.

Deixe uma mensagem para nossos leitores:Espero que gostem dos traços do Moinho! E não importa o que digam ou o que pensem, nunca deixem de sonhar. Os sonhadores podem mudar o mundo. Enfrentem tudo e sigam em frente, sejam leves porque somos breves e acima de tudo, sejam fortes.

Anna Julia Dannala tem 17 anos e mora em Valinhos - SP.

RESENHA ESCRITA POR: GREISI SILVA
28 anos, administradora e artesã nas horas vagas, apaixonada por leitura e artes, não vivo sem música, poesia e cinema. Descobri que viajar é preciso e comer pipoca é fundamental para se ter boas ideias.


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quinta-feira, 13 de setembro de 2018

RESENHA DO LEITOR: O CORONEL E O LOBISOMEM

SINOPSE: O personagem Ponciano de Azeredo Furtado, narrador-coronel do título, é daqueles que fazem o leitor esquecer-se de que estão lendo um romance. Passamos a acreditar que ele realmente existe, que se trata de um homem de carne e osso, um ser vivo, tal como nós. 'Homem que é homem duas coisas de principal deve ter- barba grande e voz grossa. O charuto é para espantar o povinho dos empréstimos', descreve-se o coronel. Ao seu lado, nos arredores de Campos dos Goitacazes, vivemos os mais divertidos causos e as mais fantásticas aventuras, caçamos uma onça-pintada e deparamos com uma sereia. Também namoramos bastante, que o coronel é chegado 'num recurvado de moça bonita'. O ponto culminante da narrativa é o embate com o lobisomem - 'não é qualquer um comedor de farinha que pode lidar com lobisomem, bicho de muita astúcia no atacado e no varejo'.


"Era trabalho de gelar qualquer cristão que não levasse o nome de Ponciano de Azeredo Furtado. Dos olhos do lobisomem pingava labareda, em risco de contaminar de fogo o verdal adjacente." (pág. 179)

A obra foi publicada em 1964 e vencedora do Prêmio Jabuti de Ficção, em 1965. Foi adaptada ao cinema em 1971 e em 2005. Tudo isso nos deixa a mostra sua preciosidade e importância literária. Narrado em primeira pessoa, com um tom interiorano e pitoresco, este livro não poderia ser mais "abrasileirado", no literal sentido da palavra. Nosso protagonista é o Coronel Ponciano de Azeredo Furtado, natural de Campo dos Goytacazes, no norte fluminense. "Coronel por trabalho de valentia e senhor de pasto por direito de herança, destemido caçador de onça pintada, lobisomem e, sobretudo, rabo-de-saia". Tendo perdido pai e mãe ainda criança, Ponciano cresceu sob a responsabilidade do avô Simeão, de quem herdou terras, gado e o tão precioso título de Coronel. O avô lhe proporcionou educação em escola de padre e militar, não sem antes lhe deixar aos cuidados da prima Sinhá Azeredo, que lhe introduziu nas primeiras letras.




"[...] caí nas garras da prima Sinhá Azeredo, parenta encalhada na prateleira, uma vez que casamento não achou por ser magricela e devota." (pág. 7)

Com um sem fim de aventuras e "causos" para contar, Ponciano, sem modéstia alguma vai narrando sua trajetória e seu cotidiano, repleto de peripécias e encontros inacreditáveis, entre os quais lobisomens, sereias e outras assombrações. Um livro genuinamente brasileiro, que foge aos padrões dos escritos contemporâneos. Uma leitura ímpar e peculiar, que nos enriquece não apenas o vocabulário (considerando tantos termos inéditos), mas também a alma. Passadas as primeiras páginas e o natural estranhamento ao vocabulário e linguajar regional, a leitura flui facilmente e a cada capítulo nos envolvemos e mergulhamos nas aventuras e bravatas deste exótico Coronel. 


O livro possui um "rol de personagens" no final, dada a grande quantidade destes e a riqueza de detalhes que envolve cada um. O final do romance é especialmente inesquecível. Li e reli várias vezes, tamanha a poesia que ali encontrei e mesmo não tendo visto nenhuma das adaptações da obra ao cinema, pude imaginar claramente cada cena. Um desfecho emocionante, inesperado e próprio do Coronel, diga-se de passagem. Recomendo muitíssimo!


"Lá vai o Coronel Ponciano de Azeredo Furtado em sua mulinha de desencantar lobisomem. Vai para a guerra do demônio, que o Coronel não tem medo de nada". (pág. 305)

VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: SIMONE TORRES
40. Pedagoga e Teóloga. Leitora compulsiva, cinéfila e amante dos animais. Fazer arte é o que mais amo depois de ler.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

RESENHA DO LEITOR: CUJO

SINOPSE: Frank Dodd está morto e a cidade de Castle Rock pode ficar em paz novamente. O serial-killer que aterrorizou o local por anos agora é apenas uma lenda urbana, usada para assustar criancinhas. Exceto para Tad Trenton, para quem Dodd é tudo, menos uma lenda. O espírito do assassino o observa da porta entreaberta do closet, todas as noites. Você pode me sentir mais perto… cada vez mais perto. Nos limites da cidade, Cujo – um são Bernardo de noventa quilos, que pertence à família Camber – se distrai perseguindo um coelho para dentro de um buraco, onde é mordido por um morcego raivoso. A transformação de Cujo, como ele incorpora o pior pesado de Tad Trenton e de sua mãe e como destrói a vida de todos a sua volta é o que faz deste um dos livros mais assustadores e emocionantes de Stephen King.


Olá! A resenha de hoje será sobre o livro que mais amo na vida: Cujo, do mestre do horror, Stephen King <3 Cujo tem o enredo principal voltado à uma mãe e um filho, presos em um automóvel estragado, onde “Judas perdeu as meias”, sem conseguir se comunicar com ninguém, com recursos limitados e com um enorme cão raivoso os aguardando do lado de fora! Já deu para imaginar o nervosismo que você vai ter ao ler essa obra prima do mestre??? Acredite, você não imaginou nem a metade!


Com personagens marcantes e um enredo de tirar o fôlego, o livro te faz embarcar na história e se sentir sufocado dentro de um carro. Por inúmeras vezes me peguei pensando em como sair da situação mesmo depois de já ter fechado o livro. Sim, é bem provável que você comece a bolar planos e estratégias mesmo dormindo!



Você realmente sente na pele o medo e o nervosismo dos personagens tanto humanos quanto do cão, e nisso o tio King A-R-R-A-S-O-U! Quando ele escreve sob o ponto de vista do próprio Cujo, te coloca em uma situação de comoção e empatia total, principalmente se você também for um amante de animais e/ou futuro veterinário, como eu (risos).


Suuuper indico essa leitura para qualquer pessoa! A não ser que você tenha um São Bernardo em casa, na vizinhança ou lugares que você frequenta! Se este for o caso, então leia a pequena sereia ou o gato de botas, é sério!!! E se não for, delicie-se leitor fiel ou futuro leitor fiel! 


VITAMINAS:



RESENHA ESCRITA POR: TAY RAMONE
18 anos, catarinense, estudante de medicina veterinária, apaixonada pela leitura. Tem um amor imenso por Stephen King, Ramones e animais.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

RESENHA E ENTREVISTA COM A AUTORA: O MAIS PROFUNDO DOS OCEANOS

SINOPSE: Daniela cresceu longe da mãe, sendo criada apenas pelo pai, um homem que procurava suprir a ausência com presentes caros e viagens. Cansada de tudo isso, decide assumir as rédeas de sua vida e, nesse processo, conhece Thálasso. Thálasso é um amigo sem igual, um jovem com o poder de acalmá-la, fazendo as coisas parecerem muito mais fáceis do que ela sequer poderia imaginar antes dele. Porém, até que ponto esse sentimento é apenas amizade? Daniela prefere arriscar descobrir a resposta para essa pergunta e assim parte para a Grécia com Thálasso, em uma viagem cheia de beleza, romance e mistérios que vai mudar toda a sua vida.



Fala galera! Hoje vamos falar sobre o livro da autora Joyce Santalme, O Mais Profundo Dos Oceanos. Confesso que esse livro foi uma grata surpresa para mim. Quando o recebi e li sua sinopse, acreditei que seria um romance, mas ao decorrer das páginas ele ganhou toques de fantasia e mitologia grega, que eu adoro! Daniela está numa fase da vida em que está fazendo tudo no modo automático e deixou de fazer suas próprias escolhas. Sua mãe a abandonou quando ela ainda era um bebê, seu pai a criou em uma vida de conforto, mas sempre ele tomou as rédeas da vida dela, escolhendo, por exemplo, que faculdade ela deveria cursar. Dani faz Economia só para agradar o pai que quer a filha como sua substituta na empresa, mas seu sonho era viajar o mundo, conhecer diversos lugares para depois decidir o que fazer da sua vida. Ela não tem amigos, não é de sair para se divertir, sua vida meio que não tem muito propósito.


Na faculdade Daniela conhece Flávia, que se torna sua única e melhor amiga. Elas são muito diferentes, já que Flávia é uma tagarela e está sempre animada, ao contrário de Dani. Dani sempre trancou seu coração para o amor e nunca se permitiu se envolver de verdade e amar, talvez por ter visto o sofrimento de seu pai com o abandono de sua mãe e de Flávia ao terminar seu relacionamento com o homem que amava. Até que ela conhece Thálasso.  Foi atração à primeira vista. Ela não conseguia tirar os olhos dele e ele também foi bem direto para mostrar que estava bem interessado nela também. A conexão entre eles foi tamanha que em pouquíssimo tempo Thálasso já sabia mais sobre ela do que qualquer pessoa e eles não se desgrudavam. Apesar de não admitir que estava apaixonada e fugir das investidas, cantadas e indiretas dele, ela e Thálasso não se desgrudavam e todos achavam que eles eram namorados.


Com o incentivo de Thálasso, Dani resolve tomar as rédeas de sua vida e viajar com ele para a Grécia nas férias, mesmo a contragosto de seu pai. Lá na Grécia, os pombinhos visitam vários locais históricos e finalmente acabam se beijando. Mas Thálasso parece guardar um segredo e pede que Dani o perdoe pelo que ele terá que fazer e pelo que acontecerá. E é nessa parte que a história dá uma guinada e adentramos na parte da mitologia grega. Descobrimos que Thálasso é filho de Poseidon e que sua missão era trazer Dani a Grécia, já que ela é a garota escolhida capaz de encontrar a chave para abrir a Caixa de Pandora, que é o objeto de desejo de Hades para acabar com os humanos.


Eles partem então numa jornada para o mais profundo dos oceanos, onde enfrentarão diversos seres mitológicos, onde Dani também conhecerá o mais profundo dos sentimentos e descobrirá sua verdadeira origem. O livro tem uma narrativa fluida e consegue nos prender. No começo, ficamos ansiosos para que o casal protagonista ceda a paixão e vamos devorando as páginas na esperança de que isso aconteça logo. Quando finalmente acontece e o livro adentra na parte mitológica ficamos ávidos para descobrir o enigma junto com eles e saber como tudo se resolverá. As descrições da Grécia e de seus pontos turísticos nos fazem visualizar cada detalhe perfeitamente. A parte da mitologia grega também é muito bem explicada e desenvolvida e terminamos o livro com um gostinho de quero mais e ansiosos pela continuação. Vale a pena ler!


VITAMINAS:



Agora confira a entrevista que a autora deu para o blog:

Como surgiu a ideia de escrever o “O Mais Profundo dos Oceanos? Bem, eu sempre gostei muito de ler, e é meio natural que quem goste de ler, tente rabiscar alguma coisa. Comigo não foi diferente. Eu sempre escrevi no meu computador, em cadernos que hoje estão encaixotados no meu armário. Quando fiz oficina de teatro, até me arrisquei em escrever alguns roteiros, mas nessa época tinha apenas 12... 13 anos; eram histórias que, sem sombra de dúvidas, precisariam ser muito, mas muito bem trabalhadas (risos). “O Mais Profundo dos Oceanos” surgiu de uma insônia. Rolando de um lado para o outro na cama, não conseguia pegar no sono de jeito nenhum. Foi então que me surgiu uma vontade de escrever algumas palavras no bloco de notas do meu celular. No dia seguinte, fiquei lendo e relendo aquilo, e pensei comigo: “isso daria uma história legal”. Aprimorei a escrita e mostrei para o meu marido, que também achou bem interessante. Então decidi continuar a história. As anotações do celular viraram o prólogo do meu livro.

O que o leitor pode esperar de “O Mais Profundo dos Oceanos”? Uma história surpreendente. Todos os meus leitores “betas” disseram que não imaginavam que aconteceria o que acontece na história. Nos primeiros capítulos, parece um romance comum; Daniela (a protagonista) conhece Thálasso (isso mesmo... é um nome bem diferente), descobre o amor e vê a chance de mudar sua vida, que sempre foi muito regrada pelo seu pai. Porém, esse sentimento a assusta, pois o pai sofre há 22 anos o desaparecimento de sua esposa – mãe de Daniela. Entretanto, de uma hora para outra, tudo muda. Nada é o que ela pensava que fosse. Ela descobre que traz dentro de si algo que pode transformar não só ela mesma, como toda a humanidade.

Qual autor ou autora é seu preferido? Eles de alguma maneira te inspiraram a escrever? Nossa! São tantos! Gosto muito dos clássicos nacionais: Machado de Assis, Álvares de Azevedo e José de Alencar são meus preferidos. Também amo as crônicas de Luis Fernando Veríssimo. Gosto do estilo frenético do Dan Brown. Nos últimos tempos, tenho me dedicado à leitura de autores que se voltam para o público mais jovem, mais teens... Colleen Houck ou Rick Riordan; confesso que não costumo ler o livro quando ele está no auge. Percy Jackson já virou filme e agora que estou lendo o livro (risos). Eu tento me inspirar, sim, nesses autores. Adoro o jeito dramático e exagerado que os autores do Romantismo expressão seus sentimentos, algo pesaroso, mas que faz você sentir na pele toda sua paixão e melancolia; assim como me inspira muito a ironia de Machado de Assis.

Se “O Mais Profundo dos Oceanos” pudesse ter uma trilha sonora, qual música você escolheria? Há um tempo atrás, publiquei na minha página de autora no Facebook, uma trilha sonora para o livro. Mas de todas as músicas que fazem parte da trilha, com total certeza, a do Josh Groban foi a que mais me inspirou e acredito que seja a que mais representa a história num todo.
Você segue carreira apenas como escritor ou tem outra profissão? É até engraçado pensar em uma carreira de escritora. Não que eu não queira, pelo contrário, seria maravilhoso. Viver de escrever no Brasil é muito difícil, mas seria extremamente gratificante viver de algo que gosto tanto de fazer. Porém, enquanto não posso viver de escrever, eu sigo com minha profissão. Hoje sou funcionária pública, trabalho como agente administrativo em uma pré-escola em Diadema. Além disso, também dou aulas particulares de inglês. 

Deixe uma mensagem para nossos leitores: Primeiramente, quero dizer que sou muito grata a essa oportunidade das pessoas me conhecerem melhor. Aos leitores gostaria de dizer que o mais importante da vida é a gente trilhar nosso próprio caminho. É bom ouvir conselhos e seguir exemplos, mas nem permitam que alguém construa o roteiro de suas vidas. Pode dar errado, pode ter que pegar um retorno e começar de novo, mas cada passo dado é uma experiência própria, seja boa ou ruim. Espero que todos nós tenhamos muito mais experiências boas que ruins!!! O importante é você ser você mesmo!

terça-feira, 28 de agosto de 2018

RESENHA DO LEITOR: AS APARÊNCIAS ENGANAM

SINOPSE: Um assassino, um estuprador ou um serial killer, qualquer um de nós pode estar apertando a sua mão neste momento sem que você saiba. No fundo, as pessoas são facilmente manipuláveis desde que sempre falemos o que elas querem ouvir. E eu sou assim, é assim que faço as minhas vítimas. Não leia meu conto, não entre no meu universo. Eu não estou te convidando para entrar em meu mundo. Continue se enganando e seguindo a sua vida sem olhar para o lado. Afinal, quantas vezes nos enganamos com as pessoas? Você é apenas mais uma, igual aquela que viu no jornal na semana passada se não tomar cuidado com pessoas como eu. Seja bem-vindo e nunca esqueça de que as aparências enganam.


Impressões Pessoais: Pessoas, hoje trouxe para vocês as minhas impressões sobre o conto de “As aparências enganam”. Antes de mais nada vale destacarmos que o gênero textual conto é um dos mais antigos gêneros narrativos da humanidade. Um gênero discursivo que cada vez mais está ganhando espaço no mundo literário, apesar da sua difícil definição. Em linhas gerais, fazem parte desse gênero enredo, um único conflito e clímax, uma história com poucas personagens, tempo e espaço reduzidos e um desfecho. Óbvio que essa organização varia de conto para conto, sem possuir uma sequência cronológica específica das ações na narrativa. E na literatura brasileira temos grandes contistas, como: Machado de Assis, João Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Érico Veríssimo entre outros. Autores que nos deixaram uma grande herança literária.


Entretanto, hoje eu não estou aqui para falar sobre nenhum destes escritores nem de suas tão primorosas obras. Mas, vim falar-vos sobre uma escritora também muito talentosa que é Vanessa Nunes. Eu tive a oportunidade de ler um dos seus contos que fora “As aparências enganam”. Caros leitores, enquanto narrativa mais curta, esse conto apresenta estruturas muito bem construídas capaz de prender qualquer leitor que gosta de um bom suspense narrado pelo assassino. É uma daquelas histórias que você ler em uma “sentada". Ele possui cerca de cinco páginas narrados em primeira pessoa, ou seja, o próprio assassino que logo no início do conto deixa claro que não quer ser lido pelas pessoas e não se identificará vai relatando que estratégias ele usa para seduzir e assassinar pessoas. Ele mesmo revela que não tem um perfil único de vítimas, como tem os assassinos em série, mas tem preferência por matar mulheres, por serem mais indefesas e sofrerem mais com relacionamentos amorosos difíceis. Inclusive ele desafia as feministas, em um trecho da narrativa. 


Por não deseja se identificar, o narrador assassino não oferece muitas pistas sobre sua vida. Ele apenas nos dá informações básicas e em linhas gerais de que ele é um médico eficiente, que por incrível que pareça faz o seu melhor em salvar vidas, que possui um cachorro chamado Luce e é visitado pela sua mãe algumas vezes por ano. Ele também relata que teve uma infância normal em uma família bem estruturada e feliz, mas que matava cachorros e gatos dos vizinhos. E pasmem, leitores, além de assassino e médico, ele por ser campeão de judô dar aulas de defesa pessoal para mulheres, gays e trans. Justamente, por sentir mais emoção em as vítimas conseguirem se “defender” na hora da morte. Ou seja, temos um criminoso que está acima de qualquer suspeita, que como diz o título do conto as aparências enganam.

Eu achei interessante a crítica deste conto com relação ao uso da tecnologia e redes sociais. Atualmente as exposições nas redes sociais passaram a acontecer de forma desenfreada, como fotos, vídeos caseiros com conteúdos sensuais, comentários, xingamentos e principalmente, exposição da vida amorosa mostrando como anda seu humor e sentimentos pessoais. Todos nós sabemos que a privacidade dos usuários das redes sociais não é mais prioridade, uma vez que detalhes de suas vidas são postadas, podendo comprometer as relações sociais e profissionais. O assassino desse conto, mostra que ele consegue ser bem sucedido em seus ataques justamente pela exposição excessiva das suas vítimas nos seus perfis ou pelo fato, de pais não prestarem atenção em seus filhos por estarem entretidos com tecnologias.

Deixarei vocês descobrirem mais das crueldades deste assassino não identificado incentivando vocês a lerem esse conto que possui uma escrita muito fluida e muito próxima da era tecnológica em que vivemos.
VITAMINAS:

RESENHA ESCRITA POR: Felipe Maranhão
22 anos. Graduando do 6° período de Letras, da Universidade Federal do Tocantins. Pesquisador em Iniciação Científica pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, com ênfase em bilinguismo Krahô. E amante da literatura universal.