quinta-feira, 31 de maio de 2018

RESENHA DO LEITOR: O CHEIRO DO RALO

SINOPSE: O Cheiro do Ralo (2002), primeiro romance de Lourenço Mutarelli (que já era figura consagrada no mundo dos quadrinhos), chegou às livrarias revestido de lenda viva: ele o teria escrito em apenas cinco dias, durante um feriado de carnaval. Mito ou verdade, a linguagem do livro demonstra urgência incomum, correspondente ao seu curto período de composição. Apesar de ser uma narrativa introspectiva, a ação não cessa em nenhum momento dessa obra violentamente poética, que deu novo rumo à ficção brasileira contemporânea. O protagonista, proprietário de uma loja de quinquilharias, transforma o comércio em um sistema sádico para afligir seus clientes, tão desesperados quanto ele próprio. Obcecado pelo cheiro do ralo que vem dos fundos da loja e pela bunda da garçonete do bar onde almoça todos os dias, o narrador (um sósia do “moço que faz o comercial do Bombril”) naufraga aos poucos em seus delírios. Entre a bunda e o ralo, não lhe resta saída que não seja ir para o buraco.


O Cheiro do Ralo, primeiro romance do renomado escritor de quadrinhos Lourenço Mutarelli, é o tipo de livro “estranho”, em que você primeiro tem que se despir dos pré-conceitos, que geralmente temos, para depois poder ler. O livro, contado em primeira pessoa, tem como narrador um anti-herói, sem nome, vendedor de quinquilharias e que tem prazeres e obsessões bastante peculiares (peculiares meeeeeeeesmo), que com o desenvolver da história se torna até um pouco detestável.


Muitas coisas acontecem no meio dessa história, entre as compras e vendas, uma paixão aguda e incontrolável por uma bunda e um cheiro terrível que vem do ralo, com cheiro tão horrível que pode ser comparado ao próprio inferno, o narrador cria uma dúvida em si, afinal o cheiro que vêm do ralo não é dele mesmo?


Devo confessar que este humor me prendeu desde o começo e me fez devorar o livro todo rapidinho. Com a narrativa leve e engraçada, com um toque de palavrões e gírias, nos faz entrar na história e imaginar realmente os personagens em um cenário extremamente “povão”, o que rendeu a adaptação para um filme, que leva o mesmo título do livro e que fez jus a história original (recomendo). O estilo de escrita que o Mutarelli adotou nesta em O Cheiro do Ralo é ótima e combina muito com o enredo, faz parecer que estamos lendo uma HQ (apesar da falta de desenhos e balõezinhos). Simples, mas com tantos detalhes e sacadas que ao ler você pode ser sugado para dentro do livro, ou, quem sabe, “tragado por um ralo”.



VITAMINAS:

RESENHA ESCRITA POR: TAY RAMONE
18 anos, catarinense, estudante de medicina veterinária, apaixonada pela leitura. Tem um amor imenso por Stephen King, Ramones e animais.

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