quinta-feira, 28 de junho de 2018

RESENHA DO DIA: A MADONA DE CEDRO


SINOPSE: Delfino Montiel, um sujeito calmo e bastante religioso, sai de Minas Gerais para conhecer o Rio de Janeiro. Além de se encantar com o mar, se apaixona por Marta, que corresponde aos seus sentimentos. Vindo de uma vida simples, querendo se casar e dar conforto para sua amada, acaba se metendo em confusão. Convencido pela quadrilha de Vilanova e seu amigo Adriano para conseguir dinheiro, rouba a uma madona esculpida por Aleijadinho. Após o roubo, entra num processo destrutivo de culpa, pois sua atitude fugiu completamente dos seus princípios morais e religiosos. Apesar de ter sido por amor, Delfino praticamente enlouquece de remorso, não conseguindo livrar-se da culpa que sente por ter roubado a imagem, impedindo-o de ser realmente feliz ao lado de Marta, que era uma mulher bonita e sincera.


Sabe aquele livro que você quer terminar de ler para saber o final da história, mas ao mesmo tempo não quer terminar para que a história não acabe? Esse é um deles. Que livro incrível! Mais uma vez Antonio Callado (autor de Quarup) consegue me fazer viajar não apenas pelos recônditos do Brasil, mas também pelo mundo fantástico de suas personagens e mais ainda pelas tramas e dramas incríveis que consegue construir. Em "A Madona de Cedro", obra escrita em 1957, temos a infeliz saga de Delfino Montiel, nosso protagonista e autor de um dos roubos mais famosos de Minas Gerais, mais especificamente em Congonhas do Campo. Delfino é proprietário de uma pequena loja de imagens sacras de pedra-sabão, herdada de seu pai. Narrada em terceira pessoa, a obra vai e vem no tempo, mesclando presente e passado, ora narrando os acontecimentos de 13 anos antes (quando se deu o famoso roubo da estátua de Nossa Senhora da Conceição, obra de Aleijadinho, colorida pelo mestre Ataíde, do qual Delfino foi o autor), ora narrando o desenrolar dos fatos no presente, quando Delfino decide confessar seu crime e é novamente procurado pela quadrilha que o convenceu a cometer o crime pela primeira vez.


No entanto, nada é tão simples! As motivações que levaram Delfino a tal extremo, sendo ele um homem honesto, religioso e cidadão de bem, nos fazem tê-lo ora como vilão, ora como mocinho. Acontece que nosso herói/vilão se viu perdido de amores por Marta, moça que conheceu em viagem ao Rio de Janeiro e pela qual se encantou perdidamente. Não possuindo os recursos para casar com Marta imediatamente, se viu convencido por seu amigo de infância, Adriano, a cometer tão grande sacrilégio em troca dos contos necessários para a realização do casamento com sua amada. Após acontecimentos dramáticos e perigosos, enfim, Delfino cria coragem e resolve confessar a Padre Estevão (Pároco da cidade) toda sua história e aceita resignado sua sentença/penitência, seja ela qual for. O que o Padre decide fazer a partir daí e qual penitência reserva a Delfino, só lendo para saber, mas garanto que cada página vem mesclada de dor e emoção. O final do livro não poderia ser mais emocionante! Delfino sofre e sofre calado! Sua dor, o peso de consciência, seu desespero, são transmitidos com maestria, ao mesmo tempo em que acompanhamos a cada capítulo, as características e peculiaridades das  personagens. Na obra, encontramos referências religiosas e culturais daquela região e uma carga impressionante de drama e suspense. Um livro que envolve família, religião, cultura regional, crime, romance, pecado e redenção. Foi adaptado ao cinema em 1968, com direção de Carlos Coimbra. Recomendo!


VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: SIMONE TORRES

40. Pedagoga e Teóloga. Leitora compulsiva, cinéfila e amante dos animais. Fazer arte é o que mais amo depois de ler.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

PRIMEIRAS IMPRESSÕES: SACRIFICAR

SINOPSE: “Imagine-se sendo ofertado como sacrifício. Existiria uma vontade em si de deixar tudo para trás por um bem maior? Imagine-se ainda ofertando alguém querido em sacrifício. Existiria coragem para viver sem essa pessoa? Um Papa foi assassinado brutalmente por uma poderosa instituição de bruxos gerando retaliações por parte dos clérigos que, finalmente, instituíram a Santa Inquisição como lei e juraram morte a todos eles. Vinte anos se passaram desde o ataque em Notre-Dame e jovens bruxos são confrontados com a nova realidade que precisa de seus sacrifícios. Sem eles não haverá salvação para a raça”.


Devo confessar que não leio livros de fantasia com muita frequência, mas Sacrificar chamou a minha atenção. Foram poucas páginas, mas a trilogia Cordas do Infinito tem seu lugar garantido entre os fãs desse gênero. Um livro cheio de mistério e magia, onde jovens bruxos tentam se manter no anonimato por causa da caça às bruxas na Santa Inquisição. E tudo começou há vinte anos atrás, quando o Santo Papa foi assassinado cruelmente em um ataque a Notre-Dame. No vilarejo de Bridal moram várias famílias ricas, os Seagon – uma família que sempre tratou todos no vilarejo, ricos ou pobres da mesma forma ajudando na medida do possível.


Entre as mulheres da família Beleneath conhecemos Lorena, uma jovem que não tem medo dos perigos da floresta e muito menos os seres que lá habitam. E a terceira, os Mitchell são esnobes e tratam os habitantes mais pobres do vilarejo com desdém. Leonard Mitchell se destacava pelo cabelo loiro e suas roupas totalmente negras e feitas com pele de lobo, os mais ferozes animais da floresta. Leonard é noivo de Lilyanne, irmã de Garret Seagon e esse noivado foi arranjado antes da morte de seus pais. Viver em Bridal pode ser seguro ou não, porque qualquer família poderia ser denunciada por bruxaria ao Tribunal do Santo Oficio. SACRIFICAR É, PRIMEIRAMENTE, SOBREVIVER.


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RESENHA ESCRITA POR: FÁTIMA GISLENE GENOVÉSIO
Tenho 50 anos, mas até me esqueço disso. Meu apelido é Gi, mas também sou a tia Gigi. Leio desde os 14 anos, era rata de biblioteca, e li tudo o que tinha de bom, quando acabou meu pai virou meu fornecedor de livros! Já trabalhei em duas livrarias e fiz feira do livro. Amo indicar livros e fico realizada quando vejo uma criança descobrindo o gosto pela leitura. E tenho muito ciúmes dos meus livros.

terça-feira, 26 de junho de 2018

PRIMEIRAS IMPRESSÕES: DEPOIS DO PRIMEIRO OLHAR

SINOPSE: Ela acredita no amor, na força do destino e na ajuda dos cosmos para protegê-la. Ele é mais cético e prefere os fatos e constatações. Por ajuda dos astros ou por apenas coincidência eles acabam se encontrando em frente à Fontana di Trevi, um encontro inesperado que a leva cair no chão. Poderia ser apenas um simples esbarrão, meros toques de ombros e um pedido de desculpa, mas os olhos deles se encontraram e a ligação aconteceu naqueles ínfimos segundos. Por destino ou por mero acaso eles se reencontram e o que acontece depois do primeiro olhar é algo que nenhum dos dois poderia imaginar.



Eu particularmente não estou gostando muito dessa coisa de "Primeiras impressões", porque eu SEMPRE ME APAIXONO PELO LIVRO E QUERO LER TODO O RESTO! Dessa vez aconteceu com o "Depois do primeiro olhar", um livro da Malu Simões. Ele conta a história da Marília, uma arquiteta que tinha uma vida bem "okay": um namorado que a todo momento dizia e demonstrava que a amava, um emprego que ela gostava, fez uma viagem com a sua melhor amiga para a Itália... E é aí que a nossa história começa... Marília é uma dessas mulheres que gosta de acreditar em coisas místicas, como por exemplo, jogar moeda em uma fonte e fazer um pedido. Mal sabia ela que uma ação simples como essa seria a fonte de seus problemas nos próximos dias e faria sua vida virar de cabeça pra baixo!


Na história, Marília descobre quem é o seu namorado, conhece um cara que a irrita profundamente, tem que lidar com uma colega de trabalho que, no pouco que eu li, eu já peguei ranço... E eu ainda acho que esse cara "irritantemente lindo" que ela teve a "infelicidade" de conhecer ainda vai aparecer muuuuuito na vida dela... Gente, eu não vou contar muitos detalhes, pois posso acabar dando spoiler, mas eu gostaria de dizer à autora que se ela quiser, eu estou aceitando o livro todo pra terminar de ler, porque ela me mandou um arquivo que acabava quando a história começava a tomar um novo rumo, que me deixou curiosíssima! Vou dormir na pia hoje tentando saber se o que acontece é realmente o que eu achando que acontece (risos)!


Tem uma narrativa bem fluida e eu tinha que tomar cuidado pra não ficar lendo sem parar e atrasando todo o resto das minhas coisas (risos)! Inclusive, preciso ir ali estudar a matéria atrasada que acabei acumulando enquanto lia... Se você gosta de histórias engraçadas, românticas e leves, vai gostar de "Depois do Primeiro Olhar", da Malu Simões!

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RESENHA ESCRITA POR: JAMILLY LEIMAN
25 anos, uma paraense que foi criada no interior da Bahia. Coração dividido entre a música e os livros, é cantora e apaixonada desde criancinha pela leitura. 

quinta-feira, 21 de junho de 2018

RESENHA: DAVID COPPERFIELD

SINOPSE: Oitavo romance de Dickens e o mais autobiográfico deles, David Copperfield é uma narrativa em primeira pessoa sobre a educação e o desenvolvimento de seu protagonista do nascimento à maturidade, mas é também uma longa meditação sobre seus anos de aprendizagem e formação como escritor. A “história e experiência pessoais” de David, anunciadas desde o título, abrigam um grande número de enredos secundários em uma complicada trama que envolve ainda uma inesquecível galeria de personagens a que a imaginação de Dickens deu forma e que se tornaram figuras familiares para uma legião de leitores.


Impressões Pessoais: Olá, leitores! Hoje compartilho com vocês mais um clássico da literatura inglesa. E que clássico! Escrito no século XIX “David Copperfield” é um clássico com mais de 1300 páginas (edição da extinta Cosac Naify) lido por autores Dostoiévski, Tolstói, Kafka e Orwell “David Copperfield” é uma história de iniciação e de aprendizado da difícil arte de viver; é também uma narrativa sobre afeto, desamor, amizade e perda, sobre escolhas morais e sobre os percalços e desafios que se apresentam ao narrador-protagonista no caminho da educação de si mesmo para a vida em sociedade. No ato da escrita, rememora os momentos felizes, revive os traumas, para dessa forma redescobri-los e conferir-lhes novos significados. A escrita autobiográfica – a narrativa de uma vida – implica esse acerto de contas com o processo de formação do sujeito e precisa encarar a experiência. Considerado por alguns críticos como um relato semi-autobiográfico de Charles Dickens, David Copperfield, com perspicácia e sensibilidade precoce, narra as dificuldades da sua infância, que incluiu a perda dos pais na morte, dos maus-tratos sofridos nas mãos do seu padrasto e sua irmã, os senhores Murdstone, irmãos sinistros, agressivos e manipuladores. Que com um forte poder de argumentação conseguem manipular Clara, mãe de David, e convencê-la de que ele é um menino mau e que deve ser colocado em colégio interno. Entretanto esse colégio usa da violência física e bárbara para ensinar e disciplinar os seus alunos. A mãe de David entra em depressão logo após ter um bebê e com a ausência dele ela e seu recém-bebê acabam falecendo. E meio a tudo isso Coperfield contará apenas com o apoio e consolo de Peggotty, empregada da casa que o ama muito.


Depois do funeral, seu padrasto e sua irmã decidem que David deve ser enviado para trabalhar em uma fábrica. Mesmo sendo uma criança ele terá que lidar com trabalho infantil, solidão, dificuldades financeiras e deslocamento social. Até que ele consegue fugir e depois de horas e horas viajando a pé ele consegue chegar até a casa da senhora Betsey, sua tia-avó e única parente viva, que é uma viúva que desapareceu da vida dos Copperfield depois de descobrir que a criança que Clara Copperfield dera à luz era um menino (David Copperfield) e não uma menina. E ela convencida pelo seu criado Dick decide ajudar e criar David e até expõe “frente a frente” as maldades e intuitos dos irmãos Murdstones. Com a passagem do tempo, demais personagens (uns 50 até o final da narrativa) vão aparecendo e encantando o leitor. A trama do romance se torna, assim, complexa, com as frequentes mudanças de cenário e paisagem e com os diferentes conflitos que arma – as dificuldades financeiras dos Micawber, o alcoolismo do sr. Wickfield, a prostituição de Emily e Martha, a ambição e vilania de Uriah Heep, a irresponsabilidade de James Steerforth, os dramas do dr. Strong e esposa. Passamos a está diante de aquele que se caracteriza não pelo tom ou pela presença de personagens cômicas, mas pela incorporação do herói à sociedade e o correspondente isolamento dos que não devem se integrar à ordem social.


Não passam despercebidas as privações dos Micawber, apesar de seu incontornável otimismo e de sua fé de que vai “aparecer alguma coisa” para tirá-los dos apuros e embaraços financeiros; não nos devem escapar as adversidades dos Peggotty e a condição de dependência de Rosa Dartle – todas elas personagens de poucos meios e cuja fragilidade do ponto de vista social não pode deixar de ser destacada. Rememorar também indica relembrar dores e sofrimentos, como os impostos pelo seu antagonista Uriah Hepp que é um criminoso, ambicioso, ressentido, falso, ardiloso, e seu caráter parece traduzir-se perfeitamente na sua aparência física, nos olhos vermelhos e “meneios de cobra”. E relembrar a decepção com o seu idolatrado amigo Steeforth, que eu deixarei vocês descobrirem. O leitor também acompanhará as aventuras de David Copperfield, os seus estudos de Direito e a descoberta do seu grande amor. Deixarei vocês descobrirem o que a vida reservava a David e as surpresas que a vida lhe pregou. Garanto a vocês que esta é uma leitura rica, fluida, com personagens muito bem construídos e profundos, e com grandes lições sobre: amor, amizade, determinação e solidariedade!



Sobre o autor: Charles Dickens nasceu em 1812, em Landport, perto de Portsmouth. Seu pai era escriturário do departamento financeiro da Marinha. A família mudou-se para Londres em 1815 e para Chatham em 1816. Ali, Dickens passou os anos mais felizes de sua infância. Os Dickens retornaram a Londres em 1822, mas as finanças familiares estavam severamente comprometidas. Charles foi tirado da escola e em 1824 começou a trabalhar num depósito de graxa para sapatos gerenciado por um parente. Seu pai foi preso por dívidas. Essas experiências afetaram profundamente o futuro romancista. Mas assim que a situação financeira do pai melhorou, Dickens voltou à escola, que deixou aos quinze anos para trabalhar sucessivamente como escriturário de advogado, repórter taquígrafo nos tribunais e repórter parlamentar. Em 1833, começou a publicar contos em jornais e revistas, depois editados como Sketches by Boz. O último romance completo, Our Mutual Friend, foi publicado em 1864-65. Edwin Drood foi deixado incompleto com a morte de Dickens em 9 de junho de 1870.

VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: Felipe Maranhão
22 anos. Graduando do 6° período de Letras, da Universidade Federal do Tocantins. Pesquisador em Iniciação Científica pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, com ênfase em bilinguismo Krahô. E amante da literatura universal.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

RESENHA DO DIA: TALVEZ UMA HISTÓRIA DE AMOR

SINOPSE: Este livro conta a história de Virgile - anti-herói distraído, contraditório e solitário, que um dia chega em casa do trabalho e ouve em sua secretária eletrônica um recado duro, seco e forte de alguém terminando com ele, sem ter a menor ideia de quem seja essa pessoa. O autor, então, explora o pânico que toma conta de Virgile diante de evidências que o aproximam de uma suposta ex-namorada. Quem, afinal, era Clara? Só, ansioso e deprimido, Virgile decide - em uma reviravolta - recuperar essa mulher que desconhece.


“Como as relações sexuais, a morte também requer preliminares.”

Desde o primeiro parágrafo já consegui me identificar em muitas coisas com o protagonista. Virgile é um rapaz que está numa fase em que a ansiedade, a depressão e o isolamento são seus fiéis parceiros de vida, assim como o pânico por morrer. De inicio já presenciamos essa paranoia da não existência, do mundo se abrindo sob seus pés depois de receber uma mensagem em sua secretária eletrônica de uma mulher chamada Clara, da qual ele nunca soube de sua existência e é ai que começa o desenrolar das aventuras e reflexões do nosso personagem.


“Não escapara da morte, mas sim, por algum tempo, da ideia da morte, e a ideia da morte é mais grave do que a própria morte, pois nos persegue a vida inteira.”

Sobre Virgile: Abandonou o circo dos pais para morar em Paris e ter sua própria vida. Mesmo sem curso ou especialização nenhuma conseguiu uma vaga numa agência de publicidade, na qual se recusa imensamente a aceitar uma promoção de cargo (isso vai ser uma das coisas a qual vai trazer certo impacto no decorrer da história). Tem alguns amigos, mas uma única amiga que considera imensamente e é bem excêntrica, Armelle. Por ter depressão, Virgile ao mesmo tempo em que reluta em lutar para saber mais sobre Clara, resolve fazer dessa mulher, seu objetivo de vida e reconquistá-la. 


“Só existe uma forma de não nos arriscarmos a perder aqueles que poderíamos amar. É não permitindo que eles entrem em nossa vida.”

Mas aviso: esse não é um simples romance francês, por isso se chama “Talvez Uma História de Amor”. Por mais que no início seja um pouco parado, a leitura vai fluindo rapidamente e com uma leveza, com uma filosofia de vida que é impossível resistir. E o final... É simplesmente caloroso! Podemos dizer que de moral, o livro nos traz uma busca sobre si mesmo, sobre o merecimento das coisas boas da vida, sobre se reprimir para não parecer melhor, sobre não aceitar ser melhor por ter baixa autoestima, mas dizer que a vida é assim e pronto. E o mais importante: não se deixar estagnar, pois podemos estar perdendo o melhor de nossas vidas.


“A vitória não é algo reconfortante. Virgile estava convencido disso: na vida, é preciso se esforçar ao mesmo tempo para não perder e para não ganhar. O exercício é delicado, já que os dois polos têm alto poder de atração.”

PS: Tem filme desse livro maravilhoso, mas com um final alternativo. E com um elenco sensacional brasileiro! 
“O ser humano obedece para não morrer [...] Acabamos descobrindo, no fim, que se trata de uma bobagem, mas isso funciona por muito tempo.”

VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: KAROLINA V. S. MELO (Karol Melo)
21 anos, mora atualmente no interior do Paraná. Depois que descobriu o mundo da ficção se tornou uma leitora compulsiva. Ama músicas que a inspirem, e séries de suspense policial, mas não nega um romance clichê. É escritora no blog Verdades e Poesias e sonha em publicar um livro para chamar de seu.

terça-feira, 19 de junho de 2018

PRIMEIRAS IMPRESSÕES: SEM CASCA


SINOPSE: Maçã,
vermelha, quente
lábio e coração,
pecado de mulher
que seduz
desde o início...
de Eva até mim
e você que me vê.
Com faca afiada retira a pele
e a essência antes dela
se espalha.
Sua casca como
palavras sussurradas
são deixadas para que o tempo as leve
aos ouvidos
ao peito de quem as quiser... Sinopse: Maçã,
vermelha, quente
lábio e coração,
pecado de mulher
que seduz
desde o início...
de Eva até mim
e você que me vê.
Com faca afiada retira a pele
e a essência antes dela
se espalha.
Sua casca como
palavras sussurradas
são deixadas para que o tempo as leve
aos ouvidos
ao peito de quem as quiser...


“Se o sentimento se tornar palavra e ela virar emoção, então vivi.”

Começamos com uma frase de impacto, pois o sentimento é a base de tudo, através de onde suprimos todas as energias e necessidades para seguirmos em frente. Thelma nos leva através de versos e poemas para outros lugares, onde simples palavras representam muito significado. Como o próprio nome diz SEM CASCA. Me leva a pensar que somos apenas casca por fora sem a parte boa por dentro??? Será que realmente somos assim???  E o que podemos fazer para melhorar isso???  Somos pessoas que vivemos num mundo onde cada dia as coisas mudam. Hoje a tecnologia está em alta, vivemos sempre correndo e nos esquecemos de como as cosias chegaram a ficar assim. Como é bom conversar com pessoas mais velhas e escutar como era na época deles! Não que não tivesse preocupação, sim eles tinham e não eram poucas, mas o gostoso é conversar e perceber como eles faziam para sobreviver a cada dia. Podemos ver em alguns poemas que nossa autora se inspirou em obras de um talentoso fotógrafo Sergio Santoian. 


“Sociedade bestamente bitolada

Intolerante servil
Sem nem olhar para si
Esmaga o que vê
Sem pensa
Sem sentir...”

Nos faz pensar que se realmente uma coisa existe, porque quando outra pessoa fala que não existe, ainda nos faz pensar se realmente estamos enganados. Um dos poemas que me tocou bastante, de nome NÃO PUDE TE DIZER ADEUS. Quantas vezes deixamos para amanhã o que podemos fazer hoje, ou o quanto estamos ocupados com coisas banais que nos esquecemos de falar o quanto sentimos saudades de uma pessoa, nem que seja apenas para ligar e falar: “Oi, tudo bem?”? O amanhã não chegou a existir... Como aconteceu com as palavras do poema... Não deu tempo... De dar um Abraço, um Carinho ou uma simples palavra de Encorajamento.  Como o hoje não deu tempo, vai ficar apenas nas lembranças os momentos que foram curtidos juntos.


“Como podia saber que era certo
Aquilo tudo que eu ouvia?
Como eu ia saber que seu amanhã
Não chegaria?

RESENHA ESCRITA POR: VANESSA RANDO
31 anos, enfermeira, moro em Piracicaba (interior de SP) e os livros são minha vida. Quando não estou cuidando da saúde das pessoas, gosto de entrar em um mundo imaginário e esquecer os problemas da vida real.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

RESENHA DO LEITOR: NIMONA

SINOPSE: Nimona é uma metamorfa sem limites nem papas na língua, cujo maior sonho é ser comparsa de Lorde Ballister Coração-Negro, o maior vilão que já existiu. Mas ela não sabia que seu herói possuía escrúpulos. Menos ainda uma deliberada missão. Até conhecer Nimona, Ballister fazia planos que jamais davam certo. Felizmente, a garota tem muitas sugestões para reverter esse quadro. Infelizmente, a maioria envolve explosões, sangue e mortes. Agora, Coração-Negro não só tem que enfrentar seu arqui-inimigo e ex-amigo, o célebre e heroico Sir Ambrosius Ouropelvis, mas também impedir que a fiel comparsa destrua todo o reino ao tentar ajudá-lo. Uma história subversiva e irreverente que mistura magia, ciência, ação e muito humor sobre camadas e mais camadas de reflexão – entre uma batalha e outra, é claro.


Título: Nimona

Autora: Noelle Stevenson
Ilustrações: Noelle Stevenson
Tradutora: Flora Pinheiro
Editora: Intrínseca
Ano: 2016
Gênero: Ficção Americana
Páginas: 272


Olá pessoas... Conheci esse livro graças a uma assinatura mensal de um box literário, o que foi maravilhoso porque se eu fosse a uma livraria não iria me interessar por uma HQ (Graphic Novel). A história é sobre uma menina metamorfa chamada Nimona, o maior sonho dessa personagem é tornar-se parceira do Lorde Ballister Coração-Negro, um supervilão famoso cujas maldades sempre dão errado. Com muita teimosia e insistência características dessa garota, o vilão aceita ser seu comparsa quando percebe que ela pode se transformar em animais e até em outras pessoas quando desejar.


Lorde Ballister se tornou um vilão após se sentir traído por Ambrosius Ouropelvis, seu antigo amigo e atual arqui-inimigo. Lendo essa história vamos perceber que o vilão não é tão mal assim, na verdade ele não aceita a forma que a "instituição de heroísmo e manutenção da ordem" trata o povo e então resolve intervir... Nimona acaba sendo muito útil apesar das inúmeras vezes em que os planos dos dois dão errado (pra variar).


Confesso que foi uma grata surpresa e eu acabei gostando muito mais do que imaginei, primeiro por não ser uma história clichê, e depois por ter uma menina forte, decidida, cheia de atitude e longe do tipo princesinha como protagonista. O formato agradou inclusive meu filho de dez anos que leu tudo em um dia, provando que quando o livro é bom agrada a todas as idades. Vale a pena a leitura. O livro é lindo, colorido, engraçado, a capa é maravilhosa e o conjunto da obra impecável.


Sobre a autora: Noelle Stevenson é autora, ilustradora e quadrinista. Pela criação de Nimona, foi premiada com um Eisner Award e finalista do National Book Award, ganhou o Slate Cartunist Studio Prize de Melhor Web Comic e foi indicada para o Harvey Award. Autora best-seller do New York Times, é também cocriadora da aclamada série de quadrinhos Lumberjanes e já colaborou com publicações da Disney, da Marvel e da DC Comics. Formada pelo Maryland Institute College of Art (MICA), mora em Los Angeles. 

VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: KELLY GONÇALVES
28 anos, paulistana, casada, apaixonada pelos livros, futura técnica em radiologia. Apenas uma mãe tentando por em dia as suas séries favoritas.

ENTREVISTA COM CLÁUDIA LEMES SOBRE INFERNO NO ÁRTICO

SINOPSE: Assassinatos bizarros abalam a cidade de Barrow, Alasca, durante o período de dois meses de noite polar. A detetive brasileira Barbara Castelo desconfia que seu primeiro caso de homicídio tem ligações com ocultismo, e precisa superar suas diferenças com o parceiro, Bruce Darnell, além de sua fobia do escuro, para encontrar o serial killer antes que ele consiga completar sua missão macabra.

Vitamina Livros: Qual foi o momento mais marcante na sua carreira de escritora?
Cláudia: Acho que o momento em que você vê seu livro numa livraria pela primeira vez é sempre marcante para o autor. A primeira Bienal como escritora também foi muito boa.

Vitamina Livros: Como surgiu a ideia de escrever "Inferno no Ártico"?
Cláudia: Eu queria trabalhar com "medo", quase como um personagem numa história, e também sempre quis escrever sobre um lugar bem frio, bem inóspito. Aí as coisas foram se juntando. O melhor lugar para uma protagonista com fobia de escuro seria Barrow, no Alasca, onde durante 65 dias o sol não aparece. A ambientação ficou perfeita para a história.

Vitamina Livros: Quanto tempo demorou para a história ficar pronto "Inferno no Ártico"?
Cláudia: Foi o livro mais demorado que já escrevi, levando um total de quatro meses.

Vitamina Livros: O que o leitor pode esperar de "Inferno no Ártico"?
Cláudia: O mesmo estilo direto de Eu Vejo Kate e a maturidade de escrita de Um Martini com o Diabo. Inferno no Ártico é um thriller de investigação com todos os elementos que amamos em thrillers: personagens complexos e com histórias de vida interessantes, um assassino com motivações perversas, uma ambientação exótica, surpresas e um bom plot twist.

Vitamina Livros: Qual autor ou autora é seu preferido? Eles de alguma maneira te inspiraram a escrever?
Cláudia: Admiro muitos autores, como Frank McCourt e Kurt Vonnegut, mas os que me inspiraram mais foram Anne Rice, Stephen King, Karin Slaughter e James Ellroy.

Vitamina Livros: Se "Inferno no Ártico" pudesse ter uma trilha sonora qual música você escolheria?
Cláudia: Inferno menciona muitas músicas porque a protagonista, Barbara, tem na música uma válvula de escape. Como ela escuta muito rock, algumas das músicas do livro são Fear of the Dark (Iron Maiden), Cemetery Gates (Pantera) e Lord of this World (Black Sabbath). Para escrever ouvi muito a trilha sonora do filme Copycat.
Vitamina Livros: Como é sua rotina de escrita? Você escreve diariamente? Tem algumas técnicas que utiliza para facilitar o processo de criação?
Cláudia: Eu não escrevo todo dia por realmente não conseguir encaixar a escrita na minha rotina. Parece bizarro para um autor, mas a realidade do escritor brasileiro é outra, mais relacionada a sobrevivência. Escrevo quando tenho tempo. Em alguns meses isso é todo dia, mas às vezes não. Uso fichas para organizar cenas e faço um outline baseado em algumas ideias e na estrutura de Nigel Watt, mas durante o processo de escrita todo o planejamento vai mudando. Eu tento sempre fazer imersão para me aproximar das personagens. A Bárbara chupa pirulitos compulsivamente, então eu também fiz isso até arrebentar meu céu da boca. A Kate se sentia atraída por violência então eu via muitas fotos e vídeos de crimes reais. O Ryan entende como pedófilos agem então eu fiz um curso sobre sexologia forense. Aprendi a atirar com uma pistola. O Reno Santiago (de um livro ainda inédito) sabe lutar, então eu comecei a lutar. A Mariana entende de flores então eu pesquisei flores e me cerquei delas por meses. Coisas assim ajudam muito no processo de criação de personagens.

Vitamina Livros: Quais gêneros você tem vontade de se aventurar um dia e escrever?
Cláudia: Eu gosto de escrever de tudo, mas já percebi que sou conhecia pelos thrillers investigativos e romances policiais, então pretendo me manter nesses gêneros, embora sempre escreva contos e novelas de terror. Mas já escrevi não-ficção, dramas eróticos e até um western.

Vitamina Livros: Qual personagem dos seus livros você mais se identifica? E por quê?

Cláudia: Me identifico muito com o Ryan, do Eu Vejo Kate. Sou analítica e curiosa como ele, e embora seja um amorzinho, tenho um lado B meio sinistro. Me vejo facilmente agindo como ele age nas histórias.

Vitamina Livros: Deixe uma mensagem para nossos leitores:
Cláudia: Não tenham medo de se aventurar em gêneros que não conhecem bem e autores que nunca leram. Descubram sempre tipos de livros que te tiram da zona de conforto, e não tenham medo dos nacionais. Muita coisa boa está sendo escrita e publicada por aí.

Cláudia Lemes é conhecida pelos seus romances policiais Eu Vejo Kate (Ed. Empíreo) e Um Martini com o Diabo (Ed. Empíreo), e seu trabalho de não-ficção, Santa Adrenalina: Um Guia para Quem Quer Escrever Thrillers (Ed. Lendari). Inferno no Ártico marca sua volta à publicação solo e segundo a autora "É o meu melhor trabalho até hoje."

"Um thriller corajoso, selvagem e realmente impressionante" - Cesar Bravo

Comprando o livro na pré-venda, você garante um preço com desconto, a realização do projeto independente da autora, brindes exclusivos, seu nome nos agradecimentos e o recebimento do livro antes de qualquer um. 

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quarta-feira, 13 de junho de 2018

PRIMEIRAS IMPRESSÕES: A SOMBRA DE UMA PROFECIA - O NASCIDO DA LUZ

SINOPSE: Ivan Taylor, acabou de assumir a coroa, como se não bastassem os desafios de se tornar o novo rei, ele tem muito o que se preocupar quando Riley, o último oráculo, lança uma profecia que volta a agitar os grandes reinos. Ela está levando os antigos seguidores do líder caído chamado Delfos a se reagruparem e fazendo as pessoas acreditarem que o filho recém-nascido do Rei é o nascido da luz, responsável por combater Delfos quando chegar o dia de sua volta. Dividido entre proteger sua família e defender seu reino, ele vai descobrir que nem os mais fieis servos são confiáveis.


Eis que temos uma fantasia! No melhor estilo do gênero, temos gigantes, bruxas, magia, profecias, portais mágicos e a clássica luta entre luz e trevas. Samuel, vive na mais perfeita normalidade, o que para um adolescente de 17 anos significa ir à escola, sofrer bullyng, estar apaixonado pela garota mais popular e ter um ou dois melhores amigos. Não fosse pelo fato de não ter conhecido sua família e de não saber qual a sua origem, nada mais o incomodaria seriamente. Adotado por Selena, não imagina o que se esconde em seu passado. Filho do rei Ivan e da rainha Emily Ducart, do reino de Kyendra, nosso herói foi salvo da morte e arrancado de seu mundo e de sua família, já que forças malignas tentariam a todo custo assassiná-lo. Tal perseguição justifica-se na profecia do Último Oráculo, segundo a qual Delfos, um ser das trevas, retornaria para disputar o destino do mundo com o "nascido da luz".


Sendo Samuel, filho do rei Ivan, o qual era neto de Bram Taylor, tido como o "salvador", o maior rei que Kyendra já possuíra, caiu sobre este o peso da profecia. Em mais um dia rotineiro, Samuel retorna da escola e se depara com Selena morta e um estranho visitante. O homem se apresenta como Joshua e se mostra disposto a eliminar nosso herói de uma vez por todas. O que vem a seguir os próximos capítulos revelarão, mas de já fica desperta a curiosidade do leitor. Os dois primeiros capítulos foram suficientes para me prender à história e me identificar com o protagonista. Escrito em terceira pessoa, o livro empolga pelo clima de ação, suspense, além de toda a carga dramática que envolve o passado e o presente do protagonista. De escrita clara e de fácil entendimento, o que aliado a fluidez dos fatos, leva a uma leitura rápida e dinâmica. Sim! É uma boa trama, um bom enredo, bons personagens e uma boa escrita. Recomendo!


RESENHA ESCRITA POR: SIMONE TORRES
40. Pedagoga e Teóloga. Leitora compulsiva, cinéfila e amante dos animais. Fazer arte é o que mais amo depois de ler.