quarta-feira, 11 de abril de 2018

RESENHA DO LEITOR: O CEMITÉRIO

SINOPSE: Louis Creed, um jovem médico de Chicago, acredita que encontrou seu lugar naquela pequena cidade do Maine. A boa casa, o trabalho na universidade, a felicidade da esposa e dos filhos lhe trazem a certeza de que fez a melhor escolha. Num dos primeiros passeios familiares para explorar a região, conhecem um 'simitério' no bosque próximo a sua casa. Ali, gerações e gerações de crianças enterraram seus animais de estimação. Para além dos pequenos túmulos, onde letras infantis registram seu primeiro contato com a morte, há, no entanto, um outro cemitério. Uma terra maligna que atrai pessoas com promessas sedutoras e onde forças estranhas são capazes de tornar real o que sempre pareceu impossível.



Nunca havia lido nada do autor, peguei para ler Joyland, mas achei-o clichê, com o final previsível demais, apesar de muitos comentários dizendo ser um dos melhores livros do autor. Comprei O Cemitério, pois vi várias resenhas falando muito bem do livro e sobre sua forma de abordar a morte e o luto. Realmente, não houve desapontamentos. O livro, para mim ao menos, teve uma pegada muito mais psicológica do que com o terror em si. Logo de inicio você se depara com uma família feliz, indo morar num lugar mais calmo e tranquilo, que para mim é a primeira característica de que coisas muito erradas podem acontecer, principalmente sabendo do currículo de tal autor.


Os personagens, membros da família feliz, conhecem o novo vizinho, Jud, que os auxilia na mudança, fala-lhes sobre a cidade e sobre o “Simitério dos Bichos”, aonde as pessoas vão/iam enterrar seus animaizinhos queridos e que era preservado pelas crianças da cidade, que iam ao menos uma vez ao mês para aparar os matos que porventura cobriam o caminho e colocar mais flores nos pequenos túmulos (não se sabe muito, pois assim como nunca mostra a passagem das crianças fazendo o trabalho de preservação da trilha, também não mostrou nenhuma pessoa indo até enterrar algum animal, lembrando que na maioria dos túmulos eram de anos atrás, como se este estivesse abandonado). Além de contar-lhes o fato, a família vai até o mesmo para conhecê-lo. A partir deste ponto veremos alguns traumas e questões serem feitas sobre a morte, principalmente em relação a filha e a esposa de Louis, que será destrinchado dentre os vários capítulos.


“... não sou eu quem dita as regras.
— Quem é então? — ela perguntou, e com infinito desprezo acrescentou: — Deus, não é?
Louis reprimiu o ímpeto de rir. Aquilo era bastante sério.
— Deus ou alguém — disse ele. — Os relógios também param... Isso é tudo que eu sei. Não temos garantia de nada, querida.”

Bem, logo em seguida há uma cena um tanto perturbadora que ocorre no hospital, justo no primeiro dia de trabalho de Louis, protagonista/antagonista (ainda não consegui defini-lo), no hospital da Universidade. – Não vou descrever aqui a cena, acho que ter a experiência completa de todos os fatos do livro em primeira mão vai te fazer entrar totalmente nessa atmosfera, ao mesmo tempo maligna e ingênua, demoníaca e triste – Esse fato não só perturba o personagem como nos deixa com um que de querer saber mais, mas que é desmitificado nas próximas páginas. Uma mensagem que seria ignorada, mas que viria a trazer grandes consequências. Louis, um médico cético, assim podemos dizer descobre mais sobre o tal “Simitério dos Bichos” num momento de descontração ao lado de Jud, o que o aterroriza por momentos, mas deixa passar... Até que o gato da família é atropelado por um caminhão na estrada que divide sua casa da de seu vizinho de porta. Este fato é estritamente relevante para outros acontecimentos.


“— O solo do coração de um homem é mais empedernido, Louis — murmurou o moribundo. — Um homem planta o que pode... E cuida do que plantou.”

Jud pede a Louis levar o gato para uma trilha além do “Simitério”, para enterrar o gato em terras indígenas cheia de poderes ocultos, uma trilha que atrapalha os sentidos e te deixa a desejar saber o que realmente está acontecendo e o que pode acontecer... Alguém estaria mentindo? Depois desse embaraço, lembrando que a família de Louis não presencia esse fato, o gato retorna a casa, como se nada tivesse acontecido na noite anterior ao seu enterro. O que faz de Louis um homem assombrado e ao mesmo tempo fascinado pelo acontecido. Mais que isso seria spoiler! Os demais acontecimentos são uma mistura de dor, medo, medo da morte e do desconhecido, alucinações, premunições e até se entranha nos limites da loucura, mas aí está à questão! Seria todo um poder do lugar? Das terras obscuras e desconhecidas? Seria a dor da perda ultrapassando a razão? Ou seria apenas um surto momentâneo? Quando que ter poder de brincar de Deus é valido? Quando que é possível interferir nas questões da vida, como a morte? É possível se livrar de um trauma de infância? É possível passar sem sofrimento e dor pelo luto? É possível continuar em paz depois que um ente querido falece? E quando ele volta? Leiam esse livro maravilhosamente perturbador. Super recomendo!


“Oz, O Gande e Teível!”

VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: KAROLINA V. S. MELO (Karol Melo)
21 anos, mora atualmente no interior do Paraná. Depois que descobriu o mundo da ficção se tornou uma leitora compulsiva. Ama músicas que a inspirem, e séries de suspense policial, mas não nega um romance clichê. É escritora no blog Verdades e Poesias e sonha em publicar um livro para chamar de seu.

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