quinta-feira, 28 de junho de 2018

RESENHA DO DIA: A MADONA DE CEDRO


SINOPSE: Delfino Montiel, um sujeito calmo e bastante religioso, sai de Minas Gerais para conhecer o Rio de Janeiro. Além de se encantar com o mar, se apaixona por Marta, que corresponde aos seus sentimentos. Vindo de uma vida simples, querendo se casar e dar conforto para sua amada, acaba se metendo em confusão. Convencido pela quadrilha de Vilanova e seu amigo Adriano para conseguir dinheiro, rouba a uma madona esculpida por Aleijadinho. Após o roubo, entra num processo destrutivo de culpa, pois sua atitude fugiu completamente dos seus princípios morais e religiosos. Apesar de ter sido por amor, Delfino praticamente enlouquece de remorso, não conseguindo livrar-se da culpa que sente por ter roubado a imagem, impedindo-o de ser realmente feliz ao lado de Marta, que era uma mulher bonita e sincera.


Sabe aquele livro que você quer terminar de ler para saber o final da história, mas ao mesmo tempo não quer terminar para que a história não acabe? Esse é um deles. Que livro incrível! Mais uma vez Antonio Callado (autor de Quarup) consegue me fazer viajar não apenas pelos recônditos do Brasil, mas também pelo mundo fantástico de suas personagens e mais ainda pelas tramas e dramas incríveis que consegue construir. Em "A Madona de Cedro", obra escrita em 1957, temos a infeliz saga de Delfino Montiel, nosso protagonista e autor de um dos roubos mais famosos de Minas Gerais, mais especificamente em Congonhas do Campo. Delfino é proprietário de uma pequena loja de imagens sacras de pedra-sabão, herdada de seu pai. Narrada em terceira pessoa, a obra vai e vem no tempo, mesclando presente e passado, ora narrando os acontecimentos de 13 anos antes (quando se deu o famoso roubo da estátua de Nossa Senhora da Conceição, obra de Aleijadinho, colorida pelo mestre Ataíde, do qual Delfino foi o autor), ora narrando o desenrolar dos fatos no presente, quando Delfino decide confessar seu crime e é novamente procurado pela quadrilha que o convenceu a cometer o crime pela primeira vez.


No entanto, nada é tão simples! As motivações que levaram Delfino a tal extremo, sendo ele um homem honesto, religioso e cidadão de bem, nos fazem tê-lo ora como vilão, ora como mocinho. Acontece que nosso herói/vilão se viu perdido de amores por Marta, moça que conheceu em viagem ao Rio de Janeiro e pela qual se encantou perdidamente. Não possuindo os recursos para casar com Marta imediatamente, se viu convencido por seu amigo de infância, Adriano, a cometer tão grande sacrilégio em troca dos contos necessários para a realização do casamento com sua amada. Após acontecimentos dramáticos e perigosos, enfim, Delfino cria coragem e resolve confessar a Padre Estevão (Pároco da cidade) toda sua história e aceita resignado sua sentença/penitência, seja ela qual for. O que o Padre decide fazer a partir daí e qual penitência reserva a Delfino, só lendo para saber, mas garanto que cada página vem mesclada de dor e emoção. O final do livro não poderia ser mais emocionante! Delfino sofre e sofre calado! Sua dor, o peso de consciência, seu desespero, são transmitidos com maestria, ao mesmo tempo em que acompanhamos a cada capítulo, as características e peculiaridades das  personagens. Na obra, encontramos referências religiosas e culturais daquela região e uma carga impressionante de drama e suspense. Um livro que envolve família, religião, cultura regional, crime, romance, pecado e redenção. Foi adaptado ao cinema em 1968, com direção de Carlos Coimbra. Recomendo!


VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: SIMONE TORRES

40. Pedagoga e Teóloga. Leitora compulsiva, cinéfila e amante dos animais. Fazer arte é o que mais amo depois de ler.

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